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quinta-feira, dezembro 02, 2010

Capítulo XIX

Capítulo XIX

Depois de ensaiarem algumas vezes as primeiras partes da coreografia, faltou apenas o giro que haviam ensaiado na ultima noite.

Lizzy se aproximou lentamente de Darcy e segurou uma de suas mãos enquanto pousava suavemente uma das mãos em seu ombro.

- Lembra-se de como se faz o giro que ensaiamos aula passada?

Lizzy perguntou encarando os olhos azuis de Darcy. Sentiu que os pelos de sua nuca se arrepiavam levemente e desviou os olhos para controlar-se.

“ Agüente Lizzy... pelo menos até o final do ensaio...Não! Eu não posso agarrá-lo! Tire isso da cabeça Elizabeth Bennet! Você anda convivendo demais com a Isabel... ”

Pensou enquanto sentia que Darcy pousava uma das mãos em sua cintura, apertando-a delicadamente.

- Acho que sim. – ele respondeu puxando-a para mais perto de si, fazendo com que seus corpos ficassem quase colados.

- Que bom. Então fazemos os dois passos de avanço e o giro ok? – Darcy concordou com a cabeça – 5,6, 5,6,7 e 8!

Começaram a dançar. Lizzy se surpreendia cada vez mais. De uma noite para a outra, Darcy fazia uma evolução fantástica, e parecia mais seguro de si. Sorriu internamente e fez o giro. Darcy a apoiou, posicionando sua mãos esquerda e umas das coxas de Lizzy.

“ Ai não! Essa posição é um atentado ao meu auto-controle.”

Ela pensou enquanto sentia a mão de Darcy apertar-lhe sedutoramente a perna. Inconscientemente, ela apertou mais o ombro de Darcy, arranhando-o levemente, o que fez o músculo de Darcy contrair-se em um espasmo involuntário.

Ficaram parados naquela posição tentadora, encarando-se nos olhos como se estivessem hipnotizados pelo brilho encontrado em seus olhares.

Lizzy desceu a perna da posição lateral em que estava e passou os braços pelo pescoço de Darcy, que instintivamente puxou-a mais para perto.

Os lábios estavam a milímetros um do outro. Podiam sentir o batimento rápido de seus corações, que pareciam bater em perfeita sincronia, em um único compasso.

Lizzy arranhava Darcy levemente, atiçando-o ainda mais. A mão de Darcy pousada provocantemente na cintura de Lizzy também não ajudava em nada. A sala, como sempre, estava na mais completa penumbra, sendo apenas um pino de luz do luar se infiltrando pela janela, e ironicamente eles estava sob ele.

A luz da lua refletida nos olhos de Darcy, tornando-os mais misteriosos e encantadores do que nunca tiraria qualquer uma do sério.

- Darcy?

Ouviram Georgiana chamar pela porta que ficara entreaberta. Como se levassem um choque e percebessem o quanto estavam próximos, afastaram-se, cada um olhando para um ponto da sala.

Lizzy recriminou-se mentalmente pelo descontrole e seguiu até o banco onde suas coisas estavam espalhadas.

Darcy, internamente frustrado com a interrupção da irmã, seguiu até a porta e a abriu para que a pequena entrasse.

- Por que vocês estão nesse escuro?

Ela perguntou entrando na sala e sentando-se ao lado de Lizzy que tirava as sapatilhas e massageava um pouco os pés.

- Eu tenho mania de dançar no escuro, e seu irmão não se incomoda. É mais fácil para as idéias fluírem.

Lizzy respondeu sorrindo.

- Vamos Darcy? Titia já ligou preocupada com a demora.

Georgiana perguntou encarando o irmão. Lizzy anunciou que já tinham acabado a coreografia e ensaiado o suficientemente por aquela noite e o liberou.

Cumprimentaram-se com um aceno, já que Georgie o puxava um pouco impaciente e Lizzy viu Darcy sumir na escuridão.

Deitou no banco de madeira encarando o teto. O que estaria se passando por sua cabeça quando quase o beijara?

Darcy era realmente era um atentado ao seu juízo, auto-controle, e determinação.

Homens como esses deviam ser proibidos de andar por ai!

Pensava enquanto saia da academia e seguia para casa.

****************************************

Na manhã de sexta-feira, Lizzy novamente chegou cedo na academia e começou a ensaiar os passos da sua coreografia solo. Não demorou muito e deu-se por satisfeita. A coreografia já estava praticamente perfeita e não havia mais o que ensaiar.

- Bem... vou passar só mais uma vez, só pra garantir...

Murmurou religando a música. Quando a seqüência estava prestes a começar, o celular que estavam em cima do banco começou a tocar histericamente.

- ODEIO CELULÀRES!!

Lizzy gritou fechando os olhos e perdendo toda a concentração. Se tinha uma coisa que odiava era celular e telefone. Sempre os achara a coisa mais inconveniente do mundo. E eles pareciam persegui-la nas horas mais impróprias.

Caminhou lentamente até o banco e atendeu o telefone mais com um resmungo do que com uma saudação.

- “ Que mau humor Lizzy!

Ela ouviu a voz de Charlotte rindo do outro lado da linha. Teve vontade de dar uma resposta mal criada, mas se conteve.

- Oi Char... o que foi?

Perguntou desistindo de ensaiar e tirando as sapatilhas. Com certeza Charlotte a queria para alguma coisa, e provavelmente essa coisa demoraria.

- “ Você poderia dar uma passadinha aqui no escritório para trazer aquele vestido que você usou na noite do baile da academia? Eu deixei-o em uma lavanderia no caminho. Faz isso por mim?

Charlotte pediu com uma voz de criança pidona. Lizzy revirou os olhos.

- Tudo bem... em qual lavanderia?

Perguntou enquanto calçava os chinelos e retirava o cd do som. Pegou a bolsa em cima do banco enquanto desligava o telefone e ia em direção ao vestiário para trocar de roupa.

Pos uma saia jeans e uma blusa regata rosa, bem básica como gostava, e voltou para os armários.

- Bom dia Lizzy!

Jane cumprimentou enquanto chegava em seu armário. Um sorriso persistente decorava o rosto bonito de Jane. Lizzy balançou a cabeça, feliz por sua irmã.

- Boa dia. Me dá a chave do carro? Preciso fazer um favor para a Charlotte...

Pediu fechando o armário. Jane lhe entregou a chave sem muitas perguntas. Lizzy duvidou que ela tivesse prestado atenção no que lhe dissera e sorriu ao ver a irmã sair em direção à sala cantarolando uma balada romântica.

Encontrou o carro sem muitas dificuldades e dirigiu até a lavanderia onde Charlotte disse que estaria o vestido. Pegou-o rapidamente enquanto xingava mentalmente um dos atendentes que ficara jogando charmes descaradamente para ela e colocou-o cuidadosamente no banco de trás, tentando deixá-lo sem nenhum amasso.

Chegou na pequena praça onde funcionava o escritório de Charlotte. Achou uma vaga facilmente e estacionou o carro. Pegou o vestido cuidadosamente e apertou o botão da porta do escritório.

A pracinha continuava romântica e florida como da última vez. Uns passarinhos se banhavam na fonte felizes e piando alto. O sol iluminava tudo dando um aspecto maravilhoso.

- Em que posso ajudá-la?

Uma senhora baixinha e com sorriso bondoso perguntou obtendo a atenção de Lizzy que sorriu e explicou que viera trazer um vestido para a amiga.

- Oh sim, a srta Lucas me avisou que viria. Entre, ela está na sala do produtor de moda.

A senhora falou enquanto a guiava por entre ilhas de pequenas salas com paredes de vidro, o que permitia ver o que acontecia em cada ambiente.

Algumas mulheres falavam ao telefone ao mesmo tempo em que desenhavam algumas roupas em um enorme caderno de folhas brancas encapados de couro. Outras simplesmente arrumavam gráficos em seus computadores enquanto sacudiam os pés distraidamente ao som da música que tocava baixinha em todo ao ambiente.

Em meio a tantas mulheres, alguns homens trabalhavam fazendo algumas edições e olhando milhares de revistas de moda ao mesmo tempo.

