sábado, outubro 02, 2010

No Caminho da Dança, cap. VIII

Lizzy estava sentada no banco traseiro do carro de Charlotte e mal percebeu quando um manobrista abriu a porta para que ela saísse. Era uma noite quente e o céu parecia especialmente estrelado para a ocasião. Apenas uma pequena brisa soprava fraca e constante.

Subiram a pequena escadaria de mármore e adentraram o grande saguão de entrada da Galeria. Estava perfeitamente decorado e ambientado. Era uma mistura de elegância e sofisticação perfeita.

Lizzy sorriu nervosa e entrou pela grande porta de madeira. Todos em volta pareceram parar e admirar tão esplendorosa visão. O ar pareceu sumir, todos os olhares se voltaram para Lizzy.

Os homens a desejaram e as mulheres sentiram inveja de tão bela mulher.

Lizzy estava usando uma genuína criação de Charlotte. O vestido era vinho possuía apenas uma fina alça retorcida no ombro direito. Descia colado ao corpo até a altura dos joelhos e depois ia alargando , apenas um pouco, para dar mobilidade. Um rasgo, nos dois lados do vestido, permitia que movimenta-se melhor.

O tecido parecia estar passando um por cima do outro, o que acentuava as curvas definidas de Lizzy. Os cabelos, negros e volumosos, estavam presos no alto da cabeça, com algumas mechas dando um ar mais jovial.
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(imaginem ele sem essa cauda de sereia. O vestido é de Vera Wang)

A maquiagem estava leve, mas marcante. Usava um batom de uma cor indefinida que a deixava mais misteriosa, e atraia olhares, todos procurando descobrir que cor seria aquela, que pintava tão delicados lábios. O lápis acentuava os lindos olhos negros de Lizzy.

Charlotte a guiou até uma mesa, onde apoiaram as bolsas e começaram a procurar Jane pelo primeiro pavilhão, onde ela indicara que seu quadro estaria.

Quando chegaram lá, Jane estava sendo cumprimentada por alguns senhores, que pareciam ser admiradores profundos de arte.

Era Jane, sorrindo encantadora. Estava radiante e explicou que aqueles senhores com quem conversava eram peritos em artes e que adoraram seu trabalho.

Admiraram mais um pouco o quadro e voltaram para o grande salão, onde uma pequena orquestra tocava uma valsa.

Isabel não demorou a chegar, deslumbrante em seu vestido preto e sofisticado. Thomas a acompanhava com o olhar de longe, e parecia orgulhoso de estar acompanhado por uma mulher tão linda quanto Isabel.

- Lizzy, você está demais! Onde que você arranjou esse vestido, tão lindo, provocante, sexy...

- Charlotte o desenhou para mim.

Charlotte sorriu e começou a contar o quanto tiveram que convencer Lizzy a usá-lo. Bel ria enquanto Charlotte narrava a primeira prova e Lizzy apenas sorria educadamente.
Enquanto isso, uns cinco jovens da academia já haviam convidado Jane para dançar algumas milhares de vezes, e ela recusou educadamente em todas.

- Minha querida Jane, se todos os rapazes deste lugar não terminar a noite apaixonados por sua estonteante beleza, eu estou por fora dos conceitos de beleza atuais!

Jane riu envergonhada com o comentário da irmã, e já ia lhe dar uma resposta quando o pequeno burburinho que reinava no lugar cessou e todos os olhares se dirigiram para a grande porta de carvalho, que se abria e revelava um trio peculiar.

Todos uniram as cabeças, procurando uma brecha por onde pudessem admirar a passagem dos donos da incrível academia.

Depois de alguns movimentos sutis e uns “com licença” Lizzy conseguiu se acomodar em um brecha, tendo Isabel em um lado e Jane do outro.

- Quem são os pavões?

Lizzy perguntou para Isabel quanto olhava para cada um deles. Primeiro seu olhar se dirigiu para uma mulher jovem e cabelos tão vermelhos quantos seus cabelos. Sorria de uma maneira afetada, que lhe dava uma vontade quase irreprimível de rir.

Ela usava um vestido de um vermelho extremamente forte. Era um tomara que caia, extremamente bonito em si só, mas que no liso corpo da mulher lhe dava um ar patético.

Ele era de cetim e uma pequena renda preta o enfeitava. Deixava a mostra uma grande parte das finas pernas da mulher.

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( o vestido de Caroline... eu sei que ele é lindo, mas imaginem uma vara pau ambulante dentro disso e se achando sexy? Não dá né?)

No rosto, usava uma maquiagem extremamente forte, quase vulgar. Um batom vermelho sangue, lápis extremamente forte.

