domingo, janeiro 16, 2011

Capítulo XXI


Capítulo XXI


Isabel conseguiu fugir da amiga enquanto se misturava a multidão que saía apressada, ansiando por um bom final de semana.

- O que é dela tá guardado!

Murmurou voltando a subir as escadas em direção ao andar da dança. Encontrou os corredores praticamente vazios, apenas uns professores conversavam enquanto saiam de suas salas carregando pastas que pareciam estar um pouco pesadas.

Lizzy entrou no vestiário feminino que se encontrava deserto. Apoiou sua bolsa em cima dos bancos e olhou-se no espelho. Estava um pouco corada devido ao tempo que passara sob o sol, e achou que a nova coloração lhe dava um ar mais saudável.

Sorriu lembrando-se de sua mãe e de quando passava uns dias em sua fazendo com os pais. A Sra Bennet sempre lhe dizia que o tempo maluco da cidade lhe deixava com um ar de doente e sempre insistia para que ela e Jane comecem mais quando a visitavam.

Lizzy soltou uma pequena risada e abriu a bolsa. Tirou algumas sapatilhas que estavam dentro de saquinhos de pano e apoiou ao seu lado. Já fazia um tempo que não utilizava aquela bolsa, e resolvera naquela manhã, não sabia o porquê, usar aquela bolsa.


- Eu não acredito que esse vestido estava aqui!

Disse em voz alta ao retirar um lindo vestido vermelho.

http://www.pasiontango.net/slike/tangofashion1.jpg
( vestindo vermelho)

Lizzy lembrou-se da primeira vez que o usara, que fora a primeira vez que dançava um tango. Estava muito nervosa no dia, mas acabou que a apresentação foi um sucesso.

O vestido era de um vermelho forte e um rasgo lateral subia até o meio das pernas. Nas costas, ele era cavado até o final das costas, com algumas tiras cortando no final e deixando metade das costas completamente nua. As alças eram delicadas e o tecido maleável, que balançava suavemente com o menor movimento.

- Acho que vou usar você hoje...

Lizzy falou fechando sua bolsa e procurando uma cabine vazia para trocar de roupa. Tirou o short jeans que usava e a regate e vestiu o vestido. Saiu da cabine e olhou-se no espelho com um sorriso. Sempre se achara muito bonita com ele.

- Não é que você ainda cabe, mesmo depois de quatro anos?

Comentou divertida e calçou as sapatilhas, indo em direção a sala para começar o novo ensaio com Darcy.

Quando entrou na sala, Darcy já a esperava encarando a rua por um dos imensos vitrais. A luz da Lua, se é que era possível, o deixava mais bonito ainda, e lhe dava uma aura de mistério completamente envolvente.

A luz de algumas estrelas que começavam a surgir no céu parecia refletir nos intensos olhos azuis. Uma mão descansava despreocupadamente sobre o parapeito enquanto a outra bagunçava displicentemente os cabelos.

- Boa noite, Lizzy!

Ele a cumprimentou sem se virar para olhá-la. Lizzy parou aonde estava e fitou a nuca de Darcy curiosa.

- Como sabia que eu estava chegando? – ela perguntou.

- Seu perfume de rosas. – ele respondeu finalmente se virando. – e eu a vi pelo vidro... – completou apontando para a janela.

- Eu deveria ter imaginado... – murmurou apoiando as coisas em um banco. – vamos começar? – perguntou se aproximando.

- Esse vestido... você nunca o usou. – Darcy deixou escapar enquanto olhava bobamente para Elizabeth.

Lizzy estava realmente deslumbrante com aquele vestido. A cor forte, vermelha, contrastava com a pele alva e o corte deixava suas curvas trabalhadas pela dança mais ressaltadas.

- Ele já é antigo... Achei-o sem querer. – explicou sorrindo.

- Deveria usá-lo mais vezes... – Darcy comentou se aproximando.

Lizzy apoiou levemente a mão sobre um dos ombros de Darcy e a outra encontrou sua mão. Darcy a puxou mais para perto, colando seu corpo ao dela.

A música começou e Lizzy sentiu Darcy pressionar sua cintura, começando a conduzi-la pela sala.

“ Isso só pode ser castigo...