- Chegamos!

A senhora anunciou enquanto abria a porta da sala de vidro onde Charlotte discutia sentada em cima da mesa com um moreno de sorriso charmoso.

- Lizzy! Finalmente!

Charlotte cumprimentou enquanto descia da mesa com um salto e pegava o vestido da mão da amiga que ainda olhava tudo com um certo interesse. Os olhos de Lizzy caíram displicentemente em cima do homem que as observava com um sorriso e com um estalo, reconheceu-o.

Ei! Esse homem era o tal que estava com Charlotte ontem!

- Lizzy, quero lhe apresentar meu amigo e fotógrafo, Sebastian Donavon.

Charlotte apresentou percebendo o pequeno interesse que a amiga demonstrava pelo amigo. Sebantian caminhou até Lizzy e beijou-lhe a mão educadamente.

- É um prazer conhecer a tão famosa Elizabeth Bennet!

Ele falou sorrindo e dando uma piscadela discreta para Charlotte. Lizzy sentiu que corava e sorriu, simpatizando com ele.

- Elizabeth sim, mas famosa é por sua conta!

Respondeu sorrindo e indo ajudar a amiga que parecia atrapalhada para retirar a capa que cobria o vestido.

- Obrigada Lizzy. Ajude-me a colocá-lo no manequim?

Pediu retirando cuidadosamente o vestido. Lizzy se adiantou e ajudou a amiga. O vestido ficara lindo, realmente.

http://z.about.com/d/fashion/1/7/X/i/2/keira.jpg
(imaginem ele sem essa cauda de sereia. O vestido é de Vera Wang, pra quem não lembra, é esse... huhuahu)

- Muito bonito Charlotte... você me surpreende cada vez mais!

Sebastian falou enquanto olhava o vestido minuciosamente. Charlotte ostentava um sorriso de orelha a orelha, evidentemente orgulhosa de sua própria criação.

- Bem, já vou indo Char. Daqui a pouco eu tenho aulas.

Lizzy falou enquanto abria a porta para sair e voltar para a academia.
Sebastian levantou os olhos do detalhe que analisava na barra do vestido e fitou Lizzy.

- Posso fazer um último pedido antes que você vá?

Perguntou. Lizzy concordou com um aceno de cabeça e voltou a fechar a porta. Charlotte olhou de Lizzy para Sebastian curiosa e acabou sorrindo.

- Vista o vestido para que eu o veja em uma modelo?

Pediu fazendo a melhor cara de criança pidona que pode. Charlotte aumentou ainda mais o sorriso como se fizesse parte de uma conspiração e voltou a se sentar na mesa.

- Ahn... Acho que não teria problemas...

Lizzy falou sem muita segurança. Bem, já o usara uma vez... que mal faria se o colocasse uma outra vez?

Charlotte pareceu exultante a levou até uma sala onde as paredes não eram de vidro para que Lizzy pudesse trocar de roupa longe de alguns olhares indiscretos.

- Char... Pra que você me pediu o vestido?

Perguntou já esperando uma certa resposta. Charlotte abriu o zíper e o entregou para Lizzy.

- Bem...eu comentei com Alicia, uma das estilistas de uma loja de roupas que havia desenhado o vestido. E ela pareceu interessada em vê-lo. Daqui a pouco deve estar aparecendo por ai. Marcamos a reunião para daqui a pouco.

Explicou consultando o relógio de pulso.

- Se é isso... por que Sebastian Donavon está aqui?

Perguntou encarando a amiga enquanto subia o vestido cuidadosamente. Charlotte corou levemente e pareceu repentinamente interessada na cortina da janela.

- Ele é o fotógrafo do catálogo da loja... e se interessou em saber o que talvez fotografará.

- Bem convincente para quem não te conhece, mas eu te conheço há anos e você não me engana Srta Lucas... mas vamos discutir isso mais tarde, em casa...

Lizzy concluiu enquanto se virava para que Charlotte subisse o zíper. Andou até um espelho de corpo inteiro e fitou-o arrumando o vestido em seu próprio corpo.

- Vamos, seu príncipe encantado te espera...

Lizzy alfinetou saindo pela porta que a amiga mantinha aberta para ela. Sebastian, que estava encostado na mesa fitando o nada, olhou para elas e abriu um sorriso.

- Bem melhor. Gostei muito do vestido Charlotte. Tenho certeza que Alicia também gostará.

Ele falou admirando o vestido. Lizzy ficou um pouco envergonhada e abaixou os olhos.

- Srta Lucas? A Srta Alicia chegou.

A mesma senhora que levara Lizzy até a sala abriu a porta e anunciou Alicia, dando passagem para uma mulher jovem de sorriso agradável. Lizzy sentiu-se mais envergonhada ainda, desejando que um buraco enorme se abrisse no chão e que ela fosse engolida por ele.

- Charlotte! Que bom revê-la!

Alicia, uma mulher loira de curtos cabelos loiros e olhos azuis claros e brilhantes cumprimentou Charlotte com um aperto de mão. Cumprimentou Sebastian com um aceno de cabeça e voltou-se para Lizzy.

http://atuleirus.weblog.com.pt/arquivo/cameron_diaz14.jpg
( olha a Alicia... huauha)

- Este é o vestido que você desenhou?

Perguntou direcionando a suas atenções para o vestido que Lizzy usava. Uma vontade de sumir maior que a anterior tomou conta de Lizzy. Mas ao invés de externar seu constrangimento, arrumou sua postura e fez sua melhor pose de modelo, que poderia jurar, estava ridícula. Mas... quem está na chuva é para se molhar.

- Este mesmo... eu o desenhei especialmente para Elizabeth ir na festa de gala da academia.

Charlotte respondeu disfarçando bem seu nervosismo. Alicia parecia realmente impressionada. Depois de alguma discussão, que Lizzy ouviu atentamente e calada em seu canto, Alicia parecia satisfeita.

- Então... acho que teremos seu vestido em nossa nova coleção!

Alicia anunciou com um sorriso. Charlotte parecia eufórica, e era bem capaz de sair pulando e dando gritinhos por toda a sala, mas manteve-se calma e apenas sorriu, sendo abraçada carinhosamente por Sebastian.

- Só temos um pequeno problema... não teremos tempo de costurar um novo vestido até amanhã. Como vocês bem sabem, confeccionamos nossos vestidos à mão, o que explica o porque de serem poucos a venda. E não teremos tempo de fazer um novo até amanhã de manhã.

Isso parecia um grave problema, pelo menos para Charlotte e Lizzy que pareceram momentaneamente desoladas. A próxima coleção ainda demoraria para ser lançada, e se não fotografassem o vestido ele não entraria na coleção. Mas Sebastian sorriu e virou-se para Lizzy.

- Tenho certeza que Elizabeth não se incomodaria em ceder o vestido amanhã.

- Claro... com o maior prazer!

Lizzy concordou rapidamente, sorrindo e feliz por acharem uma solução para o pequeno... “problema”. Charlotte não pareceu tão animada...

- Mas temos um pequeno problema... o vestido foi feito na medida para Lizzy... não sei se caberia em mais alguém...

( N/a: sei que esse não é um bom motivo...mas vocês vão ver o que a minha mente maquiavélica aguarda para nossa Lizzy.. huauhah)

Todos encararam Lizzy ao mesmo tempo. Estava em suas mãos o sucesso da amiga... e agora?

terça-feira, novembro 30, 2010

Ultimos capítulos

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beijos a todos

Capítulo XX


Capítulo XX

Lizzy voltou para casa com um turbilhão passado por sua cabeça. Seu teste estava apavorantemente próximo, e agora surgiu do meio do mais completo nada aquela situação com Charlotte e o vestido.

É claro que fotografaria com o vestido para o catálogo. Charlotte criara o vestido especialmente para ela sem pedir nada em troca, e isso era o mínimo que poderia fazer em retribuição.

