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terça-feira, fevereiro 22, 2011

Capítulo XXIV


Capítulo XXIV
Combinara de o encontrar na sala no andar de baixo, para evitarem alvoroços e ensaiarem em paz. Lizzy já sentia-se nervosa por si só, e não precisava de mais olhares curioso para cima de si.

Correu para o vestiário e trocou de roupa, ponde um vestido vinho, especialmente feito por Charlotte para o tango. O vestido era justo até o quadril, demarcando delicada e sensualmente as curvas do corpo de Lizzy.
Nas costas, um corte em forma de gota.

Na frente, a parte mais alta que alcançava o pescoço em um tipo de frente única, era toda bordada com pedrinhas miúdas e discretas, mas que davam ao vestido todo um discreto brilha especial.

A saia do vestido era folgada, cortada em gomos largos com cortes maiores estrategicamente feitos nas laterais, aonde precisaria de mais mobilidade nas pernas.

Lizzy desceu um lance da escadaria de mármore e chegou ao andar que estava praticamente vazio. Parecia que toda a academia havia evacuado para a área de dança.

Satisfeita por essa momentânea paz, Lizzy entrou em uma das salas e deixou suas coisas jogadas ao lado da porta.

Enquanto Darcy ainda não chegava, encostou-se na barra e prendeu o cabelo em um coque elegante. Colocava os últimos grampos com flores de cristais na ponta quando ouviu a porta se abrindo.

Pelo espelho, ela viu que Darcy havia entrado na sala e encostava a porta delicadamente atrás de si. Vinha vestido com uma blusa social branca, totalmente abotoada, uma calça social preta e os sapatos de dança que Lizzy havia indicado.

Ela sorriu e encostou-se na barra, analisando-o de cima a baixo enquanto esperava que ele se aproximasse.

- As flores que me mandou hoje de manhã são lindas. – ela falou corando levemente e olhando para o chão.

Darcy se aproximou mais de Lizzy e levantou seu queixo com as pontas de seus dedos, acariciando-lhe levemente a pele.

- Você é linda. – Darcy respondeu beijando-lhe delicadamente os lábios.

Lizzy fechou os olhos e deixou-se sentir o toque dos lábios macios de Darcy de encontro ao seu, antes de colocar suas mãos delicadamente no peito de Darcy e empurrá-lo delicadamente.

-Vamos esperar até que a exaltação dos testes tenha passado. – ela pediu com um aperto no coração.

Queria poder agarrá-lo já, naquele momento, sem se importar com o que pensariam ou o que falariam dela. Mas não podia, o mundo era cruel e as pessoas incapazes de enxergar o amor, ainda mais nas condições em que os amantes estejam seja de vantagens para uma das partes.

- Por você eu esperaria milênios, se necessário. – Darcy respondeu roubando-lhe um último beijo. – Tenho um presente para você.

Ele falou afastando-se lentamente e virando de costas para Lizzy, que mordeu o lábio inferior fazendo uma espécie de biquinho e aproximou-se dele.

- Você vai me deixar curiosa assim? – ela perguntou manhosa pondo-se em frente a ele.

- Não. Foi um sacrifício passar por toda aquele gente lá em cima sem amassá-la. – ele falou rindo.

Lizzy pôs as mãos na cintura de uma maneira ameaçadora e arqueou uma das sobrancelhas.

- Então era você que as meninas assanhadas ali em cima estavam tentando passar a mão... – Lizzy concluiu com uma expressão nada amigável.

- O que eu posso fazer? Elas não sabem que eu tenho uma namorada. – ele respondeu implicante.

- E nem vão descobrir tão cedo. – Lizzy resmungou já aborrecida. Nunca pensara que fosse tão ciumenta, mas ela era a namorada de Darcy agora, e não ia permitir que ficassem olhando para ele como se fosse um pedaço de carne.

Não enquanto ele fosse o seu Darcy, e que ficasse bem claro.

-Não fique com esse bico tentador...- ele falou mexendo no bolso de sua
calça e retirando uma flor, uma rosa branca de pétalas delicadas que exalava um doce aroma.

Darcy aproximou-se de Lizzy e retirou de suas mãos um dos grampos que ela ainda segurava esquecido entre os dedos. Arrumou a flor de uma maneira bonita no coque de Lizzy e a fixou com o pequeno grampo.

- Minha irmã a colheu hoje de manhã, junto com as flores do nosso jardim. Eu a vi sobre a mesa e me lembrei de você. – ele falou sorrindo.

Lizzy sentiu que ia desmoronar, então obrigou-se a respirar fundo e desviar suas atenções da boca sedutora que estava a poucos milímetros da sua.

Ligou a música rapidamente, dando um banho de água fria em sua vontade de ficar ali encarando aquele homem na sua frente. Aproximou-se dele por trás e espalmou as mãos em seu peito, apoiando o queixo em seu ombro.

Sentiu o perfume de Darcy e controlou-se ao ouvir os acordes da música. Ensaiaram encarando um ao outro de uma maneira profunda, realizando giros, ganchos, piruetas sem cortar o contato visual por que alguns segundos.

Parecia uma necessidade física, de que os olhares sempre se encontrassem, de que soubessem de que sempre estariam ali quando precisassem um do outro.

A coreografia terminou e parecia impregnada no sangue de cada um. Cada passo fora perfeito, sem a menor hesitação, como se os corpos dançassem juntos desde que nasceram, e que se procuravam mutuamente.

- Bravo! – Isabel e Thomas gritaram parados à porta e batendo palmas.

Lizzy e Darcy separaram-se um pouco envergonhados e Lizzy sorriu para a amiga que a olhava com um olhar malicioso.

- Bem, já que a segurança chegou, acho que vocês podem subir para fazer os testes de vocês. – Isabel falou abrindo a porta. Lizzy arregalou os olhos.

- Já está na hora? – perguntou desligando a música e pegando as coisas de cima do banco.

- Faltam cinco minutos. Mas acho melhor vocês irem subindo. – Thomas falou consultando o pequeno relógio de parede da sala.

- É, tem razão. – Lizzy concordou. – Vamos, Darcy?

-Vamos. – ele assentiu e saíram da sala com as mãos discretamente dadas, coisa que não passou despercebida ao olhar atento de Isabel.

Chegaram aos andar da dança e encontraram o corredor estranhamente vazio. Havia apenas alguns alunos parados a frente da sala com paredes de vidro e nada mais.

- Está na hora do teste de Caroline, na sala do outro lado do corredor. – Bel respondeu ao ver a visível cara de surpresa da amiga.

- Ela está com esse ibope todo? – Lizzy perguntou com uma careta.

- Suspeito que não, querem mais ver é o mico que ela vai pagar. – Bel sussurrou de volta.

- Lizzy, ainda bem que cheguei a tempo! – Jane falou subindo as escadas e encontrando o grupo no meio do corredor. Ela estava toda suja de tinta e com algumas manchinhas azuis pelo rosto. Charles a seguia de perto carregando seu estojo de tintas.

- O que aconteceu com você? – Lizzy perguntou passando o dedo pelo rosto da irmã e limpando o excesso de tinta. – Ah, olá, Charles!

- Alunos novos. – ela respondeu sorrindo simplesmente.

- Boa sorte, Lizzy! – ele desejou com uma aceno e apertou a mão de Darcy. – Boa sorte, cara. Eu nunca imaginei que o veria dançar com tanta desenvoltura...- Charles alfinetou.

- E nem verá! – Darcy respondeu ficando sisudo.

– Que horas é o seu teste em dupla? – Jane perguntou tentando desviar a implicância dos dois homens ao seu lado e consultando o relógio de pulso.

- Elizabeth Bennet! – ouviram a professora Maila chamar ao final do corredor.

- Isso responde a sua pergunta? – Darcy retrucou divertido. – Vamos?

Lizzy fez que sim e deixou-se ser guiada por Darcy. Entraram na sala que estava vazia.

- Daqui a pouco os outros juízes estão voltando. A srta Bingley dei um ataque porque havia muita gente olhando e transferimos seu teste para a outra sala. – Maila explicou revirando os olhos. – Onde está o cd com a música?

Lizzy entregou o cd para a professora que o colocou no som.

- Podem ensaiar, se quiserem. Pelo menos até chegarem. – anunciou sentando-se em sua mesa e pegando alguns documentos.

Nem dera tempo dos primeiro acordes soarem a os outros professores chegaram trazendo com eles um bando de curiosos que se postaram em volta da sala, olhando através do vidro.

