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sábado, outubro 02, 2010

No Caminho da Dança, cap. VII

Lizzy chegou em casa e não encontrou Jane.

“ Deve estar trancada naquele ateliê infernal!

Lizzy pensou enquanto tirava a bolsa e jogava em cima da cama. Charlotte e Luciene ainda não haviam chegado em casa. Deixou-se cair na cama e fechou os olhos. Teria que arranjar um vestido de baile. Pensou em voltar àquela loja do centro que vira quando fora fazer compras com Charlotte.

- É! É isso que vou fazer.




Falou para si enquanto entrava no banheiro e começava a despir-se para tomar um banho.

Saindo do banho, Lizzy vestiu uma roupa confortável e foi para sala. Deitou no sofá e começou a folhear uma revista que encontrara por perto.

Charlotte já devia estar chegando. Pediria ajuda á ela.

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Luciene e Charlotte chegaram e já era quase noite. Lizzy estava adormecida, com a revista que estava lendo caindo de suas mãos. Luciene apenas sorriu e seguiu para o seu quarto. Estava cansada e queria dormir um pouco.

Jane estava na cozinha, preparando alguma coisa para o jantar. Charlotte sentou-se na beira do sofá e tentou acordar a amiga.

- Bela adormecida... acorde, seu príncipe chegou!

Lizzy balbuciou algo que Charlotte não entendeu e abriu um dos olhos.

- Que horas são?

- Hora de jantar, sua dorminhoca!

Lizzy sentou-se enquanto esfregava os olhos e deu um longo bocejo.

- Char, preciso de sua ajuda. Tenho que arrumar um vestido de baile para sábado.

- Você vai? Normalmente fica em casa!

- Eu sei, só que perdi uma aposta e tenho que ir.

- Quem foi a anjo que te venceu em uma aposta? Quero conhecê-la!

- Já conhece. Isabel. Apostei que ela não teria coragem de falar com Thomas até o dia do baile, só que ela comprou coragem em tablete na farmácia e falou com ele!

Charlotte começou a rir. Lizzy fez uma careta e levantou do sofá.

- Calma, não precisa ficar tão estressada! Eu tenho o vestido perfeito para você!

Lizzy sentou-se novamente e sorriu.

- Eu sabia que poderia contar com você.

- Eu desenhei um vestido lindo, só que estava sem uma modelo... acho que ele ficaria perfeito em você!

Lizzy pensou um pouco. Os modelos de Charlotte eram lindos, realmente, mas não se via dentro de um. Eram muito ousados e extremamente sexy.

- Eu não sei Char...

- Você vai usá-lo sim!

Falou Jane enquanto saia de dentro da cozinha enquanto carregava uma grande travessa de empadão. Lizzy estava contrariada, mas pelo visto não havia outra escolha...

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Char ficou eufórica. Finalmente arranjara uma modelo adequada para seu vestido. Lizzy era perfeita! Possuía uma pele suave e clara, ombros perfeitamente proporcionais aos quadris. Uma cintura definida e pernas bonitas e fortes por causa do Ballet. Tudo era harmonioso.

Pôs-se logo a trabalhar. Já possuía os tecidos necessários, só faltava costurar tudo com harmonia e deixá-lo pronto. Convocara todos os seus amigos da nova filial para ajudá-la.

Lizzy estava surpresa. Nunca vira Charlotte tão animada com alguma coisa, desde a primeira vez que arranjara um par para o baile da escola....

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Os dias se passavam extremamente rápido na opinião de Lizzy. Fazia provas todos os dias para o vestido e ficava cada vez mais nervosa.

Tinha que admitir que estava lindo. O mais belo vestido que já vira. Mas não sentia-se segura para usá-lo.

Jane continuava passando o seu tempo livre dentro de seu ateliê improvisado, pintando o tal quadro a óleo para o baile. Estava extremamente feliz com o resultado, mas não deixava que ninguém visse.

- Jane nunca foi de fazer segredos. O que seria tão secreto a ponto de não deixar que vejamos o trabalho?

Luciene perguntou a Lizzy enquanto botavam a mesa para o jantar.

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Era sexta-feira. O baile seria na noite seguinte e Isabel já ligara para Lizzy umas quinze vezes, com a desculpa de lembrá-la de seu compromisso.

- Não se preocupe, as meninas do apartamento já fazem questão de me lembrar que devo ir. Estão mais eufóricas que você. Acho até que já lhe tornaram uma santa e fizeram um altar em sua homenagem.

Lizzy falou na décima quinta vez que Bel ligou para lembrar-lhe.

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Manhã de sábado. Jane, pela primeira vez em muito tempo, deixara Lizzy dormir até mais tarde.

Era quase meio-dia quando Lizzy acordou. Foi para sala, onde encontrou seu vestido em uma manequim. Charlotte dava os últimos retoques e Luciene a ajudava com as camadas de tecido.

Jane estava preparando um almoço leve, para que a noite se passasse bem.

- Vocês estão fazendo tanto alarde por causa de um baile idiota! Só vou porque perdi essa aposta com a Isabel. E mesmo assim não pretendo ficar por muito tempo! Vai ser tão chato! Velhos chatos e desinteressantes!

- Minha querida Lizzy, não é muito alarde. Pela primeira vez, desde o baile de formatura na escola, você vai para um baile. É realmente o acontecimento do ano. E quero te ver deslumbrante!

- Você sabe que tenho bons motivos para não gostar de bailes.

Lizzy murmurou enquanto tomava um copo d’água. O último baile fora um desastre. Lizzy acidentalmente esbarra em uma caloura um pouco estressada e acabou derramando seu ponche sobre ela. A menina fizera o maior escândalo, o que deixou Lizzy mortificada. Todas as meninas riram dela e nenhum menino nunca mais a convidou para sair.