Um colar que parecia de diamantes repousava em seu colo. Grandes anéis e pulseiras davam o toque final.

- Lizzy, essa é Caroline Bingley, irmã de um dos donos, Charles Bingley. É aqueles que está de fraque e blusa azul por baixo...

- Bonito...

Jane deixou escapar enquanto observava o belo homem, que sorria simpático com todos.

- Eu ouvi isso, Jane Bennet.

Jane corou. Lizzy moveu-se tentando ver quem era o terceiro componente de tão espantoso trio.

“ Bem , se essa gentil senhora sair da frente, talvez eu veja!”

Foi quando a senhora saiu da frente e Lizzy encontrou dois encantadores olhos azuis, que pareciam ter lhe roubado toda a luz das estrelas e o ar.

No Caminho da Dança, cap. VII

Lizzy chegou em casa e não encontrou Jane.

“ Deve estar trancada naquele ateliê infernal!

Lizzy pensou enquanto tirava a bolsa e jogava em cima da cama. Charlotte e Luciene ainda não haviam chegado em casa. Deixou-se cair na cama e fechou os olhos. Teria que arranjar um vestido de baile. Pensou em voltar àquela loja do centro que vira quando fora fazer compras com Charlotte.

- É! É isso que vou fazer.




Falou para si enquanto entrava no banheiro e começava a despir-se para tomar um banho.

Saindo do banho, Lizzy vestiu uma roupa confortável e foi para sala. Deitou no sofá e começou a folhear uma revista que encontrara por perto.

Charlotte já devia estar chegando. Pediria ajuda á ela.

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Luciene e Charlotte chegaram e já era quase noite. Lizzy estava adormecida, com a revista que estava lendo caindo de suas mãos. Luciene apenas sorriu e seguiu para o seu quarto. Estava cansada e queria dormir um pouco.

Jane estava na cozinha, preparando alguma coisa para o jantar. Charlotte sentou-se na beira do sofá e tentou acordar a amiga.

- Bela adormecida... acorde, seu príncipe chegou!

Lizzy balbuciou algo que Charlotte não entendeu e abriu um dos olhos.

- Que horas são?

- Hora de jantar, sua dorminhoca!

Lizzy sentou-se enquanto esfregava os olhos e deu um longo bocejo.

- Char, preciso de sua ajuda. Tenho que arrumar um vestido de baile para sábado.

- Você vai? Normalmente fica em casa!

- Eu sei, só que perdi uma aposta e tenho que ir.

- Quem foi a anjo que te venceu em uma aposta? Quero conhecê-la!

- Já conhece. Isabel. Apostei que ela não teria coragem de falar com Thomas até o dia do baile, só que ela comprou coragem em tablete na farmácia e falou com ele!

Charlotte começou a rir. Lizzy fez uma careta e levantou do sofá.

- Calma, não precisa ficar tão estressada! Eu tenho o vestido perfeito para você!

Lizzy sentou-se novamente e sorriu.

- Eu sabia que poderia contar com você.

- Eu desenhei um vestido lindo, só que estava sem uma modelo... acho que ele ficaria perfeito em você!

Lizzy pensou um pouco. Os modelos de Charlotte eram lindos, realmente, mas não se via dentro de um. Eram muito ousados e extremamente sexy.

- Eu não sei Char...

- Você vai usá-lo sim!

Falou Jane enquanto saia de dentro da cozinha enquanto carregava uma grande travessa de empadão. Lizzy estava contrariada, mas pelo visto não havia outra escolha...

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Char ficou eufórica. Finalmente arranjara uma modelo adequada para seu vestido. Lizzy era perfeita! Possuía uma pele suave e clara, ombros perfeitamente proporcionais aos quadris. Uma cintura definida e pernas bonitas e fortes por causa do Ballet. Tudo era harmonioso.

Pôs-se logo a trabalhar. Já possuía os tecidos necessários, só faltava costurar tudo com harmonia e deixá-lo pronto. Convocara todos os seus amigos da nova filial para ajudá-la.

Lizzy estava surpresa. Nunca vira Charlotte tão animada com alguma coisa, desde a primeira vez que arranjara um par para o baile da escola....

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Os dias se passavam extremamente rápido na opinião de Lizzy. Fazia provas todos os dias para o vestido e ficava cada vez mais nervosa.

Tinha que admitir que estava lindo. O mais belo vestido que já vira. Mas não sentia-se segura para usá-lo.

Jane continuava passando o seu tempo livre dentro de seu ateliê improvisado, pintando o tal quadro a óleo para o baile. Estava extremamente feliz com o resultado, mas não deixava que ninguém visse.