- Não querem mudar de sala também? – Antony perguntou ríspido olhando para as pessoas que se aglomeravam.

Lizzy pensou em dizer que sim, mas acabou por conformar-se com a platéia e fez que não com a cabeça. Darcy permanecia de costas para a platéia que se formava, Lizzy não saberia dizer se era de nervoso ou precaução para o já esperado falatório.

- Ótimo. – Márcia falou com um sorriso e sentou-se em sua mesa. – Prontos? – perguntou fitando a dupla.

Lizzy aproximou-se de Darcy e o abraçou.

- Esqueça quem está lá fora, imagine que somos só nós dois dançando nos ensaios. Imagine a sala vazia e confie em si! – Lizzy sussurrou ao pé do ouvido de Darcy e abraçou-o por trás, colocando-se na posição em que começariam.

http://www.youtube.com/watch?v=6nnd2Ixuzco&feature=related

Os primeiros acordes já de violinos típicos do tango soaram pela sala. Uma jogada de perna de Lizzy e os rostos colados em uma provocação mútua, uma sedução silenciosa.

Darcy espalmou as mãos nas costas de Lizzy e apertou contra a si, a guiando em passos confiantes. A conduzia com maestria, deixando-a partir para depois puxá-la de encontro ao seu corpo, colando o seu ao dela, como se a simples idéia de vê-la longe o deixasse gelado com falta do calor daquele corpo junto ao seu.

Mais uma perna alta, mais um giro. Aquela troca de olhares intensas como se o mundo já não importasse mais e só existisse o agora, aquela troca de calor entre os dois, os olhares verdadeiramente apaixonados.

Quem estava no corredor assistia a tudo estaticamente. Muitos ainda tentavam convencer-se de que aquele dançando tango não era o Sr Darcy, o poderoso e durão dono da Academia, mas sim um clone, uma pessoa idêntica.

Algumas mulheres olhavam em transe, com os olhos fixos no movimento másculo de Darcy. Podiam sentir como se fossem elas as tocadas. Podiam sentir o desejo que aquela dançava estava transmitindo. Imaginavam sentir até o perfume que aquele cabelo emanava.

Outras tantas roíam-se de inveja, desejando com toda a força do mundo que elas estivessem ali e sentiam suas línguas coçarem e uma vontade de falar que a simples bailarina seduzira o poderoso dono subindo a garganta.

- Vamos embora daqui. – Caroline falou irritada e puxando as amigas para longe da exibição.

Lizzy pôde vislumbrar o momento exato em que a face de Caroline contorcia-se em fúria e ia embora, logo depois sendo puxada para uma cadeirinha ((N/a:passo onde a bailarina senta na perna do condutor) .

Um passo complicado, entrelaçado pernas em meio a um giro. Lizzy sentia seus músculos desmancharem ao menor toque de Darcy, e o olhava de maneira apaixonada.

Darcy, por sua vez, sentia aquele perfume inebriante enlouquecê-lo. Uma simples fragrância feminina nunca mexera com ele assim em sua vida.

Estavam muito próximos. Já podiam sentir os lábios se tocando,mas não era essa a intenção. Lizzy desceu com a perna de trás esticada até formar um ângulo bonito com seu corpo próximo ao de Darcy.

Uma abertura de pernas, uma levantada magnífica, um gancho. A música ia acelerando-se em um tom agoniante. Um salto, mais uma volta e finalmente... o mais doce fim. Os rostos separados, os olhares sem se cruzarem, mas a certeza de que haviam dançado o melhor tango que aquela academia já vira em anos.

terça-feira, janeiro 25, 2011

Capítulo XXIII


Capítulo XXIII

Manhã de segunda-feira. O Sol nascia lançando seus raios mornos sobre a pálida Londres, com seu tráfego lento naquelas primeiras horas da manhã. Uma pequena brisa soprava levando o doce cheiro da aurora e ajudava os raios de Sol a dissiparem a fina bruma que cobria a cidade.

Um pequeno emaranhado de cobertores e edredons encontrava-se sentado em uma das cadeiras da varanda. Os olhos negros fitavam os raios da aurora como se tentasse ver além deles, e para quem olhava parecia realmente que o conseguia.

Os cabelos tão negros quanto os olhos caiam sobre os ombros cobertos pelas cobertas sem ao menos ser penteado e ela mordia a ponta do dedo de maneira inconsciente. Sentia que seu pé estava começando a ficar frio, mas não conseguia sair dali.

Sabia que em poucos minutos Charlotte estaria despertando com um sorriso nos lábios e sua irmã também o estaria, mas agora, ambas, estavam sonhando com seus príncipes encantados. E ela também estaria deitada em sua cama sonhando com o seu príncipe de olhos azuis se não fosse por uma inconveniente sensação de enjôo que embrulhava seu estômago e a fazia sentir-se em uma montanha russa de queda muito vertiginosa.

Havia ensaio durante horas com Darcy, chegara à exaustão, e agora estava a poucas horas da verdadeira prova. Só de imaginar a pequena multidão que se formaria à porta das salas de testes seu estômago dava mais uma volta e embrulhava-se mais ainda.

Apertou-se mais ainda nas cobertas como se fosse uma pequena criança indefesa e olhou para ao lado ao ver a porta da varanda correr suavemente. Jane apareceu também enrolada em seu cobertor e sorriu.

- Eu sabia que estava aqui. – ela falou agachando-se frente à irmã e apoiando as mãos em sua perna.

- Onde mais eu estaria? – Lizzy perguntou ainda sem olhar a irmã.

- Em sua cama, deitada e coberta como deveria estar. – Jane falou sorrindo e empurrando as pernas da irmã para que sobrasse espaço e pudesse sentar ao seu lado.

- Não consegui continuar dormindo. – Lizzy explicou deitando-se no colo da irmã como se fosse uma menina de oito anos. Jane começou a afagar-lhe os cabelos como só uma mãe fazia.

- Sei que é um dia importante para você. – continuou também olhando para o Sol que já nascera e que começava a acordar aos moradores de Londres. – Já tomou o café?

- Não... eu estava aqui distraída. – Lizzy respondeu enrolando-se mais nos cobertores. Jane começou a rir e deu um leve tapa em sua perna.

- Você estava esperando que eu acordasse para fazê-lo para você! – falou rindo e parando de lhe fazer carinho.

- Culpada! – Lizzy confessou rindo e sentando-se. – Eu tenho que fazer uma anotação mental e começar a inventar desculpas mais convincentes.

- Ou então tomar vergonha nessa cara e aprender a fazer seu próprio café! – Jane falou rindo e levantando-se, estendendo a mão para que Lizzy também se levantasse. – Vamos para a cozinha. Aqui está muito frio e lá eu poderei lhe preparar um café descente.

Jane concluiu reabrindo a porta de vidro e entrando. Lizzy fechou a porta atrás dela e levou suas cobertas para o quarto as jogando de qualquer maneira em cima da cama. Voltou para a cozinha e encontrou Jane retirando uns ovos da geladeira.

- Omelete! – ela anunciou ao ver os olhos brilhantes de Lizzy. – Sei que é seu preferido. – concluiu rindo ao receber vários beijos da irmã espalhados por todo o rosto.

- Você é a melhor irmã desse mundo! – Lizzy falou sentando-se na bancada ao lado da tigela onde Jane batia os ovos.

- Que eu saiba, Lizzy, lugar de se sentar e na cadeira... – Charlotte provocou entrando na cozinha e sentando ela mesma ao lado de Lizzy na bancada.

- Bom-dia pra você também, minha cara amiga Charlotte! – Lizzy falou rindo e dando um beijo estalado em sua bochecha.

- É o primeiro dia dessa garota na escola e esqueceram de me avisar? – Char perguntou limpando o beijo com uma falsa careta de nojo.

- Como se fosse. – Jane falou rindo e começando a colocar a mistura na frigideira.

- Verdade... é hoje que você vai dançar o tango com o Sr. Darcy! – lembrou-se Char estreitando os olhos em direção a Lizzy.

- É só uma dança inocente! – Lizzy atalhou como se fosse adiantar alguma coisa.

- Nunca pensei do contrário! – Charlotte falou cínica. – E que próxima dança você ensinará a ele? Salsa? Olha, eu tenho umas amigas no MSN que podem lhe dar dicas ótimas! – completou tirando onda com a cara da amiga. (N/a: Né meninas?? A Lizzy precisa de sugestões... huahauaua)

- Charlotte... – Lizzy chamou com um sorriso meigo.