Lizzy estava completamente apavorada com a idéia de comparecer em um estúdio de fotografia no dia seguinte e ser fotografada por Sebastian com mais quinhentas pessoas cuidando de sua aparência ao mesmo tempo. Já fora suficientemente estranho ter sido arrumada por Jane e Charlotte para uma festa, que dirá ser arrumada por estranhos para ser fotografada.

Lizzy nem teve cabeça para retornar para a academia naquele dia. Já perdera as aulas mesmo, e seu ensaio com Darcy seria apenas ao final da noite. Resolveu, então, ir até o antigo parque perto dali.

O parque em questão era pouquíssimo conhecido, o que dava a Lizzy uma sensação de paz e calma impressionante, além de ter um morro cujo visual era incrível. Adorava ir ali para pensar sobre a vida e criar suas coreografias.
Parou o carro em uma ruela próxima, e caminhou até a entrada deserta. Não caminhou muito e Lizzy começou a sentir que o ar se renovava em seus pulmões, mais limpo e fresco do que o ar poluído e pesado da cidade.

As árvores lançavam uma sombra agradável sobre a trilha e alguns pássaros cantavam felizes em suas arvores. Alguns outros voavam de cá para lá levando galinhos em seus bicos, montando um pequeno ninho para os futuros passarinhos.

Um ou outro esquilo passava correndo pela trilha, segurando uma grande e suculenta noz, ou simplesmente perseguindo algum bichinho qualquer. Algumas flores brotavam junto aos grandes troncos de arvores, atraindo várias borboletas que bailavam ao seu redor como se tentassem a encantar com suas cores exuberantes.

Lizzy sentiu-se livre de qualquer preocupação que poderia ocupar-lhe a mente. Saiu da trilha e caminhou pela grama até alcançar uma pequena clareira, onde o sol batia um pouco mais forte, já que as arvore não ficavam tão próximas uma das outras.

Sentou-se na grama que ainda estava um pouco úmida de orvalho e descalçou os sapatos. Fechou os olhos e ouviu a melodia da natureza. Sentiu mais intensamente a brisa soprando-lhe delicadamente os cabelos, como se tentasse tirá-los de sua face para que não a incomodassem.

Os raios de sol a aqueciam, fazendo com que sentisse cada parte de seu corpo relaxar, como se eles a acariciassem e massageassem seus músculos.


Uma borboleta, que rondava uma flor próxima a Lizzy, se aproximou lentamente e pousou em seu nariz. Lizzy riu gostosamente, mesmo assim a borboleta não foi embora, e continuou pousada sossegadamente, como se Lizzy fosse a flor mais bonita de todo o parque.

- Acho que ela está te confundindo com uma flor...

Uma voz grave e com um tom levemente divertido falou próxima à entrada da clareira. Lizzy abriu os olhos assustada, o que finalmente assustou a borboleta que voou indignada até uma outra flor ainda ali perto.

Darcy a fitava encostado em uma arvore. Sorria de uma maneira encantadora, e usava uma blusa branca de linho e uma calça bege, dando-lhe um ar leve. Lizzy sorriu ao reconhecê-lo, porem continuou sentada em seu lugar, apenas fitando-o e sorrindo.

- Não sabia que mais alguém conhecia esse lugar... pensei que fosse um refugio só meu.

Ele comentou se aproximando e sentando-se debaixo de uma arvore, recostando-se no tronco.

- Eu também pensei que ele era só meu...

Lizzy respondeu tapando o Sol com a mão para que pudesse enxergar Darcy melhor.

- Como encontrou esse lugar?

Ele perguntou enquanto acompanhava um passarinho persistente tentando carregar um galho maior do que podia. Lizzy começou a acompanhar o passaro também e respondeu sem desviar o olhar:

- Eu estava caminhando um dia desses, ouvindo música com meu I-pod e acabei saindo da trilha enquanto seguia um gatinho que ainda era filhote. E cheguei aqui. E você?

Ele se virou para ela, sorriu e voltou a acompanhar o passaro. Os dois não se olhavam como se fosse perigoso manterem contato visual por muito tempo.

- Minha mãe costumava vir meditar aqui... ela gostava da calma que esse lugar passava... e acabei pegando o hábito.

Ele respondeu fechando os olhos. Lizzy sentiu que invadia um pouco da privacidade de Darcy mesmo que inconscientemente e achou melhor ir embora. Já estava um pouco tarde e daqui a pouco teria que retornar a academia e devolver o carro para Jane.

- Eu tenho que ir... Jane deve estar esperando pelo carro... até mais tarde... então.

Lizzy falou enquanto se levantava. Bateu com a mão no short para que algumas gramas desgrudassem e sorriu. Darcy lançou-lhe um olhar misterioso e continuou sentado.

- Até mais tarde... – parecendo perceber que talvez cometera uma indelicadeza, completou – quer que eu a acompanhe até o carro?

- Não precisa... – Lizzy respondeu sorrindo . – não quero atrapalhar sua meditação.

Acenou e desapareceu por entre as arvores. Darcy voltou a se encostar na arvores e fechou os olhos com força.

- Seu idiota! – murmurou.

Sua vontade era de ir atrás dela e acompanhá-la mesmo que contra a vontade dela, mas não poderia ser tão mal educado assim e privá-la de um momento de privacidade, já que ele mesmo interrompera o que ela estava tendo.

***********************************
Lizzy retornou para a academia e devolveu as chaves para uma Jane que continuava tão sorridente quanto mais cedo. Ela nem ao menos fizera perguntas de irmãs como:

“ Por que você faltou a aula?”

“ Onde você estava?”

E por ai segue. Jane simplesmente pegou as chaves que Lizzy oferecia de forma mecânica e saiu andando com um sorriso bobo nos lábios.

Lizzy ficou parada no meio do corredor com uma expressão estranha, um misto de choque e divertimento, quando sentiu uma mãos pousar levemente em seu ombro, forçando-a a virar-se para o outro lado.

- Lizzy, onde você estava? Procurei por você na academia inteira!

Isabel reclamou ainda carregando frouxamente as sapatilhas de ponta na mão esquerda.

- Você não acreditaria se eu contasse. Vamos para o refeitório. Lá nós sentamos e eu te conto a história toda.

Caminharam rapidamente até o refeitório, Isabel estava quase correndo. Sentaram-se em uma mesa perto de uma grande janela e pediram um suco de laranja para beberem. ( N/a: Não, foi para comerem autora lesada) .

- Desembucha. O que aconteceu para deixar você com a cabeça no mundo da lua a ponto de esquecer das suas aulas?

Lizzy narrou tudo que lhe acontecera desde a ida até o ateliê de Charlotte até o encontro com Darcy no parque. Isabel ouvia tudo atentamente, e ao final da narrativa, um sorriso sapeca brincava em seus lábios.

- Que sorriso é esse?

Lizzy perguntou ao ver que a amiga continuava sorrindo de uma forma que não lhe agradava muito.

- E você não o agarrou? Estou esperando pelo final da história do parque.

- Eu não o agarrei! – Lizzy protestou revirando os olhos. – Queria que eu fizesse o que? O tivesse jogado de encontro a uma árvore e beijado?

- Aham... Exatamente isso. Você é uma menina de atitude Elizabeth! Devia tê-lo jogado na árvore a chamado de lagartixa! – Bel respondeu rindo.

- Ah Isabel! Antes que eu me esqueça, vai tomar...- Lizzy começou extremamente irritada com a amiga.

- Olha o palavreado, mocinha! – Isabel censurou em meio aos risos.

- Eu ia dizer vai tomar banho! – Lizzy defendeu-se. – Mas você com sua mente poluída e vocabulário de baixo calão pensaram logo em uma bobeira né?

- È a convivência com você, cara Lizzy! – Isabel respondeu se levantando de um salto e saiu correndo pelo refeitório, atraindo olhares nada discretos.

- Eu te pego, seu pau de arara ambulante! – Lizzy gritou levantando-se também e indo atrás de uma Isabel que simplesmente estava lascada.





domingo, novembro 21, 2010

Capítulo XVIII

Capítulo XVIII
Lizzy chegou em casa depois dos ensaios com Darcy e não encontrou Jane em casa. Charlotte já dormia esparramada em sua cama e Luciene dormia encolhida na sua.

