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domingo, novembro 14, 2010

Capítulo XV

Capítulo XV
No dia seguinte Lizzy seguiu com Jane para academia enquanto narrava o ensaio para a irmã.

- E você acha que ele possa aprender a coreografia em tão pouco tempo?

Jane perguntou enquanto olhava pelo retrovisor o carro que vinha muito próximo a elas.

- Acho sim... ele pode parecer meio travado... mas aprende rápido.

Lizzy falou animada e transparecendo toda a sua animação com a nova coreografia que imaginava para eles.

- E seu projeto... como anda?

Perguntou enquanto procurava na bolsa os cds para os ensaios de logo mais à noite. Novamente dera-se o luxo de não treinar pela manhã.

- Está pronto Lizzy. E ele está tão bonito. Charles me deu umas idéias muito boas.

Lizzy parou de procurar o cd e encarou a irmã que ficara ligeiramente corada com a menção de Charles.

- Charles? O mesmo Charles que monopolizou sua companhia no baile?

Lizzy perguntou arqueando uma das sobrancelhas. Jane pareceu corar mais ainda e mexeu-se um pouco desconfortável no banco.

- É... ele entrou na nossa turma de pinturas. Eu não te falei?

Ela respondeu tentando parecer natural. Lizzy anuviou a expressão e começou a rir da timidez da irmã.

- Por que você não me contou?

Lizzy perguntou com uma pontada de magoa.

- Eu realmente me esqueci Lizzy... E pouco nos vemos esse dia.

Jane respondeu sincera. Lizzy, percebendo como a irmã estava um pouco desconfortável com a situação, mudou de assunto e continuaram conversando amenidades até chegarem ao estacionamento da academia.

**********************************

- Quero que vocês formem duplas!

A voz de Antony soou alta pela sala de aula. As alunas logo formaram seus pares, prontas para começas e nova atividade. Lizzy, é claro, formou par com Isabel. Caroline, que não parava de lançar constantes olhares de reprovação para as outras alunas, formou par com uma menina chamada Louise, que chegava a ser tão esnobe quanto ela.

- O exercício é o seguinte: vocês deverão escolher uma pessoa para guiar os movimentos e a outra terá que imitar.

Ele falou fazendo quase uma pausa teatral, esperando ver a reação da turma, que continuou o encarando em silencio.

- Vocês deverão fazer os movimentos no ritmo da musica que eu selecionar e o outro deverá copiá-los. Podem começar!

Ele falou enquanto ligava o som e uma musica alta e clara começou a soar na sala.

http://www.youtube.com/watch?v=Ae68NB-mOe4
(Enya- Caribean Blue)

A música era calma, e dava a sensação de ser transferida para um lugar calmo, onde o tempo parece não passar e o Sol acaricia a pele com seus raios.

Isabel começou fazendo movimentos leves, tocando a pele como se sentisse uma brisa fresca passar por ela. Fechou os olhos e simplesmente deixou seu corpo dançar ao som da música.

Lizzy a acompanhava sorrindo. Os movimentos eram tão leves, e expressavam tudo o que Isabel parecia sentir ao ouvi-la.

Quando a música acabou, Isabel abriu os olhos parecendo extasiada. Antony estava parado ao lado delas, com os lábios crispados e as mãos fechadas. Lizzy riu e dirigiu-se ao banco para beber um pouco da água que trazia em sua garrafinha.

A aula seguiu tranqüila sem muitos ocorridos dignos de relato. Lizzy fez seus movimentos ao som deu uma música mais agitada e Isabel a acompanhou muito bem.

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Jane despediu-se da irmã quando alcançaram os armários e seguiu carregando sua pequena maleta de tintas para a aula de pinturas em cerâmica. Chegou na sala e a pequena e simpática professora Lia já se encontrava sentada em sua mesa, separando alguns desenhos que provavelmente usariam na aula.

- Boa dia! – Jane cumprimentou sorrindo.

- Boa dia senhorita Bennet!

Ela respondeu lançando um olhar bondoso a jovem e voltando a se concentrar nos desenhos. Jane se acomodou na sua bancada que ficava bem próxima a mesa da professora e começou a arrumar suas tintas em um disposição de tons sobre a mesa.

Poucos minutos depois os alunos começaram a chegar enquanto conversavam animadamente. Jane cumprimentou a todos com um sorriso, que foi alargado quando viu Charles Bingley adentrar a sala e sentar-se na mesma bancada que ela, justamente ao seu lado.

Antes que pudessem trocar mais que monossílabos, a professora levantou-se de sua confortável cadeira e começou a explicar como seria o trabalho.

A turma se levantou e dirigiu-se para o pequeno armário ao fundo da sala, onde havia uns vasinhos feitos de cerâmica. Jane escolheu o seu, um pequeno e quadrado, e voltou para a mesa, acompanhada de Charles.

- Jane? – Jane se virou e encarou Charles sorrindo. – Quer almoçar comigo?

- Eu adoraria. – ela respondeu corando e voltando-se para o seu vaso.

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- Você viu aquela flor que a professora pintou no próprio vaso?

Jane perguntou animada enquanto saia juntamente com Charles para o pátio da academia. Iriam andando até um pequeno restaurante no final da rua.

- Claro que vi! Estava perfeita! Mas a sua ainda era mais bonita!

Ele respondeu fazendo Jane corar.

- Você que é muito gentil!

Ela respondeu desviando o olhar e sorrindo timidamente para Charles.

- E mais um capítulo de Jane e sua modéstia começou!

Ele respondeu divertido e Jane começou a rir.

- Até tu Brutus? – ela falou ainda rindo. – Minha irmã fala a mesma coisa. – completou sorrindo.

- O que significa que eu estou certo! – ela falou dando o assunto como encerrado.

Andaram admirando a pequena paisagem do parque próximo a rua e chegaram ao restaurante. Acomodaram-se em uma mesa aos fundos do restaurante e pediram um suco de laranja para acompanhar a salada com um molho da casa que pediram como refeição.

- Eu não esperava me divertir tanto por aqui!

Charles falou sorrindo. Jane se arrumou na cadeira e sorriu, quase não contendo a sua curiosidade.

- O que o trouxe para cá? – ela perguntou em voz baixa.

- Meu amigo! – ele respondeu sorrindo – Darcy e eu somos os donos da academia... e ele quis muito vir conhecer a academia... até então estudávamos na filial dos Estados Unidos.

- E vocês vão ficar por um tempo? – Jane perguntou corando ainda mais.

- Eu espero que sim. Aqui é muito agradável... e posso desfrutar da sua academia!

Jane foi salva de corar furiosamente quando o garçom chegou trazendo o almoço dos dois. Depois disso o assunto se desviou e ficaram conversando apenas amenidades, e Charles fez Jane prometer que o levaria aos pontos turísticos de Londres.

terça-feira, novembro 02, 2010

Capítulo XIV- No Caminho da Dança

Lizzy subiu para o seu apartamento com um sorriso bobo brincando em seus lábios. Adentrou a sala ainda sorrindo e encostou a porta. A sala estava na maior penumbra e Lizzy assustou-se ao ver a luz do abajur acender e Jane encará-la séria.