- Sim? – a outra respondeu virando-se logo após pegar um pêssego na fruteira ao se lado.

- Vai ver se eu to na esquina! – Lizzy completou rindo.

- Com muito prazer! – Charlotte falou pulando da bancada e saindo em direção a porta da frente. Ela parou, olhou para trás e viu que as amiga a olhava com expressões chocadas.

Sorriu de volta para elas, deu um “xauzinho” com a mão e abriu a porta, passando por ela como se saísse toda arrumada para trabalhar, ao invés de estar de camisão, e fechou a porta com um baque.

- Ela realmente foi? – Jane perguntou quase deixando a omelete queimar.

- Eu acho que tinha alguma coisa naquele pêssego. – as duas se encararam, deram de ombros e começaram a rir.

Lizzy ajudou Jane a servir o café para as duas e sentaram-se à mesa. Comeram enquanto conversavam sobre as pinturas de Jane quando Lizzy lembrou-se de que Jane pintava um quadro que não queria lhe mostrar.

- Jane... – chamou com a voz arrastada. – O que você tanto pinta em seu ateliê? – levantou-se e pôs seu prato na pia. – eu quero saber!

- Ficará sabendo em seu devido tempo. – Jane retrucou com um sorriso misterioso e voltou sua atenção para o próprio prato.

- Não é justo! – Lizzy reclamou emburrada.

Jane não conseguiu responder, pois ouviram a porta da sala ser aberta e viraram-se para ver Charlotte voltando com um lindo buquê de Lírios na mão.

- Alem de sair de casa você ainda foi comprar flores? – Jane perguntou com a omelete a meio caminho da boca.

- Claro, o dia está tão brilhante hoje... – Charlotte retrucou irônica e se aproximando da mesa.

- Falei que tinha alguma coisa naquele pêssego... – Lizzy sussurrou para a irmã que concordou com a cabeça.

Charlotte sentou-se na cadeira vazia e estendeu o buquê para a amiga.

- É pra você. – falou diante da cara interrogativa da amiga.

- Pra mim? Mais pra que você está me dando flores? – Lizzy perguntou sem entender absolutamente nada.

- Olha o cartão! – Charlotte ordenou impaciente puxando um cartão do meio das flores.

Lizzy pegou o cartão de dentro das flores cuidadosamente e começou a lê-lo em voz baixa, movendo apenas os lábios sem emitir som algum. Jane fingia não estar interessada, mas olhava para o cartão de rabo de olho.

Charlotte claramente já havia lido todo o conteúdo e nem ao menos mostrava alguma reação alem de um pequeno sorriso insistente.

- Eu. Não. Acredito. – Lizzy falou pausadamente enquanto deixava o cartão em cima da mesa e fitava as flores com uma expressão abobalhada.


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- O que foi, Lizzy? – Jane perguntou sendo vencido pela curiosidade e logo debruçando-se na mesa para pegar o cartão perto das flores. – É um soneto de amor! – falou sorrindo e olhando para a irmã.

- Eu nunca ganhei um soneto de amor... – Lizzy murmurou pegando as flores delicadamente e colocando em um jarro com água.

- Ela tem quantos anos? 15? – Char perguntou divertida.

- É como se fosse. – Jane sussurrou lançando um olhar de esguelha para a irmã.

- Lizzy, que horas é o seu teste? – Char perguntou pegando os pratos e os colocando empilhados na pia.

- Às nove. – ela respondeu ainda com um sorriso bobo. Deixou as flores em cima do balcão e olhou para o relógio na parede oposta. – Eita, são oito horas!

Desencostou-se da pia correndo e começou a correr para o quarto. Jane e Charlotte começaram a rir e continuaram tomando seu café.

Poucos minutos depois, Lizzy passou correndo na cozinha, já com sua calça e blusa de dança e carregando uma enorme bolsa pendurada transversalmente.

- Tchau, gente! – Disse abrindo a porta da cozinha e saindo sem esperar resposta.

Charlotte e Jane se entreolharam e começaram a rir.


**********************************
Lizzy chegou na academia oito e meia devido ao trânsito de inicio da manhã e subiu correndo os degraus de mármore até alcançar o andar da dança. Teve que passar por um aglomerado de alunos curiosos que tentavam ver os testes pelas portas de vidro e chegou ao seu armário.

Deixou suas coisas de qualquer maneira dentro do armário e pegou suas sapatilhas. Enfrentou novamente a massa de curiosos e alcançou o vestiário feminino, que mostrava uma movimentação estranha.

Fez uma pequena maquiagem para causar uma sensação sutil na hora de dançar de que ela estava sempre leve e rosada. Saiu para os corredores e encontrou uma sala com uma enorme placa, onde podia-se ler: aquecimento.

Empurrou as portas lentamente e entro na sala. Algumas já se alongavam, ou na barra ao sentadas no chão. Algumas outras meninas alongavam-se no centro, dando algumas piruetas e aparentemente fazendo marcações de passos.

- Lizzy!

Isabel chamou ao terminar uma linda pirueta em quarta posição. Lizzy se aproximou da amiga e a abraçou.

- Chegou que horas? – Lizzy perguntou sentando-se no chão ao lado de Isabel e começando a se alongar.

- Agora a pouco. Já falei com Thomas... ele está aquecendo-se em uma outra sala junto com o resto dos meninos. – Bel explicou sorrindo nervosa e começando a estalar os dedos.

- Como anda a sua coreografia? – Lizzy perguntou puxando a amiga para o chão também.

- Anda bem... e seu ensaio com o Sr Gostoso Darcy? – Bel perguntou sorrindo maliciosamente.

Lizzy, lembrando que Bel ainda não soubera sobre seu último ensaio, sorriu maliciosamente e mudou a posição de pernas para alongar.

- Sabe... digamos que foi bem...produtivo. – falou misteriosa.

- Produtivo? Como? – Bel perguntou estreitando os olhos.

- Ora, conseguimos terminar a seqüência... – Lizzy falou com sua maior cara inocente.

- Claro... e essa seqüência terminou aonde? Na sua casa ou na dele? – Bel perguntou arqueando a sobrancelha e já esperando um ataque vindo da amiga.

- Na casa dele... – Lizzy respondeu marotamente.

Bel encarou a amiga por alguns instantes, como se acabasse de levar um tapa na cara. Esperava que a amiga começasse a se alterar e começasse a falar sobre seus princípios de não se envolver com pessoas que estejam trabalhando com ela e por ai seguiria. Mas não esperava... isso!

- Você .. han… se acertaram? – Bel perguntou ainda com uma expressão de choque nada disfarçada.

- Defina “se acertaram”. – Lizzy pediu fazendo um “cambrê”.

- Ele...ele... te tacou na cama e chamou de lençol? – Bel perguntou ainda abobada.

- Vamos dizer que foi um pouco ao contrário... – Lizzy falou sorrindo maliciosamente. Adorava implicar com a amiga.

Isabel ficou a encarando por alguns minutos e começou a rir escandalosamente, deixando Lizzy extremamente vermelha.

Caroline, reparando na aparência risonha de Isabel e Lizzy no canto oposto da sala, resolveu descobrir o que estava acontecendo. Algo que as tivesse deixado ao animadas com certeza não era algo que ela seguramente poderia chamar de proveitoso.

Colocou a maior pose de poder que pôde a caminhou determinada até as duas que riam.

- Estão tirando a minha concentração. Eu preciso de um silêncio mínimo para poder treinar. – disse cruzando os braços e arqueando as sobrancelhas.

- Realmente, Caroline, querida, você parecia muita concentrada enquanto conversava com suas servas, aliais, amigas, e olhava para cá. – Bel falou sorrindo debochadamente. – Agora, dê-nos licença, precisamos terminar nosso alongamento.

Bel se virou para Lizzy e revirou os olhos. Lizzy segurava o riso e ficou satisfeita ao ver Caroline voltar para o seu canto com uma expressão não muito amigável.

- Sabe o que descobri, minha cara amiga alienada Lizzy? – Bel perguntou olhando para Caroline de rabo de olho.

- Não, minha cara Sherlouca Holmes... o quê? – Lizzy perguntou entrando no espírito da brincadeira.

- Descobri que essa cobra coral falsa é louquinha pelo seu homem. – Bel respondeu rindo.