Fechou a porta do quarto delas devagar e seguiu para a cozinha, para preparar alguma coisa para comer antes de dormir. Serviu um copo de leite e encostou-se na bancada de granito, esperando que o pão que havia posto na chapa ficasse pronto.

Pão comido e leite terminado, Lizzy ia saindo da cozinha quando lembrou do ateliê improvisado de Jane. Lançou um rápido olhar para a porta de entrada e verificou se alguma luz estava acessa, indicando a chegada de alguém. Estava tudo escuro.

Lizzy andou com passos leves até o ateliê e tentou abrir a porta. Estava trancada. Murmurou um “droga” e começou a procurar as chaves onde pudesse estar escondida. Procurou em vasos de plantas, embaixo de roupas e no armário de limpeza. Não encontrou em lugar nenhum. Bufou derrotada e foi para o quarto.

Despiu-se preguiçosamente e entrou no banho. Deixou a água quente escorrer-lhe pelas costas e suspirou cansada. Terminou de tomar banho rapidamente e vestiu o blusão que usava para dormir. Secou o cabelo com a toalha e deitou na cama. Adormeceu quase que instantaneamente, e sonhou mais uma vez com aqueles brilhantes olhos azuis e seu dono.

************************************************
Lizzy acordou na manhã seguinte com as energias recarregadas. Jane ainda dormia tranqüila em sua cama e com um sorriso singelo nos lábios. Lizzy riu baixinho ao ver a expressão suave da irmã e reparou em um casaco que não pertencia a Jane pendurado em uma cadeira da escrivaninha. Sorriu ao constatar que devia a pertencer ao tal Charles Bingley e saiu do quarto sem acordar a irmã.

Tomou um rápido café e seguiu de ônibus até a academia que estava praticamente vazia, com apenas alguns alunos de música preparando-se para os testes que seriam realizados para a apresentação de artes.

O estomago de Lizzy fez uma volta de 360º ao lembrar que o seu próprio teste seria daqui a quatro dias. Respirou fundo tentando se acalmar e dirigiu-se para a sala a fim de ensaiar sua coreografia solo, que não era ensaiada desde segunda à noite.

Deixou sua bolsa sobre o banco e ligou o som. Fez um pequeno aquecimento antes de começar a dançar e alongou-se bastante. Finalmente começou a passar a coreografia que já estava pronta e ficou contente ao notar que estava praticamente perfeita. Tinha uns pontos que tentaria melhorar, mas nada que acabasse com a coreografia em si.

- Ah, finalmente resolveu treinar a coreografia solo!

Isabel implicou com a amiga entrando na sala que Lizzy ensaiava e sentou-se no banco. Lizzy parou de dançar e sentou-se ao lado da amiga.

- Bom dia pra você também. – respondeu rindo. – Como vão os ensaios com Thomas?

Lizzy perguntou desligando a musica e tirando as sapatilhas de jazz que usava. Guardou-as na bolsa enquanto olhava a expressão feliz da amiga.

- Tem certeza que vocês estão ensaiando?

Perguntou rindo do tom rosado que a amiga ficou. Isabel a fuzilou com os olhos e resolveu entrar no joguinho de alfinetação da amiga.

- Um pouco dos dois ...mas e você? Tem conseguido ensaiar com um gostoso daqueles te apalpando?

Isabel devolveu na mesma moeda, recebendo em troca um olhar indignado. Riu da cara da amiga, o que fez Lizzy ficar mais lívida do que já estava.

- Para sua informação, Isabel Anne Morrits, eu estou trabalhando com ele, e não me divertindo.

Lizzy fez questão de frisar a palavra trabalhando, o que não mudou em nada a expressão sapeca que começava a se formar na amiga.

- Mais vai me dizer que não tem vontade de agarrar ele ali mesmo, e tasca um daqueles beijos maravilhoso? Oh, aqueles lábios não me enganam não... tem a maior cara de ser carnudinho e bom de beijar, além de que ele deve ter a maior pegada!

Continuou provocando Lizzy que pareceu um pouco desconcertada. Ela realmente tinha vontade de beijá-lo e provar daqueles lábios que prometiam ser maravilhosos, e corou ao perceber que já havia reparado neles, mesmo que
inconscientemente. Mas não perdeu a pose diante da amiga, mesmo que todas as “acusações” fossem verdadeiras.

- Ele é bonito sim, mas a minha relação é estritamente profissional, e nada mais. E, além disso, se eu me envolver com ele, mesmo que seja apenas um beijo, todas as línguas maldosas falariam que passei no teste, isso se eu passar, pelo simples fato de estar envolvida com o dono da academia. E eu não quero isso.

Com esse discurso tão convincente feito por Lizzy, Isabel parou de implicar com a amiga. Mas é claro que continuava convencida de que Lizzy estava sentindo algo mais por Darcy, e que só iria admitir depois dos testes.

As duas saíram da sala em direção aos vestiários para dar uma ajeitada no cabelo e colocar o uniforme para a primeira aula.

Lizzy terminou de se arrumar um pouco antes que Isabel, que travava uma pequena luta contra sua calça de Lycra que se recusava a passar pelas coxas.

Depois de mais alguns tombos e pulinhos para que a calça entrasse, finalmente puderam seguir para a aula de street dance. Maila já esperava as alunas enquanto mexia em alguns cd’s próxima ao som.

Caroline e mais duas meninas com poses tão arrogantes quanto à dela conversavam a um canto, lançando olhares desdenhosos para as outras alunas que calçavam as sapatilhas ou alongavam-se enquanto conversavam entre si.

Bel e Lizzy já estavam de sapatilhas, então começaram logo com uma pequena série de alongamentos básicos, para não sofrerem nenhuma dor muscular grave.

- Muito bem, todas aqui!

Maila chamou “pausando” a musica que ouvia e se aproximando do centro da sala. Todas as alunas rodearam a professora.

- Hoje faremos um exercício diferente. Vocês se dividirão em dois grupos, e quero que cada um crie uma coreografia com a musica que escolherem. Espero que usem do bom senso, e não façam uma coreografia vulgar.

A professora anunciou enquanto algumas alunas cochichavam entre si. Lizzy e Isabel trocaram alguns olhares divertidos e Caroline exibia mais que nunca um olhar de superioridade, como se fosse banal poder criar uma coreografia livre em uma aula de dança, e como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

- Elizabeth e Caroline, escolham os grupos.

Maila pediu para uma surpresa Elizabeth e uma satisfeitíssima Caroline, que se adiantou à frente de todas as outras meninas, empinando mais ainda o nariz. Lizzy se aproximou e tiraram um rápido “par ou impar”. Como Caroline ganhou, escolheu primeiro, e assim sucessivamente.

Grupos decididos, as meninas do grupo de Lizzy se reuniram á um canto e tentaram decidir uma musica. Depois de uma votação, escolheram a musica e começaram a elaborar os passos que fariam.

Maila instruiu as meninas do grupo de Lizzy e entregou o cd com a musica para elas, guiando-as depois para uma sala separada onde poderiam treinar sem que sua coreografia fosse vista pelo outro grupo.

****************************

Lizzy ligou a musica no som disponível da sala e começou a ouvir a musica. Algumas sugestões de passos foram dadas juntas com algumas reclamações e modificações, e finalmente terminaram a coreografia. Agora era treinar e esperar Maila aparecer para chamá-las.

Treinar não era a parte mais fácil. Ter que sincronizar os tempos e arrumar os movimentos não era uma tarefa muito agradável, e que exigia uma paciência bem grande.

Uma hora depois, a coreografia já estava quase pronta, e todas estavam com uma sincronia perfeita. Maila ficou parada um pouco a porta enquanto olhava a coreografia sem ser percebida pelas alunas que estavam absortas.

- Muito bem! Adorei a coreografia! Agora vamos voltar para a sala que o tempo já acabou.

E assim seguiram para a sala onde o grupo de Caroline já as esperava, e Caroline com um sorriso de vitória no rosto fez com que as outras meninas do grupo de Lizzy concentrassem ainda mais na coreografia ensaiada.