- Onde você estava até uma hora dessas?



Perguntou bancando a senhor Bennet. Lizzy sorriu com o carinho da irmã e sentou-se ao seu lado, abraçando-a.



- Desculpe-me Jane. Mas eu estava desesperada.



Sussurrou para a irmã que a abraçou e passou-lhe um pequeno sermão de irmã mais velha e preparou um jantar rápido para a irmã.



- Soube que Oliver não poderá dançar...



Jane falou em tom solidário. Lizzy sorriu.



- Não... ele não vai...



- Então por que você está com esse sorriso bobo na cara?



Jane perguntou desconfiada. Lizzy começou a narrar tudo que havia acontecido em seu encontro com Darcy e Jane cada vez mais ficava admirada.



- Eu não acredito que ele vá dançar com você!



Jane falou ainda boquiaberta.



- Para falar a verdade nem eu mesma acredito. Eu sugeri isso como uma brincadeira... mas parece que ele levou a sério!



- E como será que o povo da escola irá reagir a isso?



Jane perguntou, tocando em um assunto em que Lizzy ainda não havia pensado. Se ela ganhasse um papel na peça, dançando com Darcy, poderiam achar que não foi devido ao seu próprio sucesso... e sim a influencia que ela possuía lá dentro.







- Eu não havia pensado nisso Jane.



Lizzy responde começando a se preocupar com o assunto. Teriam que tomar cuidado.



- Bem, acho que você está cansada e tem que dormir.



Jane falou em tom autoritário. Lizzy caminhou para o quarto obediente e tomou um banho antes de deitar na cama e adormecer, pensando em um belo par de olhos azuis e seu dono.



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Lizzy permitiu-se não ensaiar na manhã seguinte, e seguiu bem disposta para a escola, encontrando Isabel no meio do caminho.



- E ai amiga? Como você está?



Bel perguntou em tom solidário, enquanto procurava no rosto de sua amiga sinais de tristeza como lágrimas secas e olheiras. Lizzy narrou-lhe todo o acontecido enquanto via um sorriso se estampar nos lábios da amiga.



-Eu não acredito! Você tem um dia de cão, fica desesperada e acaba sendo consolada por esse Deus maravilhoso e ainda o ganha como par para o teste! Por que eu não tenho uma sorte destas?



Ela fala fazendo drama e fazendo Lizzy rir. Chegaram à sala e tiveram a aula normalmente, com os passos desengonçados de Caroline, os comentários de Lyra e muitas risadas para alguém que em menos de vinte e quatro horas estava a beira de um ataque.



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Ao final da aula, Lizzy se despediu de Isabel e seguiu para o vestiário para trocar de roupa.



Prendeu o cabelo em um coque e pos o vestido que usava para ensaiar. Calçou seus sapatos de dança e seguiu para a sala. Passou um pouco de breu no solado e no chão.



Colocou a música no som e começou a bolar uma nova coreografia para sua dança.



Poucos minutos depois, Lizzy vê a porta se abrindo e abre um sorriso ao ver Darcy entrando pela porta.



Ele estava realmente bonito. A blusa social branca que usava estava com os dois primeiros botões abertos, revelando uma parte do peitoral másculo de Darcy. A manga estava dobrada até a altura do cotovelo.







Ele usava uma calça social básica. Seu cabelo estava um pouco bagunçado e seus olhos brilhavam tão intensamente que pareciam duas pérolas reluzentes.



Sorria, um sorriso tão estonteante que as pernas de Lizzy fraquejaram.



- Você realmente veio!



Lizzy falou pensando que aquele homem deveria ser uma miragem. ( N/A: diga-se de passagem, uma bela miragem).



- É claro! Pensou que eu a deixaria esperando?



A voz dele soou grave e retumbante. Lizzy sorriu e se aproximou.



- Não duvidei. –



Ela respondeu sorrindo. Darcy deu uma olhada pela sala vazia, que como sempre estava com todas as luzes apagadas sendo iluminada simplismente pela luz da lua que invadia a sala pelo grande vitral.



- Você sempre dança no escuro? – ele perguntou



-Na maioria das vezes sim... eu fico mais inspirada.Agora, vamos começar?



- Claro. Eu mal posso esperar pelas minhas aulas.



Lizzy riu e desligou a música que ainda tocava.



- O que você sabe sobre o tango*?



Ela perguntou enquanto encarava Darcy, agora assumindo um ar mais profissional.



- Que se dança a dois e que é muito lindo na Argentina.



Ele respondeu sendo sincero. Lizzy deu uma risada.



- Deixe-me falar um pouco sobre o tango. O tango é uma dança sensual, que exige movimentos firmes. Os bailarinos devem estar sempre próximos, e os movimentos exigem sensualidade. È uma dança da carne, do desejo. É um diálogo novo, a sedução feita em movimentos, o ir e vir, o encontro de dois mundos. Pode parecer uma dança fácil... mas não é. Ela exige confiança no parceiro, por causa das piruetas e jogo de copo realizado. E eu confio em você!



Ela explicou para Darcy, que estava completamente concentrado. Lizzy se aproximou dele e ajeitou seus braços em sua cintura.



- Não tenha medo de me tocar. O tango exige o toque. Suas mãos terão que correr pelo meu corpo seja para realizar um movimento, seja para me segurar. Então não tenha medo.







Darcy a obedeceu e ajeitou delicadamente suas mãos nas costas de Lizzy, que estavam nuas devido ao decote longo do vestido.



- Melhor assim?



Ele perguntou sorrindo. Lizzy fez um meneio de cabeça.



- Vou fazer pequenos movimentos. Tente me acompanhar. Não se importe de... desculpe mas não acho outro meio de dizer, não tenha medo de roçar a sua perna na minha.



Vendo que Darcy não parecia muito confortável, Lizzy tentou amenizar a situação.



- Não se preocupe, não irei denunciá-lo por abuso. E se fosse o caso, eu seria mais culpada que você!



Ela tentou amenizar enquanto falava sorrindo. Darcy deu uma gargalhada e sentiu-se mais confortável. Lizzy começou a dar pequenos passos, que eram o básico do tango. Depois de alguns minutos ensaiando as passadas, Lizzy ensinou uma pequena coreografia como aprendizado de movimentos.



- Agora quero ver se consegue fazer a coreografia com a minha parte também.



Lizzy falou se aproximando de Darcy e arrumando suas mãos nas costas de Darcy, movimento que ele imitou.



- Não fale, apenas sinta a música e deixe que ela guie seus movimentos. Não pense, aja com o coração.