- Como assim? – Lizzy perguntou com uma vontade imensa de esganar aquela mocréia ruiva.

- Ela é irmã de Charles, o melhor amigo de Darcy. E, nas férias, quando ele passava na casa dos Bingley, ela ficava se oferecendo... – Bel comentou levantando-se a ajudando a amiga.

- E como você sabe disso? – Lizzy perguntou com um sobrancelha arqueada.

- Amor, eu não sei se você reparou, mas todas as meninas dessa academia, sem exceções, baba pelo seu homem. – Bel comentou divertida. – e você anda tão ocupada com a dança que nem repara...

- Ele não é meu homem...- Lizzy murmurou olhando a volta. – e eu não havia reparado mesmo... – admitiu encarando a amiga.

- E isso me lembra que temos que montar a sua escolta. – Bel pontuou andando até o banco e pegando sua garrafinha de água.

- Minha escolta? – Lizzy perguntou sem entender mais nada.

- É claro. Ou você acha que todas essas meninas com os hormônios em ebulição não vão querer te matar quando descobrir que o gostoso delas é na verdade o seu gostoso? – Bel perguntou sorrindo.

- Isabel... você está estranha hoje. Vamos nos alongar? – Lizzy perguntou voltando para o centro e começando a dar algumas piruetas.

O que Isabel dissera fazia sentido. Por mais que odiasse admitir, quando a academia inteira descobrisse que estava namorando o homem mais lindo que aparecera por ali em anos não teria mais paz.

Enquanto dançava para se aquecer, ficou remoendo o assunto e chegou a uma conclusão que lhe pareceu satisfatória. Iria esperar que toda agitação dos testes e da apresentação passasse para finalmente assumir o namoro.

Se Darcy realmente fosse tão assediado quanto parecia, teria realmente que ter muita paciência. Sempre fora muito paciente, mas ver seu namorado levando cantadas não era a situação mais agradável do mundo.

********************************
- Srta Elizabeth Bennet.

Chamou um dos juizes de uma enorme bancada que contava com muitos professores de dança. Pelo que Lizzy pôde reparar, todos da área de dança estava convocados.

Um frio incômodo começou a subir por sua espinha e suas mãos tremiam levemente. Respirou fundo, tentando conter a ansiedade que embrulhava seu estômago e postou-se no centro da sala.

A sala era relativamente grande, feita com paredes exclusivamente de vidros, que permitia aos que passavam no corredor assistisse ao testes. Algumas pessoas comprimiam o rosto contra o vidro, lutando por um espaço para assistir aos testes.

Começando a ignorar todas as pessoas que a olhavam e os juizes que a encarava com expressões vazias de sentimentos, Lizzy imaginou-se em um lugar tranqüilo. Cheio de verde, onde pudesse sentir a grama macia sob seus pés, onde pudesse sentir a brisa acariciar-lhe o rosto e mantê-la embalada em um clima de harmonia.

http://www.youtube.com/watch?v=reAIwuc0Qeg&feature=related
(Game of love- Michelle Blanch)

domingo, janeiro 16, 2011

Capítulo XXII


Capítulo XXII

- Eu não agüento mais esperar! – Charlotte falou levantando-se de um salto da cadeira onde Richard a mantivera sentada pelos longos e suados...cinco minutos.

Desde que Lizzy fora trancada naquela espécie de camarin, Charlotte mostrava-se mais nervosa do que o normal, e mais parecia uma noiva no grande dia.

- Acalme-se, Charlotte, tenho certeza que Lizzy e o vestido estarão fantásticos. – Alicia tentou tranqüilizá-la de sua mesa improvisada enquanto olhava umas fotos que já haviam sido tiradas para o catálogo.

Sebastian apenas ria enquanto arrumava os equipamentos. Um silencia caiu sobre eles e Charlotte começou a sentir-se mais nervosa do que jamais imaginou que pudesse se sentir. A porta do quarto ao final do corredor se abriu revelando um Paulo cansado, mas com um sorriso vitorioso.

- Finalmente terminamos. – ele falou sendo seguido por Lílian. – Não foi fácil. Elizabeth tem umas curvas muito singulares. – explicou com um sorriso para Charlotte.

- O vestido ficou maravilhoso. Charlotte, meus parabéns! – Lílian falou dando passagem para Lizzy, que ainda mirava-se no espelho com um sorriso bobo, e ao ver que todas a olhavam, Lizzy corou e caminhou até a sala de fotografia.

- E ai? – ela perguntou estalando os dedos. – O que acharam. – ela perguntou olhando para baixo a admirando o vestido.

- Perfeita. – Alicia falou levantando-se e caminhando para perto de Lizzy.

- Venha. – Sebastian chamou já posto ao lado da câmera. – Vamos começar com umas fotos simples...

Sebastian começou a explicar tudo sobre a sessão que fariam e tentou tranqüilizar Lizzy quanto ao trabalho o máximo possível. Charlotte tranqüilizou-se aos poucos ao ver como a sessão evoluía e não pode retirar o sorriso enorme que estampava seu rosto.

Ao final do dia, logo ao terminar a sessão de fotos, ficaram conversando um pouco enquanto as fotos passavam para o computador. Como haviam ficado boas e já era tarde, Charlotte e Lizzy resolveram voltar para casa.

- Char, eu vou indo para o carro, tudo bem? – Lizzy perguntou depois de arrumar suas coisas e sentir uma forte dor de cabeça latejando dentro de sua cabeça, como se seu cérebro estivesse muito inchado.

- Tudo bem, Lizzy, eu já vou. – Char falou sorrindo e pegando suas coisas de cima da mesa .

- Vou acompanhá-la, Lizzy! – Alicia falou também pegando suas coisas e acenando para Sebastian.

Lizzy despediu-se de todos com um aceno e saiu em direção ao ar da noite. Charlotte virou-se para Sebastian na intenção de se despedir, mas levou um susto ao constatar que ele estava bem perto dela.

- Eu... acho... que eu vou para o carro. – Charlotte falou tentando desviar os olhos dos dele, mas não conseguiu.

- Fica mais um pouco. – ele pediu roçando seu nariz no dela, fazendo com que os pelos na nunca de Charlotte se arrepia-se.

- A Lizzy está me esperando. – Char murmurou tentando não cair na tentação e agarrar Sebastian.

- Ela está com Alicia. Não vai sentir a sua falta por muito tempo. – ele murmurou começando a depositar leves beijos no pescoço de Charlotte.

- Isso é tortura. – Charlotte murmurou arranhando levemente as costas de Sebastian e tremendo sob seu toque quente e sedutor.

Sebastian foi subindo os beijos até alcançar os lábios. Primeiramente foi um beijo calma e lento, cada um aproveitando o contato com o corpo do outro, e depois aprofundou-se, tomando um ritmo mais intenso

Charlotte foi separando-se lentamente, sentindo cada músculo, cadê célula de seu corpo reclamar com a quebra de contato. Ela abriu os olhos lentamente e sorriu.

- Eu tenho que ir agora. – e aproveitando o estado de semitorpor de Sebastian, pegou sua mesa e seguiu em direção a porta.

Janta comigo amanhã? – Sebastian perguntou encostado em sua mesa antes que Charlotte alcançasse a porta que estava entreaberta.

- Me pegue às oito. – ela respondeu antes de abrir a porta e ser engolida pela noite.

Charlotte caminhou até o carro com um enorme sorriso e quando entrou no lado do motorista encontrou Lizzy com a cabeça recostada no encosto de olhos cansados.

- Por que esse sorriso bobo não abandona seu rosto? – Lizzy perguntou abrindo os olhos e a encarando.

- Que sorriso? – Char tentou disfarçar enquanto girava a chave e ligava o carro.

- Esse que está estampado no seu rosto desde a entrada do estúdio. – Lizzy rebateu desencostando-se e ligando o rádio.

Uns acordes muito familiares começaram a tocar, e as duas trocaram olhares muito significativos.

http://www.youtube.com/watch?v=I9ERZTQQ0vM
( a música do rádio)

Terminaram de cantar e começaram a rir juntas enquanto Lizzy diminuía o som que começava a tocar uma nova música.

- Todas as mulheres do mundo deviam saber a letra dessa música. – Charlotte falou enquanto fazia a curva.

- Deviam mesmo... mas não pense que vai fugir, senhorita Lucas. Esse seu sorriso “ eu-tenho-trinte e dois –dentes-bem-branquinhos-e-brilahntes” tem que ter uma explicação.