- Lizzy... se importar de apresentar-se primeiro?

Maila pediu sorrindo. As meninas concordaram tomaram suas marcações.

http://www.youtube.com/watch?v=NvnDwysWHr4&feature=related

N/a: Esse vídeo faz parte de um programa onde pessoas reproduzem a coreografias de vídeo clipes de músicas. Foi particularmente difícil achar uma que não tivessem muitas piruetas e saltos elaborados por que nessa aula na fic só tem meninas... por favor, relevem tudo o que tem antes da coreografia e as entrevistas. Espero que gostem

Caroline assistiu tudo com uma expressão estranha, como se uma coisa muito mal cheirosa estivesse eternamente debaixo de seu nariz.

As meninas que dançavam terminaram com um sorriso de satisfação e congratularam-se entre si.

- Muito bom, meninas! Achei um bom trabalho pra tão pouco espaço... aquelas movimentações que vocês fizeram de braços no inicio da coreografia ficou muito bom.

Elas agradeceram os elogios e sentaram-se no banco bebendo um gole de suas garrafas de água. Caroline arrumou as meninas de seu grupo nas posições inicias e pediu que Maila soltasse a música.

http://www.youtube.com/watch?v=WritjzfOg-o&feature=related

N/a: Essa coreo é do mesmo programa e também me deu um trabalho... continuou pedindo que relevem o apresentador e todo o resto.

- Meu Deus! Eu não esperava que a minha turma estivesse num nível tão bom!

Maila elogiou fazendo com que um sorriso irritante surgisse no rosto de Caroline. A professora fez mais alguns comentários e dispensou a turma.


***********************************
Lizzy e Isabel combinaram de comer em um restaurante perto da academia, e desciam as escadas de mármore até alcançarem a rua.

- Eu não acredito que aquela Magrela Desbotada fez uma coreografia descente!

Isabel reclamou prendendo o cabelo com um elástico que achara dentro da bolsa. Lizzy ria da cara descontente da amiga.

- Não foi ela Bel, e você sabe disso. Aquela coreografia tem a cara da Susan.- Respondeu tentando apaziguar a fúria da amiga.

- É, pode até ser, mas ela é que vai levar o crédito! – Isabel continuou não agüentando manter a pose zangada e rindo.

Atravessaram a rua e entraram no restaurante, sentando-se em uma mesa próxima a janela, por onde uma brisa refrescante entrava. Almoçaram enquanto conversavam amenidades.

- Lizzy... aquela não é a Charlotte? – Bel perguntou olhando pela janela.
- É.. ela deve estar em horário de almoço. – Lizzy respondeu não dando muita importância.

- Quem é aquele com ela? – Bel perguntou reparando em um moreno que a acompanhava de braços dados.

- Não sei! – Lizzy respondeu olhando bem o homem. – Mas eu sei que ela vai ter muito que me contar quando chegar em casa! – respondeu com um sorrisinho malicioso.

Terminaram de almoçar e seguiram para as ultimas aulas do dia.

**********************************

Ao final das aulas, como sempre na ultima semana, Lizzy seguiu para o vestiário e trocou de roupa. Prendeu o cabelo novamente em um coque e guardou as coisas em seu armário.

Os corredores estavam praticamente vazios, e Lizzy pode ouvir ao longe o som de uma doce melodia.

http://www.youtube.com/watch?v=Zyeok3XZs3k
( diretamente do filme! )

Aproximou-se sem fazer barulho, a música aumentado a cada passo que dava. A porta da sala estava entreaberta e Lizzy não resistiu ao impulso de espiar pela fresta.

Uma menina loira com longos cabelos e cachos tocava delicadamente em um grande piano de cauda, a mão deslizando calmamente pelas teclas.

“ Não deve ter mais que 15 anos...”

Lizzy pensou sorrindo e tentando ver a menina pelo espelho na parede. Uma sombra passou pelo espelho e inesperadamente a porta se abriu, revelando Darcy.

Lizzy pensou sorrindo e tentando ver a menina pelo espelho na parede. Uma sombra passou pelo espelho e inesperadamente a porta se abriu, revelando Darcy.

Lizzy corou furiosamente e podia-se ouvir o som de seu cérebro maquinando uma desculpa para estar espiando pela porta. Mas não havia uma desculpa realmente boa.

- Elizabeth! O que você estava fazendo?

Darcy perguntou segurando o riso. A menina que continuava sentada ao piano sorriu. Lizzy recuou levemente e sorriu sem graça.

- Nesse horário o andar costuma estar vazio... então vim ver se estavam precisando de alguma coisa.

Ela respondeu inventando um desculpa qualquer, mas que não deixava de ser verdade. Darcy sorriu, o que a tranqüilizou um pouco.

- Está e minha irmã Lizzy. Georgiana Darcy.

Darcy apresentou puxando Lizzy delicadamente para a sala e indicando a menina ao piano. Georgiana se levantou e cumprimentou Elizabeth muito educada, com os olhinhos brilhando como se ela soubesse de um segredo muito importante.

- Por favor, me chame de Georgie. Georgiana é muito grande.

Pediu sorrindo. Elizabeth sorriu também.

- Então me chame de Lizzy. Elizabeth também é um nome muito cumprido.

As duas começaram a ter uma conversa feminina e Darcy as observava com um sorriso nos lábios. Era muito bom que as duas se dessem bem. Georgiana normalmente era uma menina tímida e que demorava a se soltar com pessoas que não eram conhecidas, mas por mais incrível que pudesse parecer, ela simpatizara com Lizzy e conversavam como se fossem velhas amigas.

Mas Georgie realmente já sabe muito sobre Lizzy. Pelo que eu conto deveria saber...”

Darcy pensou sorrindo ainda mais. Lizzy se levantou.

- Darcy... temos que ensaiar.

Lembrou-lhe delicadamente. Darcy concordou e seguiram para a sala de dança, depois que Georgiana garantiu que ficaria treinando por mais um tempo lá mesmo.

***********************
Darcy e Lizzy chegaram na sala e começaram a se alongar. Lizzy ligou a música e começaram a ensaiar...

terça-feira, novembro 16, 2010

Capítulo XVII

Capítulo XVII
Jane saiu do banho enrolada em uma enorme e felpuda toalha branca. Separou cuidadosamente algumas blusas que pretendia usar no “encontro” com Charles e começou a experimentá-las, analisando para ver qual delas lhe cairia melhor.

- Charlotte! – Jane gritou enquanto analisava duas blusas.

- O que foi Jane? – Charlotte perguntou aparecendo na porta do quarto.

- Eu não sei com que blusa ir. – Jane falou lamentando.

- Calma.

Charlotte falou se aproximando e sorrindo. Pediu para que Jane vestisse as duas blusas. Como a noite estava extremamente bela e fresca, as blusas eram sem manga e Jane levaria um casaco à tira colo, caso esfriasse.

Ela usaria uma calça jeans, e isso já estava certo. Uma das blusas que ela planejava usar era rosa clara, lisa, enfeitada apenas por algumas rendas na barra da blusa e na gola em V.

A outra era azul, e combinava perfeitamente com os olhos de Jane, e os realçava ainda mais. Era uma tomara que caia que lhe ajustava perfeitamente ao corpo, e uma faixa demarcava a fina cintura de Jane.

http://www.aluskabrasileiro.com/loja/images/bjotopRG.jpg
(essa é a blusa que a Jane vai usar... mas imaginem ela azul clara ok?)

Charlotte decidiu pela blusa azul e Jane aprovou a escolha. Vestiu a blusa e penteou os cabelos de modo que os singelos cachos da ponta do cabelo ficassem perfeitamente moldados. Usou duas presilhas para arrumar um pouco a franja e maquiou-se levemente. Separou o casaco que usaria caso sentisse frio e começou a tacar tudo que precisava dentro da bolsa.

Já eram sete horas, e Charles já devia estar esperando por ela. Despediu-se das amigas com um aceno e desceu até a portaria. Charles a esperava estacionado em frente à portaria, encostado no carro e sorrindo. Adiantou-se quando ela se aproximou em cumprimentou-a.