Lizzy falou antes da musica começar.



http://www.youtube.com/watch?v=bibtqDxXv1o

(esse é mais ou menos o ensaio que tiveram)





Ao final do ensaio, ambos estavam cansados, mas contentes com o avanço que tiveram. O cabelo de Lizzy, antes perfeitamente preso em um coque no alto de sua cabeça, estava bagunçado por causa das inúmeras marcações com cabeça e piruetas. Pequenas gotas de suor nasciam em suas temporas.



O estado de Darcy não era tão diferente. A camisa agora estava com três botões abertos e o cabelo estava ligeiramente bagunçado por causa das mãos de Lizzy que passearam por essa área.







Lizzy andou até o banco onde suas coisas estavam apoiadas e pegou sua garrafa de água, dando um generoso gole. Consultou a hora em seu celular que antes estava desligado.



- Acho melhor encerrarmos por hoje. Já está tarde... se eu demorar é capaz de Jane chamar a polícia britânica toda!



Os dois riram e seguiram conversando sobre amenidades até a entrada da academia.



- Se quizer uma carona...



Darcy ofereceu já com as chaves de seu carro em mãos e apontando para o carro estacionado a poucos metros.



- É muito gentil, mas hoje estou com meu carro.



Lizzy respondeu sorrindo. Darcy pareceu desapontado mais sorriu.



- E quando ensaiaremos de novo?



Ele perguntou.



- amanha...no mesmo horário. Pode ser?



Lizzy perguntou enquanto remexia na bolsa a procura de suas chaves do carro.



- Claro.



Darcy respondeu enquanto caminhavam até o loca onde os carros estavam estacionados. Despediram-se cordialmente e foram para seus respectivos carros. Quando Will estava pronto para dar a partida em seu carro, ouviu Elizabeth chamando-o em seu próprio carro.



- Darcy...será que poderíamos manter nossa dupla em segredo? Eu não gostaria que as pessoas ficassem falando sabe... sobre você ser o dono...







Lizzy pediu completamente envergonhada. Darcy sorriu compreensivo e afirmou que manteria os ensaios em completo sigilo até o dia dos testes. Lizzy sorriu agradecida e seguiram para suas respectivas casas.



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Lizzy chegou em casa e encontrou a sala vazia. Todos já deveriam estar dormindo. Foi para cozinhar beber um copo de leite e foi até o quarto. Tomou um banho relaxante e deitou na cama, divagando sobre sua noite.



Dançar com Darcy fora maravilhoso, e ele era um aluno atento e esforçado. Ouviu todos os seus conselhos com boa vontade sem achar que era superior, mesmo sendo o dono da academia.



Lizzy deu uma pequena risada ao lembrar de como ele se sentia tímido em segurá-la próxima a ele e como ele evitava segurá-la com muita força.



“ Ele vai se acostumar com o tempo!”



Lizzy falou divertida lembrando-se da primeira vez que dançara tango com alguém. Não fora fácil segurar seus parceiro tão intimamente.



E foi pensando nisso que se lembrou do toque dele em suas costas nuas. Seu toque era incrível, e o choque de pele com pele era maravilhoso. A mãos deles eram tão suaves, e firmes, passavam-na uma sensação de segurança maravilhosa.



Agora se lembrando de como ficavam perto, pode sentir seu perfume, mesmo estando longe dele. Era um aroma único. E lembrou-se de seus sorriso e brilho dos seus intensos olhos azuis. De seu modo seguro de agir e pelo carinho que ele demonstrava ter por ela.



“ Senhorita Bennet, você está correndo sério perigo!”



Lizzy pensou antes de se acomodar na cama e cair em um sono relaxante.





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domingo, outubro 24, 2010

Cap. 13- no caminho da dança

Os ensaios de Lizzy, tanto os com Oliver, tanto os solo, progrediram no último mês que passou e Lizzy ficava cada vez mais nervosa com a aproximação dos testes para o evento.


Jane, depois de muita insistência de Lizzy e um empurrãozinho dado pela professora de pintura, finalmente concordara em participar e seu projeto para o cenário já estava praticamente pronto.

Agora faltava apenas uma semana para os testes e era segunda-feira. Lizzy já havia chegado na academia e esperava por Oliver na sala em que ensaiariam.

“Onde Oliver se meteu? Ele está atrasado!”

Lizzy pensava impaciente enquanto andava de um lado para o outro. Era incrível como ainda não havia um grande buraco no chão e Lizzy dentro dele.

Finalmente ouviu passos no assoalho e virou-se para ver a quem pertenciam. Era Oliver, que carregava no semblante uma expressão não muito boa.

- Oliver! O que aconteceu? Por que essa cara?

Lizzy entrou em pânico ao ver o semblante triste do amigo e quão triste era o seu olhar.

- Elizabeth, eu nem sei como vou te dizer isso. Eu sei quanto este teste é importante pra você. Mas eu não poderei participar do teste.

Lizzy apoiou-se na pilastra ao sentir suas pernas fraquejarem sob seu peso.

“Oliver não poderá dançar? Mas como eu farei o teste?”

Lizzy pensava ainda atordoada com a notícia.

- Mas o que aconteceu com você?



Lizzy perguntou ainda atordoada e a beira de um ataque de nervos, que ela controlava com muito custo.

- Lembra daquele problema com o rim do meu irmão? Agora a operação está inadiável. Ele terá que fazer cirurgia e eu.. vou doar um dos meus rins. A operação será amanhã, e eu não poderei dançar durante um mês.

Lizzy abraçou Oliver. Estava realmente triste, mas era por um bom motivo e além do mais ela poderia tentar uma vaga com a sua coreografia solo.

Lizzy acompanhou Oliver até a entrada e despediu-se. Voltou para dentro da sala e treinou sua coreografia solo como nunca antes havia treinado.


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Isabel chegou a academia e encontrou Lizzy ainda treinando na sala.



- Ei, cadê o Oliver?

Bel perguntou sorrindo para a amiga, que pareceu nem ter notado sua presença na mesma sala que ela. Então sentou no banco e esperou que a coreografia acabasse.

- Vai me dar atenção agora, ou vou ter que pegar senha?

Isabel perguntou ainda bem humorada. Lizzy tentou sorrir, mas apenas abraçou a amiga e murmurou:

- O Oliver não vai poder dançar.

E não deixou que Isabel falasse nada. Reiniciou a música e voltou a dançar.

- A aula já vai começar. Você não vem?

Bel perguntou enquanto saía da sala. Como não houve resposta, fechou a porta e foi para a aula.


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Durante todo o dia Lizzy parou apenas para almoçar e lanchar alguma coisa no final da tarde.

Jane e tantas outras pessoas tentaram fazer Lizzy parar e descansar um pouco, mas sem muito sucesso.

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A noite já havia caído sobre Londres, lançando seu manto negro que era quebrado pelas milhares de luzes que iluminavam a cidade e a luz da Lua, que brilhava cheia sobre todos e iluminava a sala em que Lizzy ainda ensaiava.