- Ora Lizzy. Estou feliz pela sessão ter dado certo. E só. – falou sem olhar para a amiga e repentinamente ficando muito concentrada na direção.

- É claro que sim! – Lizzy falou irônica. – e o Darcy não beija bem... – completou encarando a amiga que corou ao ouvir o comentário de Lizzy.

- Deixe de ser debochada! Pelo seu ar de feliz ontem a noite me pareceu que ele beija muito bem! – Charlotte comentou maliciosa. – e que ele também faz outras coisas muitíssimo bem. – completou rindo.

- Mas isso não vem ao caso. – Lizzy replicou colocando os pés em cima do banco. – eu sei que bicho te mordeu, e sei que o nome dele começa com Sebastian e termina com Donavon.

- Eu não consigo esconder nada, não é? – Char perguntou derrotada e estacionando o carro quando chegaram ao prédio.

- Não, não pode. E agora você vai me contar tudo. – Lizzy praticamente ordenou enquanto chamava o elevador.

- Tudo bem! Eu estava pegando as minhas coisas... – e Charlotte começou a narraf todo o acontecido.

***********************

Capítulo XXI


Capítulo XXI


Isabel conseguiu fugir da amiga enquanto se misturava a multidão que saía apressada, ansiando por um bom final de semana.

- O que é dela tá guardado!

Murmurou voltando a subir as escadas em direção ao andar da dança. Encontrou os corredores praticamente vazios, apenas uns professores conversavam enquanto saiam de suas salas carregando pastas que pareciam estar um pouco pesadas.

Lizzy entrou no vestiário feminino que se encontrava deserto. Apoiou sua bolsa em cima dos bancos e olhou-se no espelho. Estava um pouco corada devido ao tempo que passara sob o sol, e achou que a nova coloração lhe dava um ar mais saudável.

Sorriu lembrando-se de sua mãe e de quando passava uns dias em sua fazendo com os pais. A Sra Bennet sempre lhe dizia que o tempo maluco da cidade lhe deixava com um ar de doente e sempre insistia para que ela e Jane comecem mais quando a visitavam.

Lizzy soltou uma pequena risada e abriu a bolsa. Tirou algumas sapatilhas que estavam dentro de saquinhos de pano e apoiou ao seu lado. Já fazia um tempo que não utilizava aquela bolsa, e resolvera naquela manhã, não sabia o porquê, usar aquela bolsa.


- Eu não acredito que esse vestido estava aqui!

Disse em voz alta ao retirar um lindo vestido vermelho.

http://www.pasiontango.net/slike/tangofashion1.jpg
( vestindo vermelho)

Lizzy lembrou-se da primeira vez que o usara, que fora a primeira vez que dançava um tango. Estava muito nervosa no dia, mas acabou que a apresentação foi um sucesso.

O vestido era de um vermelho forte e um rasgo lateral subia até o meio das pernas. Nas costas, ele era cavado até o final das costas, com algumas tiras cortando no final e deixando metade das costas completamente nua. As alças eram delicadas e o tecido maleável, que balançava suavemente com o menor movimento.

- Acho que vou usar você hoje...

Lizzy falou fechando sua bolsa e procurando uma cabine vazia para trocar de roupa. Tirou o short jeans que usava e a regate e vestiu o vestido. Saiu da cabine e olhou-se no espelho com um sorriso. Sempre se achara muito bonita com ele.

- Não é que você ainda cabe, mesmo depois de quatro anos?

Comentou divertida e calçou as sapatilhas, indo em direção a sala para começar o novo ensaio com Darcy.

Quando entrou na sala, Darcy já a esperava encarando a rua por um dos imensos vitrais. A luz da Lua, se é que era possível, o deixava mais bonito ainda, e lhe dava uma aura de mistério completamente envolvente.

A luz de algumas estrelas que começavam a surgir no céu parecia refletir nos intensos olhos azuis. Uma mão descansava despreocupadamente sobre o parapeito enquanto a outra bagunçava displicentemente os cabelos.

- Boa noite, Lizzy!

Ele a cumprimentou sem se virar para olhá-la. Lizzy parou aonde estava e fitou a nuca de Darcy curiosa.

- Como sabia que eu estava chegando? – ela perguntou.

- Seu perfume de rosas. – ele respondeu finalmente se virando. – e eu a vi pelo vidro... – completou apontando para a janela.

- Eu deveria ter imaginado... – murmurou apoiando as coisas em um banco. – vamos começar? – perguntou se aproximando.

- Esse vestido... você nunca o usou. – Darcy deixou escapar enquanto olhava bobamente para Elizabeth.

Lizzy estava realmente deslumbrante com aquele vestido. A cor forte, vermelha, contrastava com a pele alva e o corte deixava suas curvas trabalhadas pela dança mais ressaltadas.

- Ele já é antigo... Achei-o sem querer. – explicou sorrindo.

- Deveria usá-lo mais vezes... – Darcy comentou se aproximando.

Lizzy apoiou levemente a mão sobre um dos ombros de Darcy e a outra encontrou sua mão. Darcy a puxou mais para perto, colando seu corpo ao dela.

A música começou e Lizzy sentiu Darcy pressionar sua cintura, começando a conduzi-la pela sala.

“ Isso só pode ser castigo...

Lizzy pensava enquanto sentia a mãe de Darcy deslizar sedutoramente e de uma forma muito insinuante enquanto a outra segurava-a firmemente nas costas, e como o vestido era aberto atrás, o contato de pele com pele era praticamente inevitável.

Para Darcy a situação também não era a das mais fáceis. Ele vinha se controlando noite após noite para não beijar Elizabeth como desejava fazer desde o baile da academia, e essa noite estava mais difícil do que poderia suportar. Era um verdadeiro atentado aos seus nervos. (N/a : e os das leitoras também, diga-se de passagem...)

Lizzy estava mais bonita do que se lembrara um dia tê-la visto. Não estava tão bem arrumada quanto no baile, é claro, mas o jeito frouxo com que prendia o coque fazendo alguns fios se soltaram, o vestido que contrastava com a pele clara, os lábios carmim que parecia cada vez mais sedutores e convidativos, a pele suave e o toque em seu corpo... Tudo colaborava para seu desejo aumentar cada vez mais.

Lizzy estava completamente hipnotizada e exasperava-se ao pensar que o motivo estava ali, bem na sua frente, sedutor como sempre, implorando para que ela beijasse aqueles lábios. Não, aquilo não estava certo! Ela não deveria se envolver com uma pessoa que estivesse trabalhando com ela! Não deveria. Mas se envolveu, e não havia mais nada que pudesse fazer para mudar isso.

E por que mudar? Ela não queria mudar. E não queria mais se importar com o que as pessoas falariam. Queria viver o que estava sentindo.

O que um simples tango reservava para duas pessoas completamente desavisadas sobre seus sentimentos...

Tango era isso: uma mistura de sentimentos, um misto de desejo proibido e paixão reprimida. Isso o fazia mais...não havia palavras para descrever.

Ambos estavam distraídos com seus pensamentos e guiavam-se ao som da música. Perfeita. A coreografia estava perfeita.

Os últimos acordes se dissiparam no ar e Darcy e Lizzy continuaram se encarando, ela perigosamente perto, ele perigosamente sedutor.

Darcy começou a andar, conduzindo Lizzy, mas dessa vez para uma dança sem música. Uma dança deles. Lizzy o acompanhou com movimentos rápidos.

Darcy sabia perfeitamente o que estava fazendo. Ele seguia os movimentos que seu corpo queria fazer, e se Lizzy o acompanhava era porque ela também o queria.

Giros, pernas, jogadas, “encontrões” e emoções guiaram essa dança livre. Darcy guiava, e Lizzy o acompanhava de uma maneira incomum, seus corpos pareciam se comunicar e tudo encaixava perfeitamente, como se fossem feitos em moldes criados para pertencerem um ao outro.

Uma última pose. A perna direita de Lizzy insinuantemente envolta nos quadris de Darcy, uma mão o arranhando nas costas levemente, a outra descansando sobre o peito.

Estavam próximos, a distancia era tão pequena que um curto movimento a anularia. Um simples passo anularia a distancia no que os separava.

Não podiam mais agüentar e resistir ao apelo de seus próprios corpos. Darcy encostou Lizzy de encontro à parede, a perna dela ainda em volta de sua cintura.