- Você é muito bonita. – elogiou enquanto abria a porta do carro para que ela entrasse. (N/a: reparou que ele disse é, e não está? )

- E você é um perfeito cavalheiro. – ela elogiou sorrindo e entrando no carro, corando um pouco.

- Aonde vamos primeiro, minha querida guia? – ele perguntou, fazendo Jane corar mais ainda.

- Eu pensei em conhecermos primeiro o Big Ben*. Ele fica lindo iluminado à noite. – Jane respondeu enquanto revisava o roteiro.

- Big Bem... aqui vamos lá! – Charles falou enquanto dava a partida no carro.

Durante todo o percurso até o Big Ben Jane e Charles conversaram animadamente, sobre artes, musicas e todo o tipo de assunto que surgi em meio a uma conversa animada.

Passaram por volta de uma hora no grande relógio e resolveram continuar o pequeno passeio.

Em todos os pontos em que pararam no meio do pequeno passeio que fizeram, Charles fez questão de abrir e fechar a porta para Jane, que sempre sorria e corava levemente com o cavalheirismo de Charles.

- Aquilo é um parque de diversões? – Charles perguntou ao ver surgir no outro lado da rua uma enorme roda gigante.

- Acho que sim. – Jane respondeu admirada.

- Vamos? Faz muito tempo que não vou a um parque de diversões! – Charles perguntou parecendo uma criança que acabara de receber um presente de natal antecipado.

Jane concordou com um pequeno aceno de cabeça. Estacionaram o carro e seguiram juntos até a bilheteria. Compraram alguns ingressos e começaram a olhar as atrações.

- Charles, vamos nesse! Fui uma vez com Lizzy e nos divertimos muito!

Jane pediu com os olhinhos brilhando. Charles concordou e entraram na fila. O brinquedo se chamava Crazy Dance. Era uma cadeira estofada, que rodava junto com algumas outras. O brinquedo rodava conforme a musica ia tocando.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6e/New_crazy_dance.jpg/800px-New_crazy_dance.jpg
(Crazy Dance)

Na sua vez, Jane e Charles se acomodaram em uma das cadeiras e esperaram a musica começar. O Dj colocou uma música com batida latina e o brinquedo começou. Os dois cantavam a animados e sacudiam os braços conforme o brinquedo se mexia. Riam muito e catavam cada vez mais alto a musica que tocava.

Desceram rindo muito. Caminharam até o outro lado do parque, onde a roda gigante estava montada. No meio do caminho, um grande urso de pelúcia, branco como a neve e fofo chamou a atenção de Jane.

http://www.cafenobre.com.br/urso_17.jpg
( o Urso )

Charles acompanhou o olhar de Jane e viu o motivo do brilho em seus olhos. Puxou-a pela mão até a barraca onde o urso era o premio.

- Vou te dar o Urso Jane! – Charles falou sorrindo.

- Ah, não é necessário. – Jane respondeu lisonjeada.

- Claro que é! Você o quer, e eu vou te dar. – ele falou sorrindo. – e nem adianta discutir! – completou ao ver que Jane abria a boca para responder.

Charles se aproximou do homem que trabalhava na barraca e perguntou como ganharia o urso. O homem sorriu de lado e explicou com um tom arrogante que ele deveria acertar sete dos dez tiros em um pato de madeira que andava de um lado ao outro.

- Esse usrso está ai há dez anos... ninguém nunca conseguiu.

O homem completou olhando arrogante para Charles que simplesmente depositou o dinheiro em cima da mesa e pegou a espingarda de chumbinho que o homem lhe ofereceu.

- Vai ser moleza.

Charles murmurou de modo que só ele pode ouvir. Ajustou a arma e mirou cuidadosamente em um dos patos. Puxou o gatilho e atirou. Acertou o primeiro pato. Não deixou se abalar pelo rosnado que o homem deixou escapar. Mirou novamente em um outro pato e atirou. Acertou novamente.

Foi assim com todos os sete patos que Charles deveria derrubar, e com mais os outros três que derrubou só para ensinar o homem que lhe atendera a não subestimar os outros.

- Aqui está! – o homem falou quase que com um rosnado.
- Muito obrigado. – Charles pegou o urso e entregou a Jane, que sorria de orelha a orelha. – Pra você!

- Muito obrigada. Realmente não precisava. – ela falou abraçando o urso.

- Mas eu quis. – Charles respondeu voltando a segurá-la pela mão e seguindo até a roda gigante.

Entraram na pequena fila e esperaram que uma das cadeiras vagasse, o que não demorou muito a acontecer. Entregaram os bilhetes a menina que os estava acomodando e esperaram que a roda recomeçasse a rodar.

Com um leve solavanco, a roda começou a rodar. A vista era linda dali de cima. Podia-se ver uma boa parte das casas Londrinas, e milhares de pontinhos luminosos ao longe.

- Daqui de cima Londres parece tão pequena. – Jane comentou sentindo a brisa soprar-lhe os cabelos.

- Daqui de cima, tudo parece pequeno. – Charles comentou divertido. – os carros parecem formigas, e os prédios... os prédio parecem pequenas arvores de metal. – completou rindo.

- E o lago ali adiante seria uma grande poça de água? – Jane perguntou sorrindo.

- Talvez. – Charles ponderou olhando. – e nós seriamos o que? – ele perguntou encarando Jane, que ficava levemente corada por causa do vento.

- Eu não sei...

Ela respondeu. A roda parou de andar exatamente no momento que passavam no ponto mais alto que poderiam alcançar. Charles continuou olhando-a encantado com toda a beleza de Jane.

Uma pena veio voando sabe-se lá de onde, e Jane a seguiu com um olhar enquanto ria. A brisa que levava a pena parou de soprar e ela caiu devagar sobre o nariz de Jane, que balançou o rosto e começou a rir.
( N/a: deu pra entender o que eu queria dizer? A penas estava voando e caiu no nariz de Jane, se equilibrando ok?)

- Você com certeza seria um anjo.

Charles falou enquanto olhava a cena hipnotizado pela criatura angelical que estava ao seu lado. Jane tirou a pena do nariz e a segurou, virando-se para Charles. Sem saber como, sorriu e sentiu sua face ruborizar. Charles se aproximou mais, lentamente, enquanto fixava o olhar nos olhos de Jane.

Como se fosse empurrada por uma força invisível, Jane se aproximou mais ainda de Charles, vencendo a distancia que mantinham seus lábios separados.

Beijaram-se primeiramente de um modo delicado, experimentando a textura dos lábios um do outro. Vendo que nenhum dos dois ofereceria resistência, aprofundaram o beijo, explorando cada canto da boca um do outro.

Separaram-se com um outro solavanco da roda gigante, que recomeçou a girar. Jane abaixou o olhar sem saber o que dizer, e Charles a abraçou.

Resolveram sair da roda e voltar para casa. Já estava ficando tarde. Desceram e seguiram de mãos dadas até o carro.

Jane estremeceu um pouco por causa do frio e amaldiçoou-se por ter deixado o casaco no carro. Charles percebendo o leve arrepio que ela teve, despiu seu casaco e colocou-o sobre os ombros nus de Jane, que sorriu em agradecimento mudo e apertou-o contra si.

Entraram no carro e seguiram conversando sobre os lugares que conheceram. Charles parou em frente a portaria e abriu a porta para Jane.

Despediram-se com um beijo singelo e Jane subiu sonhadora para seu apartamento. Viu Charles partir pela janela de seu quarto e começou a despir-se para tomar um banho. Reparou que ainda estava com o casaco de Charles e sorriu. O cheiro dele era muito bom...

Capítulo XVII

Capítulo XVII
Jane saiu do banho enrolada em uma enorme e felpuda toalha branca. Separou cuidadosamente algumas blusas que pretendia usar no “encontro” com Charles e começou a experimentá-las, analisando para ver qual delas lhe cairia melhor.

- Charlotte! – Jane gritou enquanto analisava duas blusas.

- O que foi Jane? – Charlotte perguntou aparecendo na porta do quarto.

- Eu não sei com que blusa ir. – Jane falou lamentando.