- Jane nunca foi de fazer segredos. O que seria tão secreto a ponto de não deixar que vejamos o trabalho?

Luciene perguntou a Lizzy enquanto botavam a mesa para o jantar.

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Era sexta-feira. O baile seria na noite seguinte e Isabel já ligara para Lizzy umas quinze vezes, com a desculpa de lembrá-la de seu compromisso.

- Não se preocupe, as meninas do apartamento já fazem questão de me lembrar que devo ir. Estão mais eufóricas que você. Acho até que já lhe tornaram uma santa e fizeram um altar em sua homenagem.

Lizzy falou na décima quinta vez que Bel ligou para lembrar-lhe.

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Manhã de sábado. Jane, pela primeira vez em muito tempo, deixara Lizzy dormir até mais tarde.

Era quase meio-dia quando Lizzy acordou. Foi para sala, onde encontrou seu vestido em uma manequim. Charlotte dava os últimos retoques e Luciene a ajudava com as camadas de tecido.

Jane estava preparando um almoço leve, para que a noite se passasse bem.

- Vocês estão fazendo tanto alarde por causa de um baile idiota! Só vou porque perdi essa aposta com a Isabel. E mesmo assim não pretendo ficar por muito tempo! Vai ser tão chato! Velhos chatos e desinteressantes!

- Minha querida Lizzy, não é muito alarde. Pela primeira vez, desde o baile de formatura na escola, você vai para um baile. É realmente o acontecimento do ano. E quero te ver deslumbrante!

- Você sabe que tenho bons motivos para não gostar de bailes.

Lizzy murmurou enquanto tomava um copo d’água. O último baile fora um desastre. Lizzy acidentalmente esbarra em uma caloura um pouco estressada e acabou derramando seu ponche sobre ela. A menina fizera o maior escândalo, o que deixou Lizzy mortificada. Todas as meninas riram dela e nenhum menino nunca mais a convidou para sair.

- Isso foi há alguns anos atrás! Você tem que superar! Agora venha fazer a ultima prova de seu vestido!

- Deus, se vocês já fizeram isso por causa de um baile, imagine o que farão se um dia eu me casar?

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Já era noite. Lizzy, quase que a força, passou a tarde trancada no quarto junto com suas três companheiras.

Logo depois do almoço, Jane abordara Lizzy e a levara pro quarto. Lizzy não sabia explicar como, mas se via debaixo do chuveiro, com Jane lhe esfregando de cima a baixo.

Lavara seus cabelos milhões de vezes, até ficar perfumado. Fizera com que Lizzy se sentasse no banco do banheiro e penteou os cabelos até que ficassem desembaraçados.

Poucos minutos depois, Luciene entrou no quarto, munida de infinitos cremes e sais. Fizeram uma massagem relaxante em Lizzy, não tiveram que discutir muito sobre isso.

- É meu aniversário e esqueci por acaso? Tô me sentindo uma rainha.

Depois disso, Charlotte apareceu carregando um roupão macio e fez com que Lizzy o vestisse.

Jane fez suas unhas e passou uns cremes nas mãos, para que ficassem macias.

Depois de um breve lanche, Charlotte começou a demonstrar seus dotes de cabeleleira. Secou o cabelo de Lizzy enquanto modelava os pequenos cachos que formavam nas pontas. Passou um pouco de silicone para que ficasse brilhante e os prendeu no alto da cabeça, com um coque solto e cachos adornando o contorno do rosto.

Na hora da maquiagem, Jane adentrou o quarto, já pronta, e lindo como sempre.

Trajava um vestido de alça fina preto e longo. Era de seda pura, com um pequeno corte lateral, e umas tiras largas de cetim descendo até a altura dos quadris. Era sofisticado e elegante, e a deixava mais bonita do que nunca.

Os cabelos soltos desciam pelos ombros e a maquiagem era leve, favorecendo seus brilhantes olhos azuis.

- Tenho que ir. Prometi chegar mais cedo para ajudar a instalar o quadro na galeria. E não Lizzy, você só vai ver quando chegar lá!

Jane falou ao ver que a irmã estava prestes a pedir para vê-lo. Sorriu e despediu-se das amigas.

Luciene continuou então a produção de Lizzy. Fez a maquiagem e ajudou-a a vestir o vestido. Pronto. Lizzy estava perfeita. Ninguém se igualava em beleza naquele momento, nem mesmo Jane.