Ele aproximou-se mais, tentando acabar com a lei que diz que dois corpos não podiam ocupar o mesmo espaço. Moldou seu corpo perfeitamente ao dela. A mão direta deslizou pelo pescoço, traçando uma trilha de fogo até alcançar os cabelos e soltá-los, fazendo-os cair em cascata.

Lizzy enterrou suas duas mãos nos cabelos de Darcy e o puxou para perto, e ele, aproveitando a aproximação, tomou-lhe os lábios. Amor, paixão, carinho.

As línguas dançavam em perfeita sincronia, proporcionando um turbilhão de sentimentos incontroláveis, que começavam com um frio na espinha e tornavam-se um calor repentino que se apossava de seus corpos.

Fizeram o que seus corpos mandavam, mas agora já não era mais suficiente.

Queriam se provar, tocar, descobrir cada pedacinho do corpo um do outro, memorizar para nunca mais esquecer. As mãos de Darcy passeavam livremente pela cintura de Lizzy, que acariciava a nuca e as costas de Darcy.

Separam-se. Olharam-se nos olhos.

- Me leva para casa...- Lizzy pediu o encarando nos olhos e sorrindo... aquela seria uma longa noite....

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Capítulo XIX

Capítulo XIX

Depois de ensaiarem algumas vezes as primeiras partes da coreografia, faltou apenas o giro que haviam ensaiado na ultima noite.

Lizzy se aproximou lentamente de Darcy e segurou uma de suas mãos enquanto pousava suavemente uma das mãos em seu ombro.

- Lembra-se de como se faz o giro que ensaiamos aula passada?

Lizzy perguntou encarando os olhos azuis de Darcy. Sentiu que os pelos de sua nuca se arrepiavam levemente e desviou os olhos para controlar-se.

“ Agüente Lizzy... pelo menos até o final do ensaio...Não! Eu não posso agarrá-lo! Tire isso da cabeça Elizabeth Bennet! Você anda convivendo demais com a Isabel... ”

Pensou enquanto sentia que Darcy pousava uma das mãos em sua cintura, apertando-a delicadamente.

- Acho que sim. – ele respondeu puxando-a para mais perto de si, fazendo com que seus corpos ficassem quase colados.

- Que bom. Então fazemos os dois passos de avanço e o giro ok? – Darcy concordou com a cabeça – 5,6, 5,6,7 e 8!

Começaram a dançar. Lizzy se surpreendia cada vez mais. De uma noite para a outra, Darcy fazia uma evolução fantástica, e parecia mais seguro de si. Sorriu internamente e fez o giro. Darcy a apoiou, posicionando sua mãos esquerda e umas das coxas de Lizzy.

“ Ai não! Essa posição é um atentado ao meu auto-controle.”

Ela pensou enquanto sentia a mão de Darcy apertar-lhe sedutoramente a perna. Inconscientemente, ela apertou mais o ombro de Darcy, arranhando-o levemente, o que fez o músculo de Darcy contrair-se em um espasmo involuntário.

Ficaram parados naquela posição tentadora, encarando-se nos olhos como se estivessem hipnotizados pelo brilho encontrado em seus olhares.

Lizzy desceu a perna da posição lateral em que estava e passou os braços pelo pescoço de Darcy, que instintivamente puxou-a mais para perto.

Os lábios estavam a milímetros um do outro. Podiam sentir o batimento rápido de seus corações, que pareciam bater em perfeita sincronia, em um único compasso.

Lizzy arranhava Darcy levemente, atiçando-o ainda mais. A mão de Darcy pousada provocantemente na cintura de Lizzy também não ajudava em nada. A sala, como sempre, estava na mais completa penumbra, sendo apenas um pino de luz do luar se infiltrando pela janela, e ironicamente eles estava sob ele.

A luz da lua refletida nos olhos de Darcy, tornando-os mais misteriosos e encantadores do que nunca tiraria qualquer uma do sério.

- Darcy?

Ouviram Georgiana chamar pela porta que ficara entreaberta. Como se levassem um choque e percebessem o quanto estavam próximos, afastaram-se, cada um olhando para um ponto da sala.

Lizzy recriminou-se mentalmente pelo descontrole e seguiu até o banco onde suas coisas estavam espalhadas.

Darcy, internamente frustrado com a interrupção da irmã, seguiu até a porta e a abriu para que a pequena entrasse.

- Por que vocês estão nesse escuro?

Ela perguntou entrando na sala e sentando-se ao lado de Lizzy que tirava as sapatilhas e massageava um pouco os pés.

- Eu tenho mania de dançar no escuro, e seu irmão não se incomoda. É mais fácil para as idéias fluírem.

Lizzy respondeu sorrindo.

- Vamos Darcy? Titia já ligou preocupada com a demora.

Georgiana perguntou encarando o irmão. Lizzy anunciou que já tinham acabado a coreografia e ensaiado o suficientemente por aquela noite e o liberou.

Cumprimentaram-se com um aceno, já que Georgie o puxava um pouco impaciente e Lizzy viu Darcy sumir na escuridão.

Deitou no banco de madeira encarando o teto. O que estaria se passando por sua cabeça quando quase o beijara?

Darcy era realmente era um atentado ao seu juízo, auto-controle, e determinação.

Homens como esses deviam ser proibidos de andar por ai!

Pensava enquanto saia da academia e seguia para casa.

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Na manhã de sexta-feira, Lizzy novamente chegou cedo na academia e começou a ensaiar os passos da sua coreografia solo. Não demorou muito e deu-se por satisfeita. A coreografia já estava praticamente perfeita e não havia mais o que ensaiar.

- Bem... vou passar só mais uma vez, só pra garantir...

Murmurou religando a música. Quando a seqüência estava prestes a começar, o celular que estavam em cima do banco começou a tocar histericamente.

- ODEIO CELULÀRES!!

Lizzy gritou fechando os olhos e perdendo toda a concentração. Se tinha uma coisa que odiava era celular e telefone. Sempre os achara a coisa mais inconveniente do mundo. E eles pareciam persegui-la nas horas mais impróprias.

Caminhou lentamente até o banco e atendeu o telefone mais com um resmungo do que com uma saudação.

- “ Que mau humor Lizzy!

Ela ouviu a voz de Charlotte rindo do outro lado da linha. Teve vontade de dar uma resposta mal criada, mas se conteve.

- Oi Char... o que foi?

Perguntou desistindo de ensaiar e tirando as sapatilhas. Com certeza Charlotte a queria para alguma coisa, e provavelmente essa coisa demoraria.

- “ Você poderia dar uma passadinha aqui no escritório para trazer aquele vestido que você usou na noite do baile da academia? Eu deixei-o em uma lavanderia no caminho. Faz isso por mim?

Charlotte pediu com uma voz de criança pidona. Lizzy revirou os olhos.

- Tudo bem... em qual lavanderia?

Perguntou enquanto calçava os chinelos e retirava o cd do som. Pegou a bolsa em cima do banco enquanto desligava o telefone e ia em direção ao vestiário para trocar de roupa.

Pos uma saia jeans e uma blusa regata rosa, bem básica como gostava, e voltou para os armários.

- Bom dia Lizzy!

Jane cumprimentou enquanto chegava em seu armário. Um sorriso persistente decorava o rosto bonito de Jane. Lizzy balançou a cabeça, feliz por sua irmã.

- Boa dia. Me dá a chave do carro? Preciso fazer um favor para a Charlotte...

Pediu fechando o armário. Jane lhe entregou a chave sem muitas perguntas. Lizzy duvidou que ela tivesse prestado atenção no que lhe dissera e sorriu ao ver a irmã sair em direção à sala cantarolando uma balada romântica.

Encontrou o carro sem muitas dificuldades e dirigiu até a lavanderia onde Charlotte disse que estaria o vestido. Pegou-o rapidamente enquanto xingava mentalmente um dos atendentes que ficara jogando charmes descaradamente para ela e colocou-o cuidadosamente no banco de trás, tentando deixá-lo sem nenhum amasso.

Chegou na pequena praça onde funcionava o escritório de Charlotte. Achou uma vaga facilmente e estacionou o carro. Pegou o vestido cuidadosamente e apertou o botão da porta do escritório.

A pracinha continuava romântica e florida como da última vez. Uns passarinhos se banhavam na fonte felizes e piando alto. O sol iluminava tudo dando um aspecto maravilhoso.

- Em que posso ajudá-la?