- Calma.

Charlotte falou se aproximando e sorrindo. Pediu para que Jane vestisse as duas blusas. Como a noite estava extremamente bela e fresca, as blusas eram sem manga e Jane levaria um casaco à tira colo, caso esfriasse.

Ela usaria uma calça jeans, e isso já estava certo. Uma das blusas que ela planejava usar era rosa clara, lisa, enfeitada apenas por algumas rendas na barra da blusa e na gola em V.

A outra era azul, e combinava perfeitamente com os olhos de Jane, e os realçava ainda mais. Era uma tomara que caia que lhe ajustava perfeitamente ao corpo, e uma faixa demarcava a fina cintura de Jane.

http://www.aluskabrasileiro.com/loja/images/bjotopRG.jpg
(essa é a blusa que a Jane vai usar... mas imaginem ela azul clara ok?)

Charlotte decidiu pela blusa azul e Jane aprovou a escolha. Vestiu a blusa e penteou os cabelos de modo que os singelos cachos da ponta do cabelo ficassem perfeitamente moldados. Usou duas presilhas para arrumar um pouco a franja e maquiou-se levemente. Separou o casaco que usaria caso sentisse frio e começou a tacar tudo que precisava dentro da bolsa.

Já eram sete horas, e Charles já devia estar esperando por ela. Despediu-se das amigas com um aceno e desceu até a portaria. Charles a esperava estacionado em frente à portaria, encostado no carro e sorrindo. Adiantou-se quando ela se aproximou em cumprimentou-a.

- Você é muito bonita. – elogiou enquanto abria a porta do carro para que ela entrasse. (N/a: reparou que ele disse é, e não está? )

- E você é um perfeito cavalheiro. – ela elogiou sorrindo e entrando no carro, corando um pouco.

- Aonde vamos primeiro, minha querida guia? – ele perguntou, fazendo Jane corar mais ainda.

- Eu pensei em conhecermos primeiro o Big Ben*. Ele fica lindo iluminado à noite. – Jane respondeu enquanto revisava o roteiro.

- Big Bem... aqui vamos lá! – Charles falou enquanto dava a partida no carro.

Durante todo o percurso até o Big Ben Jane e Charles conversaram animadamente, sobre artes, musicas e todo o tipo de assunto que surgi em meio a uma conversa animada.

Passaram por volta de uma hora no grande relógio e resolveram continuar o pequeno passeio.

Em todos os pontos em que pararam no meio do pequeno passeio que fizeram, Charles fez questão de abrir e fechar a porta para Jane, que sempre sorria e corava levemente com o cavalheirismo de Charles.

- Aquilo é um parque de diversões? – Charles perguntou ao ver surgir no outro lado da rua uma enorme roda gigante.

- Acho que sim. – Jane respondeu admirada.

- Vamos? Faz muito tempo que não vou a um parque de diversões! – Charles perguntou parecendo uma criança que acabara de receber um presente de natal antecipado.

Jane concordou com um pequeno aceno de cabeça. Estacionaram o carro e seguiram juntos até a bilheteria. Compraram alguns ingressos e começaram a olhar as atrações.

- Charles, vamos nesse! Fui uma vez com Lizzy e nos divertimos muito!

Jane pediu com os olhinhos brilhando. Charles concordou e entraram na fila. O brinquedo se chamava Crazy Dance. Era uma cadeira estofada, que rodava junto com algumas outras. O brinquedo rodava conforme a musica ia tocando.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6e/New_crazy_dance.jpg/800px-New_crazy_dance.jpg
(Crazy Dance)

Na sua vez, Jane e Charles se acomodaram em uma das cadeiras e esperaram a musica começar. O Dj colocou uma música com batida latina e o brinquedo começou. Os dois cantavam a animados e sacudiam os braços conforme o brinquedo se mexia. Riam muito e catavam cada vez mais alto a musica que tocava.

Desceram rindo muito. Caminharam até o outro lado do parque, onde a roda gigante estava montada. No meio do caminho, um grande urso de pelúcia, branco como a neve e fofo chamou a atenção de Jane.

http://www.cafenobre.com.br/urso_17.jpg
( o Urso )

Charles acompanhou o olhar de Jane e viu o motivo do brilho em seus olhos. Puxou-a pela mão até a barraca onde o urso era o premio.

- Vou te dar o Urso Jane! – Charles falou sorrindo.

- Ah, não é necessário. – Jane respondeu lisonjeada.

- Claro que é! Você o quer, e eu vou te dar. – ele falou sorrindo. – e nem adianta discutir! – completou ao ver que Jane abria a boca para responder.

Charles se aproximou do homem que trabalhava na barraca e perguntou como ganharia o urso. O homem sorriu de lado e explicou com um tom arrogante que ele deveria acertar sete dos dez tiros em um pato de madeira que andava de um lado ao outro.

- Esse usrso está ai há dez anos... ninguém nunca conseguiu.

O homem completou olhando arrogante para Charles que simplesmente depositou o dinheiro em cima da mesa e pegou a espingarda de chumbinho que o homem lhe ofereceu.

- Vai ser moleza.

Charles murmurou de modo que só ele pode ouvir. Ajustou a arma e mirou cuidadosamente em um dos patos. Puxou o gatilho e atirou. Acertou o primeiro pato. Não deixou se abalar pelo rosnado que o homem deixou escapar. Mirou novamente em um outro pato e atirou. Acertou novamente.

Foi assim com todos os sete patos que Charles deveria derrubar, e com mais os outros três que derrubou só para ensinar o homem que lhe atendera a não subestimar os outros.

- Aqui está! – o homem falou quase que com um rosnado.
- Muito obrigado. – Charles pegou o urso e entregou a Jane, que sorria de orelha a orelha. – Pra você!

- Muito obrigada. Realmente não precisava. – ela falou abraçando o urso.

- Mas eu quis. – Charles respondeu voltando a segurá-la pela mão e seguindo até a roda gigante.

Entraram na pequena fila e esperaram que uma das cadeiras vagasse, o que não demorou muito a acontecer. Entregaram os bilhetes a menina que os estava acomodando e esperaram que a roda recomeçasse a rodar.

Com um leve solavanco, a roda começou a rodar. A vista era linda dali de cima. Podia-se ver uma boa parte das casas Londrinas, e milhares de pontinhos luminosos ao longe.

- Daqui de cima Londres parece tão pequena. – Jane comentou sentindo a brisa soprar-lhe os cabelos.

- Daqui de cima, tudo parece pequeno. – Charles comentou divertido. – os carros parecem formigas, e os prédios... os prédio parecem pequenas arvores de metal. – completou rindo.

- E o lago ali adiante seria uma grande poça de água? – Jane perguntou sorrindo.

- Talvez. – Charles ponderou olhando. – e nós seriamos o que? – ele perguntou encarando Jane, que ficava levemente corada por causa do vento.

- Eu não sei...

Ela respondeu. A roda parou de andar exatamente no momento que passavam no ponto mais alto que poderiam alcançar. Charles continuou olhando-a encantado com toda a beleza de Jane.

Uma pena veio voando sabe-se lá de onde, e Jane a seguiu com um olhar enquanto ria. A brisa que levava a pena parou de soprar e ela caiu devagar sobre o nariz de Jane, que balançou o rosto e começou a rir.
( N/a: deu pra entender o que eu queria dizer? A penas estava voando e caiu no nariz de Jane, se equilibrando ok?)

- Você com certeza seria um anjo.

Charles falou enquanto olhava a cena hipnotizado pela criatura angelical que estava ao seu lado. Jane tirou a pena do nariz e a segurou, virando-se para Charles. Sem saber como, sorriu e sentiu sua face ruborizar. Charles se aproximou mais, lentamente, enquanto fixava o olhar nos olhos de Jane.

Como se fosse empurrada por uma força invisível, Jane se aproximou mais ainda de Charles, vencendo a distancia que mantinham seus lábios separados.

Beijaram-se primeiramente de um modo delicado, experimentando a textura dos lábios um do outro. Vendo que nenhum dos dois ofereceria resistência, aprofundaram o beijo, explorando cada canto da boca um do outro.

