terça-feira, fevereiro 22, 2011

Capítulo XXIV


Capítulo XXIV
Combinara de o encontrar na sala no andar de baixo, para evitarem alvoroços e ensaiarem em paz. Lizzy já sentia-se nervosa por si só, e não precisava de mais olhares curioso para cima de si.

Correu para o vestiário e trocou de roupa, ponde um vestido vinho, especialmente feito por Charlotte para o tango. O vestido era justo até o quadril, demarcando delicada e sensualmente as curvas do corpo de Lizzy.
Nas costas, um corte em forma de gota.

Na frente, a parte mais alta que alcançava o pescoço em um tipo de frente única, era toda bordada com pedrinhas miúdas e discretas, mas que davam ao vestido todo um discreto brilha especial.

A saia do vestido era folgada, cortada em gomos largos com cortes maiores estrategicamente feitos nas laterais, aonde precisaria de mais mobilidade nas pernas.

Lizzy desceu um lance da escadaria de mármore e chegou ao andar que estava praticamente vazio. Parecia que toda a academia havia evacuado para a área de dança.

Satisfeita por essa momentânea paz, Lizzy entrou em uma das salas e deixou suas coisas jogadas ao lado da porta.

Enquanto Darcy ainda não chegava, encostou-se na barra e prendeu o cabelo em um coque elegante. Colocava os últimos grampos com flores de cristais na ponta quando ouviu a porta se abrindo.

Pelo espelho, ela viu que Darcy havia entrado na sala e encostava a porta delicadamente atrás de si. Vinha vestido com uma blusa social branca, totalmente abotoada, uma calça social preta e os sapatos de dança que Lizzy havia indicado.

Ela sorriu e encostou-se na barra, analisando-o de cima a baixo enquanto esperava que ele se aproximasse.

- As flores que me mandou hoje de manhã são lindas. – ela falou corando levemente e olhando para o chão.

Darcy se aproximou mais de Lizzy e levantou seu queixo com as pontas de seus dedos, acariciando-lhe levemente a pele.

- Você é linda. – Darcy respondeu beijando-lhe delicadamente os lábios.

Lizzy fechou os olhos e deixou-se sentir o toque dos lábios macios de Darcy de encontro ao seu, antes de colocar suas mãos delicadamente no peito de Darcy e empurrá-lo delicadamente.

-Vamos esperar até que a exaltação dos testes tenha passado. – ela pediu com um aperto no coração.

Queria poder agarrá-lo já, naquele momento, sem se importar com o que pensariam ou o que falariam dela. Mas não podia, o mundo era cruel e as pessoas incapazes de enxergar o amor, ainda mais nas condições em que os amantes estejam seja de vantagens para uma das partes.

- Por você eu esperaria milênios, se necessário. – Darcy respondeu roubando-lhe um último beijo. – Tenho um presente para você.

Ele falou afastando-se lentamente e virando de costas para Lizzy, que mordeu o lábio inferior fazendo uma espécie de biquinho e aproximou-se dele.

- Você vai me deixar curiosa assim? – ela perguntou manhosa pondo-se em frente a ele.

- Não. Foi um sacrifício passar por toda aquele gente lá em cima sem amassá-la. – ele falou rindo.

Lizzy pôs as mãos na cintura de uma maneira ameaçadora e arqueou uma das sobrancelhas.

- Então era você que as meninas assanhadas ali em cima estavam tentando passar a mão... – Lizzy concluiu com uma expressão nada amigável.

- O que eu posso fazer? Elas não sabem que eu tenho uma namorada. – ele respondeu implicante.

- E nem vão descobrir tão cedo. – Lizzy resmungou já aborrecida. Nunca pensara que fosse tão ciumenta, mas ela era a namorada de Darcy agora, e não ia permitir que ficassem olhando para ele como se fosse um pedaço de carne.

Não enquanto ele fosse o seu Darcy, e que ficasse bem claro.

-Não fique com esse bico tentador...- ele falou mexendo no bolso de sua
calça e retirando uma flor, uma rosa branca de pétalas delicadas que exalava um doce aroma.