No Caminho da Dança, cap. VI

A manhã de sábado era especialmente preguiçosa para Lizzy. Não havia aulas e ela poderia ficar deitada na cama preguiçosamente até Jane resolver acordá-la com algum discurso de que deveria sair um pouco e tomar sol.
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O final de semana se passou calmo e divertido para as moradoras do pequeno apartamento. Às tardes, Lizzy ajudou Charlotte a desenhar alguns modelos de roupa para a loja. Divertiram-se escolhendo cores e estampas.

Jane passou todo o final de semana trancada em seu ateliê, fazendo sabe-se lá o que. Invariavelmente ela sai de dentro do pequeno quarto de empregada que usava toda suja de tinta, mas radiante. Não permitia que ninguém visse seu trabalho e trancava a porta todas as vezes que saia de lá.

Obvio que todo esse mistério em relação ao trabalho chamou a atenção de Lizzy, que tentou sondá-la de todas as maneiras, sem sucesso. Então, consolou-se com o fato de que mais cedo ou mais tarde acabaria descobrindo.


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http://www.youtube.com/watch?v=ENSaMIyoxts
( novamente, a música)

O músculo da perna de Lizzy já doía pelas intermináveis repetições de relevé*. Mas era necessário, e entendia isso. Seu músculo precisava estar suficientemente forte para agüentar todas as elevações na ponta que deveria fazer em suas coreografias.

Uma vez Márcia contara dos tempos que ela mesma era aluna. Obrigavam-na a usar pesos nas pernas e nos braços. Normalmente eram de dois quilos, ou se o professor estivesse de bom humor, um. Mas ela mesma havia falado que jamais faria isso com suas alunas. Seria crueldade demais.

- Para terminar, vou ser bem boazinha. Apenas um passé** na ponta!
E, fica!

Márcia passou inspecionando uma a uma. Sorriu com satisfação e mandou-as relaxar. Lizzy alongou-se um pouco, só para relaxar os músculos e procurou Isabel com os olhos. Novamente ela não viera á aulas. O que será que andava acontecendo com ela?


Caminhou até um dos bancos da sala e começou a tirar as sapatilhas enquanto conversava com Gabrielle, uma das outras alunas da academia. Novamente o tema baile foi abordado. Era unânime. Todas estavam ansiosas e especialmente curiosas. Boatos circulavam por toda a academia. Especulava-se que os donos eram extremamente ricos e que eram também solteiros.

E é claro, o ultimo boato era de grande interesse para grande parte das meninas do instituto. Imagine, namorar um homem tão rico e poderoso como o dono daquele formidável lugar?

Lizzy ria das especulações. Achava uma perda de tempo em correr atrás de um homem só por causa do tamanho de sua conta bancária. E se o tão famoso dono fosse uma múmia de tão velho?

Despediu-se das amigas e seguiu para seu armário. Ainda encontraria Jane para irem juntas para casa.

- Lizzy! Por que demorou?

Jane perguntou. Parecia extremamente feliz com alguma coisa e sorria. Um sorriso estilo “ eu tenho trinta e dois dentes”

- Nossa! Por que tanta felicidade?

- Você não sabe o que me aconteceu hoje! A professora de pinturas á óleo me chamou no final da aula e me pediu que pintasse um quadro especialmente para o baile de sábado. Não sabes como fiquei honrada com o pedido. É uma oportunidade muito boa, e céus! Existem tantos alunos melhores que eu! Não sei como ela pode me escolher!

- E iniciamos mais um capitulo da saga “Jane e sua modéstia!”

Lizzy fez graça. Jane limitou-se a rir e terminou de guardar as suas coisas em seu armário. Estava de muito bom humor para irritar-se com as implicâncias de Lizzy.

- O único ruim é que vou ter que parar temporariamente um trabalho que estou fazendo.

- E que você não quer me dizer qual é!

Lizzy respondeu emburrada, estampando no rosto uma tromba enorme. . Jane apenas sorriu misteriosa e partiram para casa.

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Quando chegou na pequena sala em que dava aula na comunidade carente, todas já aguardavam ansiosas e sorridente. Lizzy beijou todas e abriu a sala.

Elas entraram e logo começaram a se arrumar como verdadeiras bailarinas. Embora Lizzy não exigisse um coque nas aulas todas tinham o maior orgulho de prendê-los e exibi-los em sua modesta perfeição.

Colocavam a sapatilha de meia ponta com cuidado e esperavam pacientemente enquanto Lizzy colocava a musica no som e indicava o exercício que deveriam fazer. Começavam sempre na barra, seguiam para uma pequena aula de chão e para completar uns exercícios de centro.

A aula terminou e Lizzy ficou com as meninas até que os pais de cada uma vieram buscá-las. Apenas uma ficou além do horário, tristonha e chorosa em um canto.