Separaram-se com um outro solavanco da roda gigante, que recomeçou a girar. Jane abaixou o olhar sem saber o que dizer, e Charles a abraçou.

Resolveram sair da roda e voltar para casa. Já estava ficando tarde. Desceram e seguiram de mãos dadas até o carro.

Jane estremeceu um pouco por causa do frio e amaldiçoou-se por ter deixado o casaco no carro. Charles percebendo o leve arrepio que ela teve, despiu seu casaco e colocou-o sobre os ombros nus de Jane, que sorriu em agradecimento mudo e apertou-o contra si.

Entraram no carro e seguiram conversando sobre os lugares que conheceram. Charles parou em frente a portaria e abriu a porta para Jane.

Despediram-se com um beijo singelo e Jane subiu sonhadora para seu apartamento. Viu Charles partir pela janela de seu quarto e começou a despir-se para tomar um banho. Reparou que ainda estava com o casaco de Charles e sorriu. O cheiro dele era muito bom...

segunda-feira, novembro 15, 2010

Capítulo XVI

Capítulo XVI
Depois das primeiras aulas da parte da manhã, Lizzy vestiu um short por cima do collant e foi até um barzinho comer alguma coisa. Não encontrara Isabel, e imaginou que ela deveria estar aproveitando o tempo livre par namorar um pouco, por isso se assustou ao sentir uma mão suave pousar em seus ombros e o rosto de Isabel a estar fitando com um sorriso.

- Que cara sonhadora é essa senhorita Bennet?

Bel perguntou enquanto puxava uma cadeira e se sentava com Lizzy.

- Eu estava imaginando por onde você andaria sua namoradeira! E imaginei que era com Thomas... e por esse sorriso “eu tenho trinta e dois dentes bem branquinhos igual a propaganda de pasta de dentes” vejo que eu estava certa.

Isabel riu e pediu ao garçom um copo d’água. Ficaram no bar conversando por mais alguns minutos e comeram alguma coisa.

Lizzy voltou do intervalo entre as aulas acompanhada por Isabel. Fizeram as outras aulas em meio a momentos de descontração e completa atenção. Isabel teria que sair mais cedo do que o normal para ensaiar com Thomas, já que os testes estavam a caminho e os nervos aflorando na pele. Nunca imaginaram que os testes fossem criar tantas expectativas entre os alunos.

Ao final do dia, quando o vestiário já se encontrava deserto, Lizzy trocou maus uma vez a roupa, vestindo o vestido preto que usara na noite anterior. Prendeu os longos cabelos negros em um coque bem firme no alto da cabeça e calçou o sapato de dança.

Quando alcançou os corredores, alguns violinistas tocavam uma peça melancólica, provavelmente ensaiando para os seus próprios testes, e uns pintores retardatários deixavam suas salas com pinceis e tintas a tiracolo.

Subiu as escadarias de mármore o mais discretamente que pode até o andar das salas de dança e encontrou a sua sala em meio à penumbra do andar. Adentrou a sala guiada apenas pela luz da lua que se infiltrava através das grandes vitrais da janela.

Seu coração deu um salto ao ouvir uma voz forte e retumbante chamar por ela de dentro das sombras.

- Sr Darcy!

Exclamou Lizzy levando uma das mãos ao peito enquanto respirava fundo para se acalmar. (N/A: ela ta assim e ainda nem viu ele... rsrsrsr).

Darcy saiu das sombras onde permanecia e revelou-se com um sorriso que em seu semblante possuía efeito devastador. (N/A: agora ela pode perder o fôlego rsrsrsr).

Os olhos, que já eram de um azul intenso, sob a luz pálida da Lua pareciam adquirir um brilho novo, que lhe dava um ar tão digno que Lizzy desviou os olhos momentaneamente, mas sem conseguir romper o contato por muito mais tempo.

O cabelo que possuía um tom castanho tão brilhoso estava completamente arrumado, sem sequer um fio de cabelo em desalinho, o que fez Lizzy morder os lábios inconscientemente, a fim de reprimir um impulso descomunal de avançar até Darcy e enterrar suas mãos naqueles cabelos e bagunçá-los ela mesma.

Darcy usavam uma blusa e uma calça social como Lizzy recomendara na ultima noite, o que acentuava ainda mais o porte elegante que lhe era cabido por natureza.

- Por que não acendeu as luzes?

Ela perguntou tentando se controlar e desviar a atenção da figura tentadora que era Darcy ali parado iluminado apenas pela luz da Lua. Apoiou a bolsa em um banco e colocou o cd com a música no aparelho de som.

- Porque sei que você gosta de dançar a luz da lua. E devo admitir que ficas tão bela iluminada pela luz do luar que achei um crime privá-la de tal hábito.

Ele respondeu sorrindo e desejando intimamente poder ser ao menos por uns instantes a luz da Lua e tocar a pele alva de Lizzy. Lizzy agradeceu intimamente pela penumbra, pois havia corado com o comentário de Darcy, e juraria estar mais corada que um tomate.

- Fico lisonjeada pela sua consideração.

Ela respondeu tentando afastar alguns pensamentos de sua cabeça e foi o que conseguiu responder sem que parecesse extremamente tola. Lizzy ligou a musica forçando sua mente a se voltar para o trabalho e fizeram um pequeno alongamento a fim de evitar uma distenção muscular.

- Agora vamos a nossa pequena coreografia.

Lizzy anunciou enquanto mudava a música e se preparava psicologicamente para estar tão perto de Darcy. Darcy dobrou a manga de sua camisa e fechou os olhos tentando recordar a coreografia que secretamente treinara durante o dia.

As primeiras notas soaram ao mesmo tempo em que as mãos de Darcy deslizavam suavemente pelas costas de Lizzy até encontrar a posição em que deveriam estar. Um arrepio tomou conta de Lizzy quando ela sentiu aquelas mãos fortes de encontro a sua pele. Ele perdera um pouco da vergonha em relação ao toque, que agora estava mais firme e seguro.(N/A: que chato...)

Mas a proximidade ainda era um pequeno problema. Ele ainda se mantinha muito afastado para um tango. Para uma valsa, estaria perfeito.

Lizzy, assumindo um tom profissional enquanto acalmava seus hormônios, pediu para que Darcy se aproximasse mais. Levemente embaraçado Darcy acomodou-se mais junto a Lizzy. Ela fez a contagem e começaram com os movimentos.

Depois de passada duas vezes a coreografia, Lizzy deu-se por satisfeita e começou a ensinar os primeiros passos da coreografia que apresentariam.

- Nesse giro, preciso que você deslize a mão esquerda pela minha coxa para me dar apoio para a jogada de corpo que eu tenho que fazer.

Lizzy explicou enquanto fazia o movimento sendo amparada por Darcy, que deslizou a mão o mais respeitosamente que pode em direção a coxa de Lizzy. Ao alcançar o local onde deveria manter a mão, pode sentir um pequeno choque ao sentir que sua mão tocava diretamente na pele nua da coxa de Lizzy, graças a uma fenda lateral do vestido. (N/A: Que perigo...}.

Começou com um pequeno formigamento, mas quanto mais tempo Darcy permanecia com a mão pousada naquele local perigoso, mais a sensação de que sua perna ardia e implorava para que continuassem com o passeio se apossava dela.

Lizzy esteve a um milímetro de jogar o juízo ao vento e beijar Darcy, mas a razão falou mais alto e tratou de finalizar o giro.

Vendo que agora já avançavam pela noite, Lizzy deu o ensaio por encerrado e constatou, feliz, que pelo menos um de seus desejos pode ser realizado essa noite: o cabelo de Darcy, outrora tão alinhado, estava completamente bagunçado e apontava rebelde para as mais diversas direções.

Lizzy realmente não sabia o que estava acontecendo com ela. Aquela vontade descomunal de simplesmente beijar Darcy, e deixar que ele a tocasse não era normal. Já dançara tantas vezes com os mais diversos tipos de homens, que ela tinha que admitir, eram lindos. Mas por que essa sensação só a assaltava quando dançava com Darcy?