Darcy aproximou-se de Lizzy e retirou de suas mãos um dos grampos que ela ainda segurava esquecido entre os dedos. Arrumou a flor de uma maneira bonita no coque de Lizzy e a fixou com o pequeno grampo.

- Minha irmã a colheu hoje de manhã, junto com as flores do nosso jardim. Eu a vi sobre a mesa e me lembrei de você. – ele falou sorrindo.

Lizzy sentiu que ia desmoronar, então obrigou-se a respirar fundo e desviar suas atenções da boca sedutora que estava a poucos milímetros da sua.

Ligou a música rapidamente, dando um banho de água fria em sua vontade de ficar ali encarando aquele homem na sua frente. Aproximou-se dele por trás e espalmou as mãos em seu peito, apoiando o queixo em seu ombro.

Sentiu o perfume de Darcy e controlou-se ao ouvir os acordes da música. Ensaiaram encarando um ao outro de uma maneira profunda, realizando giros, ganchos, piruetas sem cortar o contato visual por que alguns segundos.

Parecia uma necessidade física, de que os olhares sempre se encontrassem, de que soubessem de que sempre estariam ali quando precisassem um do outro.

A coreografia terminou e parecia impregnada no sangue de cada um. Cada passo fora perfeito, sem a menor hesitação, como se os corpos dançassem juntos desde que nasceram, e que se procuravam mutuamente.

- Bravo! – Isabel e Thomas gritaram parados à porta e batendo palmas.

Lizzy e Darcy separaram-se um pouco envergonhados e Lizzy sorriu para a amiga que a olhava com um olhar malicioso.

- Bem, já que a segurança chegou, acho que vocês podem subir para fazer os testes de vocês. – Isabel falou abrindo a porta. Lizzy arregalou os olhos.

- Já está na hora? – perguntou desligando a música e pegando as coisas de cima do banco.

- Faltam cinco minutos. Mas acho melhor vocês irem subindo. – Thomas falou consultando o pequeno relógio de parede da sala.

- É, tem razão. – Lizzy concordou. – Vamos, Darcy?

-Vamos. – ele assentiu e saíram da sala com as mãos discretamente dadas, coisa que não passou despercebida ao olhar atento de Isabel.

Chegaram aos andar da dança e encontraram o corredor estranhamente vazio. Havia apenas alguns alunos parados a frente da sala com paredes de vidro e nada mais.

- Está na hora do teste de Caroline, na sala do outro lado do corredor. – Bel respondeu ao ver a visível cara de surpresa da amiga.

- Ela está com esse ibope todo? – Lizzy perguntou com uma careta.

- Suspeito que não, querem mais ver é o mico que ela vai pagar. – Bel sussurrou de volta.

- Lizzy, ainda bem que cheguei a tempo! – Jane falou subindo as escadas e encontrando o grupo no meio do corredor. Ela estava toda suja de tinta e com algumas manchinhas azuis pelo rosto. Charles a seguia de perto carregando seu estojo de tintas.

- O que aconteceu com você? – Lizzy perguntou passando o dedo pelo rosto da irmã e limpando o excesso de tinta. – Ah, olá, Charles!

- Alunos novos. – ela respondeu sorrindo simplesmente.

- Boa sorte, Lizzy! – ele desejou com uma aceno e apertou a mão de Darcy. – Boa sorte, cara. Eu nunca imaginei que o veria dançar com tanta desenvoltura...- Charles alfinetou.

- E nem verá! – Darcy respondeu ficando sisudo.

– Que horas é o seu teste em dupla? – Jane perguntou tentando desviar a implicância dos dois homens ao seu lado e consultando o relógio de pulso.

- Elizabeth Bennet! – ouviram a professora Maila chamar ao final do corredor.

- Isso responde a sua pergunta? – Darcy retrucou divertido. – Vamos?

Lizzy fez que sim e deixou-se ser guiada por Darcy. Entraram na sala que estava vazia.