Era a milésima vez que ela repetia sua coreografia. Seu corpo já não aguentava mais e implorava por algum descanso. Lizzy escorou-se na parede e deixou-se escorregar até o chão e logo em seguida começando a chorar pela primeira vez naquele dia.

Lizzy não saberia dizer por quanto tempo ficou chorando sentada naquele chão até perceber que alguém se sentara ao seu lado e a abraçava.

Sem se importar quem era o dono de tão reconfortante abraço, Lizzy apoiou sua cabeça no peito do homem sentado ao seu lado e continuou chorando até achar que já não havia mais lágrimas em seus olhos.

- Desculpe-me, mas eu não...

Darcy não deixou que Lizzy continuasse a falar. Pôs a mão delicadamente em seus lábios e voltou a abraçá-la.

- Você treinou o dia inteiro. Precisa descansar. Vamos tirar essas sapatilhas do pé e assaltar a cozinha daqui da academia.

Lizzy concordou silenciosamente e levantou-se amparada por Darcy. Sentou-se no banco e tirou as sapatilhas dos pés. Seus pés doíam muito, e não era por pouco.

Haviam bolhas e feridas por quase todo o pé de Lizzy e só agora ela percebia o quanto elas doíam.

Estava se sentindo tão frágil, desprotegida... e o abraço daquele homem a fez sentir-se tão reconfortada, segura, como se tudo pudesse ficar bem pela simples presença dele no mesmo lugar que ela.

- Acho que precisamos de um banho Maria também.

Darcy falou sorrindo e apontando para os pés de Lizzy.

- Se eles ficarem assim, como você fará os teste?

- Boa pergunta.

Lizzy respondeu com um pequeno sorriso. Levantou-se e acompanhou Darcy até a cozinha, onde ele separou uma bacia e encheu com água quente. Lizzy mergulhou os pés na água e relaxou.

- Agora me diga, por que você está nesse estado de nervos?

Darcy perguntou e Lizzy sorriu fraca.

- Oliver, meu parceiro no teste em dupla, não vai poder dançar semana que vem. Agora só me resta dançar a minha coreografia solo e rezar para que me dêem uma vaga. Vou precisar de um pouco de sorte.



- Eu sinto muito... eu sei o quanto a dança é importante para você. Vi como você ensaiou durante todo esse mês, ensaiava quase que a noite inteira.

Darcy sorriu um pouco encabulado e Lizzy retribuiu o sorriso.

- Então eu não estava ficando louca. Havia realmente alguém me fitando todas as noites. E eu não acredito que você viu todos os ataques de loucura que tive durante os ensaios!

Lizzy falou rindo e Darcy acabou sendo contagiado pela risada dela e riu também. A risada de Darcy pareceu reanimar Lizzy, que se sentia pronta para outra.

- Sim, eu estive aqui durante todas as noites, assistindo todos os seus ataques e surtos de inspiração. Você fica linda inspirada.

Estavam perigosamente perto. Darcy enterrou sua mão nos cabelos soltos de Lizzy e a puxou para perto. Como Lizzy não ofereceu resistência, roçou os lábios nos dela, logo depois colou seus lábios nos dela e sentiu uma correnteza de sensações passarem do corpo dela para o seu. Precisava urgentemente sentir mais do gosto dela. Passou a língua entre os lábios de Lizzy que se abriram deliciosamente para que ele aprofundasse o beijo.


Era o toque mais prazeroso em toda a sua vida. Os lábios de Lizzy eram tão doces, suaves, totalmente ao contraria dos seus. ( N/A: duvido senhor Darcy! Desculpem, não resisti ao impulso.)



Beijaram-se por um tempo, até que o ronco da barriga de Lizzy soasse alto e claro pela cozinha. Lizzy riu e comentou:

- Acho que essa não foi a forma mais romântica de ser traga de volta para a terrível realidade.

Darcy riu e preparou um sanduíche para Lizzy, que ela comeu com duas mordidas.

- Venha, eu te levo para casa.

Lizzy tirou o pé da água em que seus pés estavam banhados e calçou seus chinelos. Darcy passou seu braço por seu ombro e caminharam até seu carro. Seguiram para o apartamento em silencio.

- Eu queria ter um meio de te ajudar...

Darcy falou enquanto Lizzy saía do carro.

- Você poderia tentar dançar comigo!

Lizzy falou divertida, e nem imaginava que Darcy fosse aceitar a proposta.

- Eu danço. Só você me ensinar!

Darcy falou sorrindo.

- É sério?

Lizzy perguntou entre incrédula e divertida.

- Sério. Amanhã a noite?

- Tudo bem. O ritmo é tango. Boa noite.

Lizzy sorriu, virou-se e entrou na portaria. Com certeza sonharia com um belo par de olhos azuis e sua boca....

quarta-feira, outubro 06, 2010

No Caminho da Dança, cap. XII

Na manhã seguinte Lizzy acordou cedo e animada para a aula. Chegou na academia, guardou suas coisas no armário e foi correndo encontrar com Isabel, que já a esperava na sala.

Ficaram conversando por alguns minutos, quando a professora Maila adentrou a sala, sendo seguida por uma nova aluna. Isabel logo a reconheceu como sendo Caroline Bingley.

Caroline estava usando um top branco que deixava toda a sua barriga seca, e para desgosto de Lizzy, definida a mostra.

- É lipoaspiração.

Isabel sussurrou para que só Lizzy ouvisse. Esta teve que abafar o riso com a mão e forçou-se a voltar com um semblante natural e receber a nova aluna.

Caroline também usava uma calça de malha. Ela andou até os bancos com a postura empinada e deixou sua bolsa afastada das demais. Sorriu desdenhosa para as novas companheiras e dirigiu-se para o centro.

Lizzy riu do modo afetado que ela se portava e começou a se alongar com a ajuda de Isabel. Maila logo ligou a música e passou uma seqüência de saltos como exercício.

Formaram uma pequena fila e aos poucos as meninas foram realizando os saltos. Lizzy observou, Caroline via tudo com uma cara de demonstrava todo o seu desgosto, e seus gestos confirmavam que o ultimo lugar que ela desejava estar era ali, mas que por algum bom motivo, ela não tinha escolha.

Chegou a sua vez e Lizzy realizou os saltos com perfeição e recebendo vários elogios da professora. Caroline a olhava de cima abaixo com todo o desprezo que pode reunir. Lizzy apenas sorriu cínica e lhe deu um tchau debochado ao final da aula.

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- Você viu como ela fez o último salto? Parecia uma gazela de perna quebrada...

Isabel ria ao relembrar os últimos saltos de Caroline. Lizzy forçava-se a não falar do modo de como as outras pessoas dançassem, mas concordava interiormente com a amiga. Repreendeu-a entre risos e seguiram para a aula seguinte, onde Caroline já estava com toda a sua pose e afetação.