Uma senhora baixinha e com sorriso bondoso perguntou obtendo a atenção de Lizzy que sorriu e explicou que viera trazer um vestido para a amiga.

- Oh sim, a srta Lucas me avisou que viria. Entre, ela está na sala do produtor de moda.

A senhora falou enquanto a guiava por entre ilhas de pequenas salas com paredes de vidro, o que permitia ver o que acontecia em cada ambiente.

Algumas mulheres falavam ao telefone ao mesmo tempo em que desenhavam algumas roupas em um enorme caderno de folhas brancas encapados de couro. Outras simplesmente arrumavam gráficos em seus computadores enquanto sacudiam os pés distraidamente ao som da música que tocava baixinha em todo ao ambiente.

Em meio a tantas mulheres, alguns homens trabalhavam fazendo algumas edições e olhando milhares de revistas de moda ao mesmo tempo.

- Chegamos!

A senhora anunciou enquanto abria a porta da sala de vidro onde Charlotte discutia sentada em cima da mesa com um moreno de sorriso charmoso.

- Lizzy! Finalmente!

Charlotte cumprimentou enquanto descia da mesa com um salto e pegava o vestido da mão da amiga que ainda olhava tudo com um certo interesse. Os olhos de Lizzy caíram displicentemente em cima do homem que as observava com um sorriso e com um estalo, reconheceu-o.

Ei! Esse homem era o tal que estava com Charlotte ontem!

- Lizzy, quero lhe apresentar meu amigo e fotógrafo, Sebastian Donavon.

Charlotte apresentou percebendo o pequeno interesse que a amiga demonstrava pelo amigo. Sebantian caminhou até Lizzy e beijou-lhe a mão educadamente.

- É um prazer conhecer a tão famosa Elizabeth Bennet!

Ele falou sorrindo e dando uma piscadela discreta para Charlotte. Lizzy sentiu que corava e sorriu, simpatizando com ele.

- Elizabeth sim, mas famosa é por sua conta!

Respondeu sorrindo e indo ajudar a amiga que parecia atrapalhada para retirar a capa que cobria o vestido.

- Obrigada Lizzy. Ajude-me a colocá-lo no manequim?

Pediu retirando cuidadosamente o vestido. Lizzy se adiantou e ajudou a amiga. O vestido ficara lindo, realmente.

http://z.about.com/d/fashion/1/7/X/i/2/keira.jpg
(imaginem ele sem essa cauda de sereia. O vestido é de Vera Wang, pra quem não lembra, é esse... huhuahu)

- Muito bonito Charlotte... você me surpreende cada vez mais!

Sebastian falou enquanto olhava o vestido minuciosamente. Charlotte ostentava um sorriso de orelha a orelha, evidentemente orgulhosa de sua própria criação.

- Bem, já vou indo Char. Daqui a pouco eu tenho aulas.

Lizzy falou enquanto abria a porta para sair e voltar para a academia.
Sebastian levantou os olhos do detalhe que analisava na barra do vestido e fitou Lizzy.

- Posso fazer um último pedido antes que você vá?

Perguntou. Lizzy concordou com um aceno de cabeça e voltou a fechar a porta. Charlotte olhou de Lizzy para Sebastian curiosa e acabou sorrindo.

- Vista o vestido para que eu o veja em uma modelo?

Pediu fazendo a melhor cara de criança pidona que pode. Charlotte aumentou ainda mais o sorriso como se fizesse parte de uma conspiração e voltou a se sentar na mesa.

- Ahn... Acho que não teria problemas...

Lizzy falou sem muita segurança. Bem, já o usara uma vez... que mal faria se o colocasse uma outra vez?

Charlotte pareceu exultante a levou até uma sala onde as paredes não eram de vidro para que Lizzy pudesse trocar de roupa longe de alguns olhares indiscretos.

- Char... Pra que você me pediu o vestido?

Perguntou já esperando uma certa resposta. Charlotte abriu o zíper e o entregou para Lizzy.

- Bem...eu comentei com Alicia, uma das estilistas de uma loja de roupas que havia desenhado o vestido. E ela pareceu interessada em vê-lo. Daqui a pouco deve estar aparecendo por ai. Marcamos a reunião para daqui a pouco.

Explicou consultando o relógio de pulso.

- Se é isso... por que Sebastian Donavon está aqui?

Perguntou encarando a amiga enquanto subia o vestido cuidadosamente. Charlotte corou levemente e pareceu repentinamente interessada na cortina da janela.

- Ele é o fotógrafo do catálogo da loja... e se interessou em saber o que talvez fotografará.

- Bem convincente para quem não te conhece, mas eu te conheço há anos e você não me engana Srta Lucas... mas vamos discutir isso mais tarde, em casa...

Lizzy concluiu enquanto se virava para que Charlotte subisse o zíper. Andou até um espelho de corpo inteiro e fitou-o arrumando o vestido em seu próprio corpo.

- Vamos, seu príncipe encantado te espera...

Lizzy alfinetou saindo pela porta que a amiga mantinha aberta para ela. Sebastian, que estava encostado na mesa fitando o nada, olhou para elas e abriu um sorriso.

- Bem melhor. Gostei muito do vestido Charlotte. Tenho certeza que Alicia também gostará.

Ele falou admirando o vestido. Lizzy ficou um pouco envergonhada e abaixou os olhos.

- Srta Lucas? A Srta Alicia chegou.

A mesma senhora que levara Lizzy até a sala abriu a porta e anunciou Alicia, dando passagem para uma mulher jovem de sorriso agradável. Lizzy sentiu-se mais envergonhada ainda, desejando que um buraco enorme se abrisse no chão e que ela fosse engolida por ele.

- Charlotte! Que bom revê-la!

Alicia, uma mulher loira de curtos cabelos loiros e olhos azuis claros e brilhantes cumprimentou Charlotte com um aperto de mão. Cumprimentou Sebastian com um aceno de cabeça e voltou-se para Lizzy.

http://atuleirus.weblog.com.pt/arquivo/cameron_diaz14.jpg
( olha a Alicia... huauha)

- Este é o vestido que você desenhou?

Perguntou direcionando a suas atenções para o vestido que Lizzy usava. Uma vontade de sumir maior que a anterior tomou conta de Lizzy. Mas ao invés de externar seu constrangimento, arrumou sua postura e fez sua melhor pose de modelo, que poderia jurar, estava ridícula. Mas... quem está na chuva é para se molhar.

- Este mesmo... eu o desenhei especialmente para Elizabeth ir na festa de gala da academia.

Charlotte respondeu disfarçando bem seu nervosismo. Alicia parecia realmente impressionada. Depois de alguma discussão, que Lizzy ouviu atentamente e calada em seu canto, Alicia parecia satisfeita.

- Então... acho que teremos seu vestido em nossa nova coleção!

Alicia anunciou com um sorriso. Charlotte parecia eufórica, e era bem capaz de sair pulando e dando gritinhos por toda a sala, mas manteve-se calma e apenas sorriu, sendo abraçada carinhosamente por Sebastian.

- Só temos um pequeno problema... não teremos tempo de costurar um novo vestido até amanhã. Como vocês bem sabem, confeccionamos nossos vestidos à mão, o que explica o porque de serem poucos a venda. E não teremos tempo de fazer um novo até amanhã de manhã.

Isso parecia um grave problema, pelo menos para Charlotte e Lizzy que pareceram momentaneamente desoladas. A próxima coleção ainda demoraria para ser lançada, e se não fotografassem o vestido ele não entraria na coleção. Mas Sebastian sorriu e virou-se para Lizzy.

- Tenho certeza que Elizabeth não se incomodaria em ceder o vestido amanhã.

- Claro... com o maior prazer!

Lizzy concordou rapidamente, sorrindo e feliz por acharem uma solução para o pequeno... “problema”. Charlotte não pareceu tão animada...

- Mas temos um pequeno problema... o vestido foi feito na medida para Lizzy... não sei se caberia em mais alguém...

( N/a: sei que esse não é um bom motivo...mas vocês vão ver o que a minha mente maquiavélica aguarda para nossa Lizzy.. huauhah)

Todos encararam Lizzy ao mesmo tempo. Estava em suas mãos o sucesso da amiga... e agora?

terça-feira, novembro 30, 2010

Ultimos capítulos

amores quem quizer animar os nossos ultimos capítulos mandem seus banners para ballet.mara@hotmail.com, ballet.maraa@gmail.com ou luisa.plant@hotmail.com
beijos a todos

Capítulo XX


Capítulo XX

Lizzy voltou para casa com um turbilhão passado por sua cabeça. Seu teste estava apavorantemente próximo, e agora surgiu do meio do mais completo nada aquela situação com Charlotte e o vestido.