- Daqui a pouco os outros juízes estão voltando. A srta Bingley dei um ataque porque havia muita gente olhando e transferimos seu teste para a outra sala. – Maila explicou revirando os olhos. – Onde está o cd com a música?

Lizzy entregou o cd para a professora que o colocou no som.

- Podem ensaiar, se quiserem. Pelo menos até chegarem. – anunciou sentando-se em sua mesa e pegando alguns documentos.

Nem dera tempo dos primeiro acordes soarem a os outros professores chegaram trazendo com eles um bando de curiosos que se postaram em volta da sala, olhando através do vidro.

- Não querem mudar de sala também? – Antony perguntou ríspido olhando para as pessoas que se aglomeravam.

Lizzy pensou em dizer que sim, mas acabou por conformar-se com a platéia e fez que não com a cabeça. Darcy permanecia de costas para a platéia que se formava, Lizzy não saberia dizer se era de nervoso ou precaução para o já esperado falatório.

- Ótimo. – Márcia falou com um sorriso e sentou-se em sua mesa. – Prontos? – perguntou fitando a dupla.

Lizzy aproximou-se de Darcy e o abraçou.

- Esqueça quem está lá fora, imagine que somos só nós dois dançando nos ensaios. Imagine a sala vazia e confie em si! – Lizzy sussurrou ao pé do ouvido de Darcy e abraçou-o por trás, colocando-se na posição em que começariam.

http://www.youtube.com/watch?v=6nnd2Ixuzco&feature=related

Os primeiros acordes já de violinos típicos do tango soaram pela sala. Uma jogada de perna de Lizzy e os rostos colados em uma provocação mútua, uma sedução silenciosa.

Darcy espalmou as mãos nas costas de Lizzy e apertou contra a si, a guiando em passos confiantes. A conduzia com maestria, deixando-a partir para depois puxá-la de encontro ao seu corpo, colando o seu ao dela, como se a simples idéia de vê-la longe o deixasse gelado com falta do calor daquele corpo junto ao seu.

Mais uma perna alta, mais um giro. Aquela troca de olhares intensas como se o mundo já não importasse mais e só existisse o agora, aquela troca de calor entre os dois, os olhares verdadeiramente apaixonados.

Quem estava no corredor assistia a tudo estaticamente. Muitos ainda tentavam convencer-se de que aquele dançando tango não era o Sr Darcy, o poderoso e durão dono da Academia, mas sim um clone, uma pessoa idêntica.

Algumas mulheres olhavam em transe, com os olhos fixos no movimento másculo de Darcy. Podiam sentir como se fossem elas as tocadas. Podiam sentir o desejo que aquela dançava estava transmitindo. Imaginavam sentir até o perfume que aquele cabelo emanava.

Outras tantas roíam-se de inveja, desejando com toda a força do mundo que elas estivessem ali e sentiam suas línguas coçarem e uma vontade de falar que a simples bailarina seduzira o poderoso dono subindo a garganta.

- Vamos embora daqui. – Caroline falou irritada e puxando as amigas para longe da exibição.

Lizzy pôde vislumbrar o momento exato em que a face de Caroline contorcia-se em fúria e ia embora, logo depois sendo puxada para uma cadeirinha ((N/a:passo onde a bailarina senta na perna do condutor) .

Um passo complicado, entrelaçado pernas em meio a um giro. Lizzy sentia seus músculos desmancharem ao menor toque de Darcy, e o olhava de maneira apaixonada.

Darcy, por sua vez, sentia aquele perfume inebriante enlouquecê-lo. Uma simples fragrância feminina nunca mexera com ele assim em sua vida.

Estavam muito próximos. Já podiam sentir os lábios se tocando,mas não era essa a intenção. Lizzy desceu com a perna de trás esticada até formar um ângulo bonito com seu corpo próximo ao de Darcy.

Uma abertura de pernas, uma levantada magnífica, um gancho. A música ia acelerando-se em um tom agoniante. Um salto, mais uma volta e finalmente... o mais doce fim. Os rostos separados, os olhares sem se cruzarem, mas a certeza de que haviam dançado o melhor tango que aquela academia já vira em anos.

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