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A semana passou rápido e logo era segunda-feira, seu primeiro dia de ensaio.
Lizzy acordou cedo e foi para a academia de ônibus, já que Jane ainda dormia e chegaria um pouco mais tarde.

Por coincidência, Oliver e Lizzy chegaram ao mesmo tempo e dirigiram-se para a sala vazia que ela havia reservado. Alongaram-se enquanto ouviam a música. Lizzy a adorou, e logo começou a mostrar a Oliver uns passos que havia imaginado e começaram assim a criar a coreografia.

As horas passaram e eles tiveram que interromper o ensaio. Combinaram de se encontrar novamente no dia seguinte e continuar com a dança.

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As horas pareciam se arrastar para Lizzy. Ela estava extremamente ansiosa para começar sua coreografia solo e não parava de lançar olhares de soslaio para o relógio.

Isabel tentava acalmá-la de todas as formas, mas não obtinha muito sucesso. Lizzy estava uma pilha, e quando ela ficava uma pilha, permanecia uma pilha.

Finalmente o sinal bateu e Lizzy esperou ansiosa que todas esvaziassem a sala. Sala vazia, colocou o cd no aparelho de som e deixou a música rolar enquanto tentava algumas seqüências.

Amanda
http://www.youtube.com/watch?v=reAIwuc0Qeg&feature=related
(Game of love- Michelle Blanch)

Começou contando os oitos da música e fazendo passos simples como piruetas* e battement.

Logo foi incrementando com movimentos de cabeça e braços enquanto adaptava e fazia a contagem.

O tempo passou rápido e Lizzy nem percebeu quando caiu a noite, não sendo incomodada por causa da luz do luar que entrava pelas grandes janelas de vidro da academia. Deixou assim, a lua sempre que era uma boa fonte de inspiração.

Lizzy terminou a noite satisfeita com seu trabalho. Conseguiu criar as seqüências iniciais e imaginar basicamente como seriam as próximas.

Lizzy tirou cuidadosamente o cd do aparelho e guardou na pequena caixinha. Mas parou na metade do caminho ao sentir que a fitavam.

“ Que idéia Lizzy, você está sozinha aqui... só há o porteiro na entrada... você está imaginando coisas...”
Ela poderia jurar que vira um par de olhos azuis a espiando por detrás de uma coluna da sala.

Balançou a cabeça para afastar algumas idéias estranhas que lhe vieram à cabeça e olhou de relance pela sala. Vazia como devia estar. Sorriu internamente e saiu da sala, encostando a porta e indo para a casa.

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Chegou em casa e todas já estavam dormindo. Entrou com passos leves na cozinha, serviu um copo de leite e foi para o quarto dormir e sonhar com um certo par de olhos azuis que insistiam em aparecer em seus sonhos desde aquela noite no baile...

“ E eu nem sei o telefone dele...e conversamos tanto...”

Foi a última coisa que Lizzy pensou antes de finalmente cair no sono e descansar sonhando com aqueles olhos azuis e seu dono.


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Pirouette - Rodopiar ou girar rapidamente. Uma volta completa do corpo sobre um pé em demi-pointe ou pointe, sendo conseguida a força impulsora pela combinação de um plié com movimento de cabeça (spotting).

No Caminho da Dança, cap. XI

Lizzy entregou a sua ficha de inscrições na sala dos professores quando acabou a aula e procurou por Oliver. Ficaram acertados os horários dos ensaios. Seriam pela manhã na sala que Lizzy reservara com a diretora.

E ela ensaiaria a noite, depois que as aulas acabassem. Assim pouco gente veria sua coreografia e não seria interrompida.
Agora só faltava voltar para casa e escolher qual das músicas usaria na sua coreografia solo. Combinara de dançar um tango com Oliver, e tinha certeza que faria o maior sucesso.

Lizzy encontrou Jane no final de sua aula de historia da arte e seguiram juntas para casa. Charlotte e Luciene, como de costume, ainda não haviam chegado em casa, o que deixou o almoço por conta de Jane.

Lizzy tomou logo um banho e dirigiu-se para o computador. Precisava baixar logo as músicas e escolher uma. Achou-as em poucos minutos e gravou tudo em um cd em apenas quinze minutos.

Dirigiu-se para sala e ligou o som. A primeira música era I’m Like a Bird, na Nelly Furtado. Deu play e concentrou-se na musica, tentando bolar mentalmente uma seqüência para a musica.

http://www.youtube.com/watch?v=k12ZybN8vfc

http://www.youtube.com/watch?v=SlhOBR95kl0

Com essa música Lizzy conseguiu montar uma pequena seqüência. Com certeza seria mais fácil do que usar a música anterior... Usaria mais street do que Jazz, que é o que predomina na outra música. Ainda faltava uma para ser ouvida e não tomaria uma decisão sem ouvir todas e avaliar.

http://www.youtube.com/watch?v=reAIwuc0Qeg&feature=related

Era essa. Por mais que a segunda música fosse mais fácil, essa música, a letra, passou uma energia especial para Lizzy. Não importa quanto a música fosse difícil, seja de contar o tempo ou de se criar os passos. Lizzy aprendera, desde que era pequena, que não importa a música, o que importa é o quanto de coração, o quanto de sentimento se passava com a dança.

E com essa música, Lizzy entregaria todas as suas emoções, tinha certeza.

Estava resolvida a música que usaria em sua apresentação solo. Tirou o cd do aparelho de som e guardou cuidadosamente em sua bolsa.

Agora, só faltava Oliver escolher a música que usariam no tango e poderiam começar a treinar... afinal, quanto antes, melhor.

No Caminho da Dança, cap. X

Segunda feira chegou, e Lizzy estava concentrada na série de exercícios que realizava. Márcia andava pela sala com um olhar crítico, enquanto avaliava os movimentos.

- Fundue*, levanta esses braços Lana! Agora arabesque* e plié*, relevé*!
Para terminar, attitude! Tira os braços da barra. Fica! Agora, podem relaxar.
Bom dia meninas.

Lizzy encaminhou-se para os bancos e sentou-se ao lado de Isabel. Começaram uma pequena conversa sobre trivialidades.

- Lizzy, almoça comigo naquele restaurante? Precisamos conversar.

Lizzy não gostou muito do tom malicioso da amiga, mas aceitou o convite. Jane teria uma aula extra e almoçaria mais tarde do que o normal. Era preferível aturar Isabel por uns minutos do que comer sozinha.

- Bom dia meninas, mão vou roubar a Isabel por uns minutinhos.

Thomas puxou Isabel para perto de si e deu um beijo rápido.

- Começa assim: alguns minutinhos, daqui a alguns dias não poderei mais ver a minha amiga, e só a verei novamente no dia do casamento. Ah, e eu quero ser a madrinha.

Lizzy não perdeu a oportunidade de gracejar com a amiga, que apenas lhe deu língua e caminhou com o novo namorado para fora da sala.