É claro que fotografaria com o vestido para o catálogo. Charlotte criara o vestido especialmente para ela sem pedir nada em troca, e isso era o mínimo que poderia fazer em retribuição.

Lizzy estava completamente apavorada com a idéia de comparecer em um estúdio de fotografia no dia seguinte e ser fotografada por Sebastian com mais quinhentas pessoas cuidando de sua aparência ao mesmo tempo. Já fora suficientemente estranho ter sido arrumada por Jane e Charlotte para uma festa, que dirá ser arrumada por estranhos para ser fotografada.

Lizzy nem teve cabeça para retornar para a academia naquele dia. Já perdera as aulas mesmo, e seu ensaio com Darcy seria apenas ao final da noite. Resolveu, então, ir até o antigo parque perto dali.

O parque em questão era pouquíssimo conhecido, o que dava a Lizzy uma sensação de paz e calma impressionante, além de ter um morro cujo visual era incrível. Adorava ir ali para pensar sobre a vida e criar suas coreografias.
Parou o carro em uma ruela próxima, e caminhou até a entrada deserta. Não caminhou muito e Lizzy começou a sentir que o ar se renovava em seus pulmões, mais limpo e fresco do que o ar poluído e pesado da cidade.

As árvores lançavam uma sombra agradável sobre a trilha e alguns pássaros cantavam felizes em suas arvores. Alguns outros voavam de cá para lá levando galinhos em seus bicos, montando um pequeno ninho para os futuros passarinhos.

Um ou outro esquilo passava correndo pela trilha, segurando uma grande e suculenta noz, ou simplesmente perseguindo algum bichinho qualquer. Algumas flores brotavam junto aos grandes troncos de arvores, atraindo várias borboletas que bailavam ao seu redor como se tentassem a encantar com suas cores exuberantes.

Lizzy sentiu-se livre de qualquer preocupação que poderia ocupar-lhe a mente. Saiu da trilha e caminhou pela grama até alcançar uma pequena clareira, onde o sol batia um pouco mais forte, já que as arvore não ficavam tão próximas uma das outras.

Sentou-se na grama que ainda estava um pouco úmida de orvalho e descalçou os sapatos. Fechou os olhos e ouviu a melodia da natureza. Sentiu mais intensamente a brisa soprando-lhe delicadamente os cabelos, como se tentasse tirá-los de sua face para que não a incomodassem.

Os raios de sol a aqueciam, fazendo com que sentisse cada parte de seu corpo relaxar, como se eles a acariciassem e massageassem seus músculos.


Uma borboleta, que rondava uma flor próxima a Lizzy, se aproximou lentamente e pousou em seu nariz. Lizzy riu gostosamente, mesmo assim a borboleta não foi embora, e continuou pousada sossegadamente, como se Lizzy fosse a flor mais bonita de todo o parque.

- Acho que ela está te confundindo com uma flor...

Uma voz grave e com um tom levemente divertido falou próxima à entrada da clareira. Lizzy abriu os olhos assustada, o que finalmente assustou a borboleta que voou indignada até uma outra flor ainda ali perto.

Darcy a fitava encostado em uma arvore. Sorria de uma maneira encantadora, e usava uma blusa branca de linho e uma calça bege, dando-lhe um ar leve. Lizzy sorriu ao reconhecê-lo, porem continuou sentada em seu lugar, apenas fitando-o e sorrindo.

- Não sabia que mais alguém conhecia esse lugar... pensei que fosse um refugio só meu.

Ele comentou se aproximando e sentando-se debaixo de uma arvore, recostando-se no tronco.

- Eu também pensei que ele era só meu...

Lizzy respondeu tapando o Sol com a mão para que pudesse enxergar Darcy melhor.

- Como encontrou esse lugar?

Ele perguntou enquanto acompanhava um passarinho persistente tentando carregar um galho maior do que podia. Lizzy começou a acompanhar o passaro também e respondeu sem desviar o olhar:

- Eu estava caminhando um dia desses, ouvindo música com meu I-pod e acabei saindo da trilha enquanto seguia um gatinho que ainda era filhote. E cheguei aqui. E você?

Ele se virou para ela, sorriu e voltou a acompanhar o passaro. Os dois não se olhavam como se fosse perigoso manterem contato visual por muito tempo.

- Minha mãe costumava vir meditar aqui... ela gostava da calma que esse lugar passava... e acabei pegando o hábito.

Ele respondeu fechando os olhos. Lizzy sentiu que invadia um pouco da privacidade de Darcy mesmo que inconscientemente e achou melhor ir embora. Já estava um pouco tarde e daqui a pouco teria que retornar a academia e devolver o carro para Jane.

- Eu tenho que ir... Jane deve estar esperando pelo carro... até mais tarde... então.

Lizzy falou enquanto se levantava. Bateu com a mão no short para que algumas gramas desgrudassem e sorriu. Darcy lançou-lhe um olhar misterioso e continuou sentado.

- Até mais tarde... – parecendo perceber que talvez cometera uma indelicadeza, completou – quer que eu a acompanhe até o carro?

- Não precisa... – Lizzy respondeu sorrindo . – não quero atrapalhar sua meditação.

Acenou e desapareceu por entre as arvores. Darcy voltou a se encostar na arvores e fechou os olhos com força.

- Seu idiota! – murmurou.

Sua vontade era de ir atrás dela e acompanhá-la mesmo que contra a vontade dela, mas não poderia ser tão mal educado assim e privá-la de um momento de privacidade, já que ele mesmo interrompera o que ela estava tendo.

***********************************
Lizzy retornou para a academia e devolveu as chaves para uma Jane que continuava tão sorridente quanto mais cedo. Ela nem ao menos fizera perguntas de irmãs como:

“ Por que você faltou a aula?”

“ Onde você estava?”

E por ai segue. Jane simplesmente pegou as chaves que Lizzy oferecia de forma mecânica e saiu andando com um sorriso bobo nos lábios.

Lizzy ficou parada no meio do corredor com uma expressão estranha, um misto de choque e divertimento, quando sentiu uma mãos pousar levemente em seu ombro, forçando-a a virar-se para o outro lado.

- Lizzy, onde você estava? Procurei por você na academia inteira!

Isabel reclamou ainda carregando frouxamente as sapatilhas de ponta na mão esquerda.

- Você não acreditaria se eu contasse. Vamos para o refeitório. Lá nós sentamos e eu te conto a história toda.

Caminharam rapidamente até o refeitório, Isabel estava quase correndo. Sentaram-se em uma mesa perto de uma grande janela e pediram um suco de laranja para beberem. ( N/a: Não, foi para comerem autora lesada) .

- Desembucha. O que aconteceu para deixar você com a cabeça no mundo da lua a ponto de esquecer das suas aulas?

Lizzy narrou tudo que lhe acontecera desde a ida até o ateliê de Charlotte até o encontro com Darcy no parque. Isabel ouvia tudo atentamente, e ao final da narrativa, um sorriso sapeca brincava em seus lábios.

- Que sorriso é esse?

Lizzy perguntou ao ver que a amiga continuava sorrindo de uma forma que não lhe agradava muito.

- E você não o agarrou? Estou esperando pelo final da história do parque.

- Eu não o agarrei! – Lizzy protestou revirando os olhos. – Queria que eu fizesse o que? O tivesse jogado de encontro a uma árvore e beijado?

- Aham... Exatamente isso. Você é uma menina de atitude Elizabeth! Devia tê-lo jogado na árvore a chamado de lagartixa! – Bel respondeu rindo.

- Ah Isabel! Antes que eu me esqueça, vai tomar...- Lizzy começou extremamente irritada com a amiga.

- Olha o palavreado, mocinha! – Isabel censurou em meio aos risos.

- Eu ia dizer vai tomar banho! – Lizzy defendeu-se. – Mas você com sua mente poluída e vocabulário de baixo calão pensaram logo em uma bobeira né?

- È a convivência com você, cara Lizzy! – Isabel respondeu se levantando de um salto e saiu correndo pelo refeitório, atraindo olhares nada discretos.

- Eu te pego, seu pau de arara ambulante! – Lizzy gritou levantando-se também e indo atrás de uma Isabel que simplesmente estava lascada.