Lizzy se aproximou-se e sentou-se ao seu lado, cruzando as pernas e imitando a postura da menina.

- O que houve Dandara? Por que está tão tristonha hoje?

A menina encontrou os olhos de Lizzy. E por um impulso, jogou-se nos braços de tão querida professora e a abraçou, deixando as lágrimas reprimidas rolarem por seu pequenino rosto.

Lizzy retribuiu o abraço e afagou-lhe o cabelo. Depois de alguns minutos a menina sentou-se de frente para Lizzy e sorriu.

- Desculpe tia Lizzy. Às vezes me deixo levar.

- Oh minha querida, não tem problema. Todo mundo precisa por para fora um dia. O que aconteceu?

- Meu pai ficou doente de novo, e não melhora.

- Não se preocupe. Ele vai ficar bom!

Lizzy sentia-se tão impotente diante daquela situação! Queria ajudar, queria fazer alguma coisa por ela. Não sabia o que, mas iria fazer alguma coisa para ajudar.

Poucos minutos depois uma senhora robusta veio buscar Dandara.

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Era manhã de terça-feira e estavam tendo aula de expressões. Nesse dia, Antony estava atacado. Achava tudo ruim, e mandavam refazer os exercícios milhares de vezes.

- Vocês têm que se expressar melhor! Repitam mais uma vez, e quero ver animação!

Antony religou o som e todos retomaram suas posições, murmurando alguns apelidos “carinhosos” para o professor.

Ainda não satisfeito com a última passagem da música, fez com que repetissem mais três vezes, o que os deixou potencialmente exaustos...

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- Isabel! Por que você faltou de novo ontem?

Isabel sorriu para Lizzy e formulou uma resposta pouco convincente. Porém, antes que Lizzy pudesse atacá-la com perguntas, Márcia adentrou a sala e ordenou que formassem casais.

Bel olhou de soslaio para Lizzy e corou. Lançou-lhe um olhar desafiador e aproximou-se de Thomas, que conversava com alguns amigos do outro lado da sala.

Lizzy não podia acreditar no que estava vendo. Bel estava realmente indo falar com Thomas por livre e espontânea vontade? E não estava corada ao extremo?

“ Não, ela não teria... ”

Sim. Bel estava lá, falando com Thomas na frente de todos os outros meninos da aula.

Lizzy ficou olhando boquiaberta para a cena, até que sentiu uma leve mão tocar-lhe o braço. Virou-se assustada e deparou-se com Oliver, um outro aluno, chamando-a para ser sua dupla.

Dera sorte. Além de ser bonito e ter um corpo escultural, Oliver era, na opinião de Lizzy, o melhor bailarino de sua turma. Ela sorriu, e aceitou o convite. As outras a olharam com desprezo.

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Fizeram um treinamento de elevações, o qual todos saíram muito bem. Ao fim da aula, Oliver despediu-se de Lizzy com um beijo na bochecha e partiu apressado para a sua próxima aula.

Bel se aproximou sorrindo da amiga, agora vermelha. Lizzy, não perdendo a oportunidade, começou a falar enquanto encaminhava-se para o vestiário.

- Belzita, o que foi aquilo? Surtou, foi? Comprou coragem na farmácia? Em qual foi?

Bel riu e começou a brincar distraidamente com o fecho de sua bolsa.

- Eu tomei coragem, foi só.

- Eu não pude acreditar! E além do mais, você o convidou para o baile!

- Na verdade, não foi bem isso...

- Não?

Os olhos de Bel brilharam e ela encarou Lizzy, que parou e pos as mãos no quadril, encarando-a ameaçadoramente.

- Eu fui apenas para pedir á ele para ser a minha dupla. Só que enquanto o seu grupo fazia o exercício ele pegou minha mão e me convidou para o baile... o que me lembra que você agora deverá ir também!

Lizzy entrou em pânico! Ainda existia um fio de esperança... ela bem que poderia ter se esquecido com tanta emoção em um só dia.

“ Bem, acho que terei que arranjar um vestido...”

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* Passé - Um movimento auxiliar no qual o pé da perna que está em movimento passa pelo joelho da perna de apoio, de uma posição para outra.
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* Relevé elevado. Uma elevação do corpo em pontas ou meia pontas, ponta ou mei -ponta. Há duas maneiras de execução para o relevé. Na Escola Francesa, relevé é feito suavemente, uma contínua elevação enquanto Cecchetti e a Escola Russa o usavam como um passo ágil. Relevé deve ser feito em primeira, segunda, quarta e quinta posição