Terminou de guardar as sapatilhas na bolsa e seguiu para o vestiário. Isabel já estava lá, vestindo apenas uma saia por cima do collant e uma blusa larguinha.

Lizzy trocou de roupa rapidamente e seguiram juntas pelo restaurante.

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Isabel e Lizzy almoçaram em um pequeno restaurante perto da academia e voltaram para terminar as aulas. Agora teriam aula de Jazz com a professora Lyra, mas ao adentrarem a sala surpreenderam-se ao ver todos os professores reunidos.

Deixaram as bolsas em cima dos bancos e foram sentar-se junto com os outros alunos. Bel sentou-se perto de Thomas e Lizzy sentou ao seu lado. Oliver estava sentado próximo e sorriu. Este era o mesmo rapaz que fizera par com ela na aula em dupla que tiveram.

Maila pediu silencio e Lyra começou a falar.

- A academia irá apresentar um super evento aberto ao público e jurados do mais alto escalão.

Um pequeno burburinho começou e foi logo calado por um olhar reprovador de Márcia. Lyra continuou;

- Vou explicar como será o evento. A apresentação será uma peça que envolverá cada setor de estudos da academia. Os estudantes de literatura selecionados serão encarregados de escrever todo o roteiro da peça. Os estudantes de música de compor a trilha sonora. Os propriamente dito de teatro serão os atores, diretores e assistentes o pessoal de pintura e artes gerais serão responsável pelo cenário. E vocês, da dança, serão responsáveis pela criação das coreografias.

Todos pareciam contente com a notícia. Seria o máximo participar de um evento desses. Avaliadores de grupos de dança estariam presentes e uma vaga garantida em seus grupos seria perfeito.

- Mas, nem todos poderão participar. Faremos testes com os alunos e apenas os que passarem poderão fazer parte do evento. Então recomendo que vocês treinem e se esforcem.

Uma nova onda de burburinhos. Maila pediu silencia e tomou a palavra.

- Os testes serão realizados com quem se escrever com a professora Márcia até semana que vem. Serão realizados dois testes. Um será individual, com a música selecionada por nós. O outro será em dupla e vocês poderão escolher a música. Marcaremos os testes e informaremos a vocês. Agora, já pra aula.

Maila sorriu e saiu acompanhada de Antony e Márcia. Thomas e Bel estavam empolgados e com a peça e com certeza iriam participar. E , é claro, seriam uma dupla.

Lizzy queria muito participar. Seria maravilhoso ter mais esse evento em seu currículo e com certeza ajudaria na busca por uma vaga nas companhias de dança assim que se formasse. Mas ainda havia um problema. Ainda não arranjara uma dupla.

Foi com os pensamentos na peça que Lizzy passou na aula de Lyra.
Estava dirigindo-se para o seu armário quando sentiu alguém segurar em seu braço. Virou-se e se deparou com Oliver.

- Imagino que você vá fazer os testes?

Lizzy sorriu e afirmou.

- Então, você já tem uma dupla?

Isso! Era o que ela precisava. Oliver seria sua dupla. Ele era um bom aluno e dançava admiravelmente bem.

- Não. Estou procurando por uma.

Lizzy respondeu como se não soubesse o que ele queria.

- Então, aceita fazer a dupla comigo?

Lizzy fingiu que pensava um pouco e aceitou com um sorriso. Caminharam juntos decidindo quando seria o primeiro ensaio dos dois e decidiram começar na semana que vem.

Lizzy ficou encarregada de ir até a direção e alugar uma das salas antes que todas estivessem ocupadas.

Não achou problema em reservar as salas. Havia reservado algumas manhãs e alguns dias de noite. Tentaria convencer Oliver a fazer os ensaios de manhã e ensaiaria sua coreografia na parte da noite, e começaria assim que Lyra dissesse os nomes das musicas permitidas.

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Lizzy chegou em casa ainda pensando no que faria em sua coreografia. Lu e Charlotte ainda não haviam chegado e Jane, para não variar, estava trancada no ateliê, mas não demorou para que saísse de lá.

- Lizzy! Falaram sobre o evento que realizarão?

- Falaram sim Jane. E é óbvio que eu participarei.

Lizzy respondeu sorrindo e pegando um copo de água.

- Eu não sei se vou Lizzy. Teria que pintar um cenário como teste. É claro que seria um em miniatura, mas tomaria muito o meu tempo.

- Jane, todos os professores a adoram! Seria ótimo para o seu currículo ter esse evento. E você é a melhor pintora que conheço!

- Fala isso porque é minha irmã. Eu não pinto tão bem assim.

Jane falou um pouco corado. Lizzy revirou os olhos e falou enquanto andava até o quarto.

- E mais um capitulo de Jane e sua modéstia!

Lizzy sentiu uma almofada lhe acertar na cabeça e virou-se a tempo de ver Jane preparando-se para lhe jogar outra, que foi facilmente segurada por Lizzy.

- Quer guerra? Você terá guerra!

Lizzy falou enquanto jogava a bolsa dentro do quarto e voltava correndo para cima da irmã.

Depois de alguns minutos nessa guerrinha todas as almofadas estavam espalhadas pela casa. Jane e Lizzy ouviram o barulho da chave e pararam. Esperaram Charlotte e Luciene entrarem e voltaram a atacar, só que dessa vez nela.

- Ei, virou tradição nessa casa ser recebida por uma guerra de almofada?

Charlotte perguntou enquanto entrava na brincadeira das amigas.

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Lizzy acordou mais cedo mais terça-feira e fez com que Jane levantasse também. Seguiram para a academia, Jane com um mal-humor relacionado por ter que acordar mais cedo e Lizzy com uma cara ansiosa e contorcia os dedos como prova de seu nervosismo.

Lizzy subiu correndo a escadaria até chegar ao andar da dança. Ainda estava vazio. Procurou pela sala dos professores e encontrou a professora Lyra arrumando suas coisas.

- Bom dia srta Bennet. O que faz aqui tão cedo?

- Eu gostaria de me inscrever para a peça e saber as músicas que poderei usar na minha coreografia.

Lyra sorriu e caminhou até uma pasta que estava sob a mesa de centro. Abriu e retirou uma folha. Entregou a Lizzy que sorriu e agradeceu.

- Bem, eu não poderia estar entregando isto tão cedo, mas você é um aluna esforçada e acho que não terá problema. Entregue essa ficha preenchida para Márcia. As músicas estão em anexo. Espero ver um bom trabalho.

Lyra sorriu e retirou-se para o fundo da sala. Lizzy agradeceu e saiu da sala da professora. Suas primeiras aulas seriam de expressão corporal, então tratou de chegar lá antes que o professor.

Sentou-se em um dos bancos e começou a preencher a ficha que a professora lhe entregara.