Lizzy pensava enquanto sentia a mãe de Darcy deslizar sedutoramente e de uma forma muito insinuante enquanto a outra segurava-a firmemente nas costas, e como o vestido era aberto atrás, o contato de pele com pele era praticamente inevitável.

Para Darcy a situação também não era a das mais fáceis. Ele vinha se controlando noite após noite para não beijar Elizabeth como desejava fazer desde o baile da academia, e essa noite estava mais difícil do que poderia suportar. Era um verdadeiro atentado aos seus nervos. (N/a : e os das leitoras também, diga-se de passagem...)

Lizzy estava mais bonita do que se lembrara um dia tê-la visto. Não estava tão bem arrumada quanto no baile, é claro, mas o jeito frouxo com que prendia o coque fazendo alguns fios se soltaram, o vestido que contrastava com a pele clara, os lábios carmim que parecia cada vez mais sedutores e convidativos, a pele suave e o toque em seu corpo... Tudo colaborava para seu desejo aumentar cada vez mais.

Lizzy estava completamente hipnotizada e exasperava-se ao pensar que o motivo estava ali, bem na sua frente, sedutor como sempre, implorando para que ela beijasse aqueles lábios. Não, aquilo não estava certo! Ela não deveria se envolver com uma pessoa que estivesse trabalhando com ela! Não deveria. Mas se envolveu, e não havia mais nada que pudesse fazer para mudar isso.

E por que mudar? Ela não queria mudar. E não queria mais se importar com o que as pessoas falariam. Queria viver o que estava sentindo.

O que um simples tango reservava para duas pessoas completamente desavisadas sobre seus sentimentos...

Tango era isso: uma mistura de sentimentos, um misto de desejo proibido e paixão reprimida. Isso o fazia mais...não havia palavras para descrever.

Ambos estavam distraídos com seus pensamentos e guiavam-se ao som da música. Perfeita. A coreografia estava perfeita.

Os últimos acordes se dissiparam no ar e Darcy e Lizzy continuaram se encarando, ela perigosamente perto, ele perigosamente sedutor.

Darcy começou a andar, conduzindo Lizzy, mas dessa vez para uma dança sem música. Uma dança deles. Lizzy o acompanhou com movimentos rápidos.

Darcy sabia perfeitamente o que estava fazendo. Ele seguia os movimentos que seu corpo queria fazer, e se Lizzy o acompanhava era porque ela também o queria.

Giros, pernas, jogadas, “encontrões” e emoções guiaram essa dança livre. Darcy guiava, e Lizzy o acompanhava de uma maneira incomum, seus corpos pareciam se comunicar e tudo encaixava perfeitamente, como se fossem feitos em moldes criados para pertencerem um ao outro.

Uma última pose. A perna direita de Lizzy insinuantemente envolta nos quadris de Darcy, uma mão o arranhando nas costas levemente, a outra descansando sobre o peito.

Estavam próximos, a distancia era tão pequena que um curto movimento a anularia. Um simples passo anularia a distancia no que os separava.

Não podiam mais agüentar e resistir ao apelo de seus próprios corpos. Darcy encostou Lizzy de encontro à parede, a perna dela ainda em volta de sua cintura.

Ele aproximou-se mais, tentando acabar com a lei que diz que dois corpos não podiam ocupar o mesmo espaço. Moldou seu corpo perfeitamente ao dela. A mão direta deslizou pelo pescoço, traçando uma trilha de fogo até alcançar os cabelos e soltá-los, fazendo-os cair em cascata.

Lizzy enterrou suas duas mãos nos cabelos de Darcy e o puxou para perto, e ele, aproveitando a aproximação, tomou-lhe os lábios. Amor, paixão, carinho.

As línguas dançavam em perfeita sincronia, proporcionando um turbilhão de sentimentos incontroláveis, que começavam com um frio na espinha e tornavam-se um calor repentino que se apossava de seus corpos.

Fizeram o que seus corpos mandavam, mas agora já não era mais suficiente.

Queriam se provar, tocar, descobrir cada pedacinho do corpo um do outro, memorizar para nunca mais esquecer. As mãos de Darcy passeavam livremente pela cintura de Lizzy, que acariciava a nuca e as costas de Darcy.

Separam-se. Olharam-se nos olhos.

- Me leva para casa...- Lizzy pediu o encarando nos olhos e sorrindo... aquela seria uma longa noite....

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