Nome completo : Elizabeth Bennet
Idade : 20 anos
Nascimento: 14/09/1987
Sexo : Feminino
Matrícula : 14071993
Curso: Dança
Professora Responsável : Márcia Monteiro”


Lizzy terminou de preencher e guardou a folha cuidadosamente na bolsa. Ainda teria que escolher uma entre as músicas escolhidas. Pegou uma outra folha e avaliou as músicas.

•The Game of love – Santana e Michelle Branch
•1,2 step – Ciara
•I’m Like a bird – Nelly Furtado

“ É, pelo visto eles não querem facilitar a nossa vida. E também querem alunos bem versáteis. Que dancem do street ao ballet. Ah, então é isso. As coreografias únicas são para nos testas no sreet dance e jazz e a em dupla o ballet. Criativo.”

Antony chegou na sala e olhou para Lizzy com uma certa cara de desgosto. Lizzy apenas sorriu desafiadora. Teria que ouvir todas as músicas antes de escolher uma.


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Fondu, Fondue - Descida, derretido. Um termo utilizado para descrever a baixa do nível do corpo através da dobradura dos joelhos da perna de base. Saint-Léon escreveu "Fondu é em uma perna enquanto plié é em duas". Em alguns instantes o termo fondu também é utilizado para descrever afinalização de um passo quando a perna que está trabalhando vai ao chão em um movimento suave.

Arabesque - Arabesco. Uma das poses básicas do ballet, que tira o seu nome de uma forma de ornamento mourisco. No ballet, é uma posição do corpo, apoiado numa só perna que pode estar na vertical ou em demi plié, com a outra perna estendida para trás e em ângulo reto com ela, sendo que os braços estão estendidos em várias posições harmoniosas criando a linha mais longa possível da ponta dos dedos da mão à dos pés. Os ombros devem ser mantidos retos em frente à linha de direção. Os arabesques são geralmente empregados para concluir uma fase de passos, tanto nos movimentos lentos do adágio como nos movimentos vivos e alegres do allegro. Clique aqui para visualizar essa posição. http://www.dkimages.com/discover/previews/824/50017195.JPG

Plié - Uma dobra de joelhos ou joelho. Este exercício torna as juntas e os músculos mais flexíveis e maleáveis bem como tendões mais elásticos. Existe o plié, que é uma dobra não muito acentuada dos joelhos, e o grand plié, onde a dobra dos joelhos é bem acentuada, levantando os calcanhares quando já perto d

Plié - Uma dobra de joelhos ou joelho. Este exercício torna as juntas e os músculos mais flexíveis e maleáveis bem como tendões mais elásticos. Existe o plié, que é uma dobra não muito acentuada dos joelhos, e o grand plié, onde a dobra dos joelhos é bem acentuada, levantando os calcanhares quando já perto do chão na 1ª, 3ª e 5ª posição.

Releve - Elevado. Uma elevação do corpo em pontas ou meia pontas, ponta ou mei -ponta. Há duas maneiras de execução para o relevé. Na Escola Francesa, relevé é feito suavemente, uma contínua elevação enquanto Cecchetti e a Escola Russa o usavam como um passo ágil. Relevé deve ser feito em primeira, segunda, quarta e quinta posição, en attitude, en arabesque, devant, derriére, en tournant, passé en avant, passé en arriére e assim por diante.

Attitude - Uma determinada pose do ballet tirada por Carlo Blasis da estátua de Mercúrio por Jean Bologne. É uma posição numa perna só com a outra levantada para trás com o joelho dobrado num ângulo de noventa graus e bem virada para fora para que o joelho fique mais alto do que o pé. O pé de apoio pode ser à terre, sur la pointe ou demi-pointe. O braço do lado da perna levantada é mantido por cima da cabeça numa posição curva enquanto que o outro é estendido para o lado. O attitude também pode ser com a perna levantada para a frente. Veja aqui o attitude devant (à frente) e o attitude derrière (atrás).
http://www.knoxvilleballetschool.com/Attitude%20Croise.JPG
http://www.carminaballet.com/attitude%20front.jpg

domingo, outubro 03, 2010

No Caminho da Dança, cap. IX

Lizzy tateou no ar a procura de algum lugar onde pudesse apoiar-se.
Seus olhos deviam estar lhe pregando uma peça. Ele não poderia estar ali, poderia?

- Bel, quem é aquele? O último, dos olhos azuis?

- Aquele? É o senhor Darcy. Ele é que detém a maior parte dos lucros da academia. Foi ele quem deu a maior parte dos incentivos para a sua construção.

Lizzy começou a analisar aquele rosto. Ele estava taciturno, empinado e extremamente sexy... mas não parecia o mesmo homem que a pegou em flagrante escondida sob o banco.

Aquele homem sorria, o sorriso mais devastador que já vira. E a sua risada era tão sonora... mas o olhar continuava o mesmo. Profundo, infinito e brilhante.

Trajava um fino smoking, provavelmente de uma das lojas mais caras da cidade. O que não o desfavorecia. Com o corte perfeito e quase feito sob medida, acentuava os belos e definidos ombros largos e atléticos.

Seu ar altivo lhe dava uma áurea de divindade impenetrável. Seus olhos continuavam tão vividos e profundos quanto da ultima vez. O cabelo, um pouco rebelde, parecia esforçar-se para sair do lugar, o que lhe dava um ar jovial e uma incrível vontade de passar as mãos pelos sedosos fios de cabelo e tentar pô-los na linha.

Seus olhares se encontraram quando ele passou em sua frente, e Lizzy parecia capaz de jurar que deslumbrara um pequeno sorriso aparecer no canto daqueles perfeitos lábios.

Os convidados foram acomodados na mesa reservada para eles e a música recomeçou a tocar. Alguns pares se formaram para dançar a falsa suave ao som dos violinos e outros alguns invadiram as galerias, admirando as lindas obras de artes.

Isabel logo foi requisitada para dançar com Thomas, e levada da mesa. Charlotte estava em algum canto do salão, provavelmente flertando com algum rapaz suficientemente charmoso.

Lizzy resolveu ir procurar por Jane, e a encontrou novamente admirando o quadro que pintara.

- Minha querida irmã, este é o quadro tão misterioso que não podíamos ver?

Lizzy perguntou enquanto postava-se ao lado de Jane, que apenas sorriu e balançou a cabeça em sinal negativo.

- O que eu estou pintando ainda não está acabado.

Sorriu misteriosa e antes que Lizzy pudesse responder alguma coisa á sutil provocação de Jane, um senhor de estatura baixa as interrompeu com um sorriso.

- Senhoritas Bennet, gostaria muito de apresentar-lhes os donos da nossa tão amada academia.

Era o senhor William Lucas. Ele era um senhor gentil, de aparência amável e sempre adorara as meninas Bennet, desde a primeira vez que fizeram os testes para as bolsas.

Lizzy já estava formulando um modo de recusar educadamente, mas Jane concordou deixando-a sem opção. O senhor guiou-as pela galeria até alcançarem o grande salão, onde o pequeno grupo que adentrara o salão conversava com uma pouca animação.

“ Por que o chão não abre e simplesmente me engole? Ah, Jane vai me pagar...
Não, ela não fez por mal... será que ele vai lembrar da minha cara?”

Sr Lucas os interrompeu educadamente e iniciou as apresentações.

- Senhores, quero lhe apresentar duas ótimas alunas de nossa querida academia. Esta é Jane Bennet e sua irmã, Elizabeth Bennet.

Fizeram um pequeno aceno de cabeça em cumprimento. O homem dos cabelos de fogo sorria de modo bobo, e retribuiu o aceno com alegria. Sua irmã limitou-se a lhes lançar um sorriso falso e o outro senhor nada fez.

- Estes são Charles Bingley, sua irmã, Caroline Bingley e, não menos importante, William Darcy.

As irmãs o cumprimentaram, e Bingley, parecendo ansioso por iniciar uma conversação, puxou conversa, e ficaram assim durante alguns minutos.

Caroline nada falava, e parecia não dar a mínima atenção ao que falavam. Charles debatia animadamente e Darcy incrementava-o com ótimos comentário e observações, as quais Caroline sempre concordava.

Uma nova musica de valsa estava se iniciando, e Charles convidou muito timidamente Jane para dançar, que aceitou o convite. Os dois seguiram e prepararam-se para iniciar a dança, Charles segurando-a muito respeitosamente pela cintura e Jane com a mão apoiada em seu ombro.

Sr Lucas lançou alguns olhares inquisitivos para Lizzy e Darcy e sorrindo gentilmente, comentou:

- A senhorita Elizabeth é uma ótima aluna de dança. Tenho certeza que seria maravilhoso dançar com ela.

Lizzy corou com a referencia a sua graciosidade. Ou seria uma indireta para que Darcy a convidasse para dançar?

Depois de algum tempo que lhe pareceu uma eternidade, Darcy pareceu chegar á uma resolução e convidou, muito timidamente, Elizabeth para uma dança.

Caroline pareceu não acreditou no que ouvia, e foi o que todo salão pareceu achar assim que Lizzy aceitou a mão que Darcy lhe estendia e os dois seguiram para o meio do salão.

Ele segurou-a gentilmente pela cintura , puxando-a um pouco mais para perto. Lizzy estremeceu ao contado e agradeceu ao sentir o perfume de Darcy por estar levemente apoiada nele. Suas pernas fraquejaram e não a manteria de pé por muito tempo.

Os primeiros acordes soaram e ela deixou-se guiar por Darcy. Dançaram por poucos minutos que para eles pareceu uma eternidade. Valsavam graciosamente, deixando-se perder nos olhares cúmplices que trocavam. Os dois pareciam ter voltado àquela noite na academia.

Ele sorriu discretamente enquanto a puxava inconscientemente para mais perto de seu corpo e Lizzy pareceu esquecer onde estava e com quem estava.

Todo o salão os admirava e pareciam compartilhar o sentimento de que formavam um par perfeito um nos braços do outro.

A música cessou tão logo havia iniciado. Darcy continuou inconscientemente com a mão segura na cintura de Lizzy, que lhe sorria, parecendo desejar que não acabasse.

Mas esse momento de apreciação das figuras paradas com os corpos quase colados foi interrompido por uma Caroline extremamente enciumada.

- Hem-hem.

Ela pigarreou de uma forma que pareceu a Lizzy anormalmente irritante e foi forçada a separar-se de Darcy naquele momento. Caroline jogou-se em seus braços e praticamente o intimou a dançar a próxima valsa como ela.

Lizzy apenas encontrou o olhar de Darcy, sorriu e saiu andando lentamente em direção ao pequeno jardim, enquanto sentia o olhar de Darcy fixo em suas costas.

Darcy foi forçado a dançar a valsa com Caroline, e o salão pareceu perder todo o encanto que momentos atrás o deixava perfeito.

Tentava sorrir para seu indesejável par e ser o mais cortes possível.

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Lizzy saiu para o ar quente da noite e sentou-se em um banco perto de uma roseira. Inalou o doce perfume e sorriu.

Nunca havia se sentido tão segura nos braços de alguém quanto se sentiu nos braços daquele misterioso homem.

“Pelo menos descobri seu nome! William Darcy...”

- Eu sabia que te encontraria aqui!

- Isabel? Não devia estar dançando nos braços do Thomas?

- Não fuja de mim. Não deveria estar dançando nos braços de um certo homem de olhos azuis?

Lizzy corou e desviou o olhar da amiga.

- Você não perde a chance de me alfinetar. – Lizzy murmurou.

- Ah, deixa de ser boba. Todo o salão parou para olhar enquanto vocês dançavam. Formavam um casal tão bonito.

Isabel olhou discretamente para a porta e sorriu. Levantou-se alegando que Thomas a esperava e saiu tão sorrateira quanto chegou. Elizabeth mal teve tempo de lhe responder avistou Darcy entrando pelas grandes portas do jardim.

Sentiu suas faces tornarem-se rubras e tentou agir o mais naturalmente possível.

“ O que está acontecendo com você Elizabeth Bennet? ”

Darcy sentou-se ao seu lado e apresentou-se mais intimamente. Lizzy logo sentiu seu nervosismo dispersar-se conforme conversava e ficou mais á vontade.

Conversaram sobre pequenos assuntos e ficaram impressionados com os gostos em comuns que possuíam. Impressionaram-se mais ainda com quantas coisas que possuíam de diferentes.

Depois de trinta minutos concordaram que seria melhor voltarem para o salão ou sentiriam a falta dos dois, se é que já não haviam percebido suas prolongadas ausências.

Logo que voltaram a claridade do salão, Darcy foi chamado por um grupo de senhores. Pediu desculpas por ter que se afastar com apenas um olhar e seguiu acompanhando um senhor baixinho e atarracado.

Lizzy voltou para a mesa que ocupava e sentou-se, procurando Jane com o olhar e logo a encontrou dançando sorridente com o rapaz de cabelos de fogo.

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Lizzy não se encontrou com Darcy em nenhum outro momento no baile. Quando arriscava lançar um olhar a sua procura, via-o sempre acompanhado de um grupo pequeno de senhores ou senhoras e claro, Caroline.

Jane não se separou sequer um minuto de Charles e voltou para a mesa bem no final da festa. Charlotte apareceu alguns minutos depois, sorrindo de orelha a orelha e com os cabelos um pouco bagunçado.

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Voltaram para casa e Lizzy caminhou sonolenta até seu quarto. Despiu-se lentamente e tomou uma chuverada. Lavou o rosto tentando remover a maquiagem, vestiu a camisola que encontrou sobre a cama e adormeceu quase instantaneamente.

Sonhou com um belo par de olhos azuis e acordou na manhã seguinte com um sorriso que não disfarçava sua extrema felicidade.