- Isso foi há alguns anos atrás! Você tem que superar! Agora venha fazer a ultima prova de seu vestido!

- Deus, se vocês já fizeram isso por causa de um baile, imagine o que farão se um dia eu me casar?

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Já era noite. Lizzy, quase que a força, passou a tarde trancada no quarto junto com suas três companheiras.

Logo depois do almoço, Jane abordara Lizzy e a levara pro quarto. Lizzy não sabia explicar como, mas se via debaixo do chuveiro, com Jane lhe esfregando de cima a baixo.

Lavara seus cabelos milhões de vezes, até ficar perfumado. Fizera com que Lizzy se sentasse no banco do banheiro e penteou os cabelos até que ficassem desembaraçados.

Poucos minutos depois, Luciene entrou no quarto, munida de infinitos cremes e sais. Fizeram uma massagem relaxante em Lizzy, não tiveram que discutir muito sobre isso.

- É meu aniversário e esqueci por acaso? Tô me sentindo uma rainha.

Depois disso, Charlotte apareceu carregando um roupão macio e fez com que Lizzy o vestisse.

Jane fez suas unhas e passou uns cremes nas mãos, para que ficassem macias.

Depois de um breve lanche, Charlotte começou a demonstrar seus dotes de cabeleleira. Secou o cabelo de Lizzy enquanto modelava os pequenos cachos que formavam nas pontas. Passou um pouco de silicone para que ficasse brilhante e os prendeu no alto da cabeça, com um coque solto e cachos adornando o contorno do rosto.

Na hora da maquiagem, Jane adentrou o quarto, já pronta, e lindo como sempre.

Trajava um vestido de alça fina preto e longo. Era de seda pura, com um pequeno corte lateral, e umas tiras largas de cetim descendo até a altura dos quadris. Era sofisticado e elegante, e a deixava mais bonita do que nunca.

Os cabelos soltos desciam pelos ombros e a maquiagem era leve, favorecendo seus brilhantes olhos azuis.

- Tenho que ir. Prometi chegar mais cedo para ajudar a instalar o quadro na galeria. E não Lizzy, você só vai ver quando chegar lá!

Jane falou ao ver que a irmã estava prestes a pedir para vê-lo. Sorriu e despediu-se das amigas.

Luciene continuou então a produção de Lizzy. Fez a maquiagem e ajudou-a a vestir o vestido. Pronto. Lizzy estava perfeita. Ninguém se igualava em beleza naquele momento, nem mesmo Jane.

No Caminho da Dança, cap. VI

A manhã de sábado era especialmente preguiçosa para Lizzy. Não havia aulas e ela poderia ficar deitada na cama preguiçosamente até Jane resolver acordá-la com algum discurso de que deveria sair um pouco e tomar sol.
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O final de semana se passou calmo e divertido para as moradoras do pequeno apartamento. Às tardes, Lizzy ajudou Charlotte a desenhar alguns modelos de roupa para a loja. Divertiram-se escolhendo cores e estampas.

Jane passou todo o final de semana trancada em seu ateliê, fazendo sabe-se lá o que. Invariavelmente ela sai de dentro do pequeno quarto de empregada que usava toda suja de tinta, mas radiante. Não permitia que ninguém visse seu trabalho e trancava a porta todas as vezes que saia de lá.

Obvio que todo esse mistério em relação ao trabalho chamou a atenção de Lizzy, que tentou sondá-la de todas as maneiras, sem sucesso. Então, consolou-se com o fato de que mais cedo ou mais tarde acabaria descobrindo.


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http://www.youtube.com/watch?v=ENSaMIyoxts
( novamente, a música)

O músculo da perna de Lizzy já doía pelas intermináveis repetições de relevé*. Mas era necessário, e entendia isso. Seu músculo precisava estar suficientemente forte para agüentar todas as elevações na ponta que deveria fazer em suas coreografias.

Uma vez Márcia contara dos tempos que ela mesma era aluna. Obrigavam-na a usar pesos nas pernas e nos braços. Normalmente eram de dois quilos, ou se o professor estivesse de bom humor, um. Mas ela mesma havia falado que jamais faria isso com suas alunas. Seria crueldade demais.

- Para terminar, vou ser bem boazinha. Apenas um passé** na ponta!
E, fica!

Márcia passou inspecionando uma a uma. Sorriu com satisfação e mandou-as relaxar. Lizzy alongou-se um pouco, só para relaxar os músculos e procurou Isabel com os olhos. Novamente ela não viera á aulas. O que será que andava acontecendo com ela?


Caminhou até um dos bancos da sala e começou a tirar as sapatilhas enquanto conversava com Gabrielle, uma das outras alunas da academia. Novamente o tema baile foi abordado. Era unânime. Todas estavam ansiosas e especialmente curiosas. Boatos circulavam por toda a academia. Especulava-se que os donos eram extremamente ricos e que eram também solteiros.

E é claro, o ultimo boato era de grande interesse para grande parte das meninas do instituto. Imagine, namorar um homem tão rico e poderoso como o dono daquele formidável lugar?

Lizzy ria das especulações. Achava uma perda de tempo em correr atrás de um homem só por causa do tamanho de sua conta bancária. E se o tão famoso dono fosse uma múmia de tão velho?

Despediu-se das amigas e seguiu para seu armário. Ainda encontraria Jane para irem juntas para casa.

- Lizzy! Por que demorou?

Jane perguntou. Parecia extremamente feliz com alguma coisa e sorria. Um sorriso estilo “ eu tenho trinta e dois dentes”

- Nossa! Por que tanta felicidade?

- Você não sabe o que me aconteceu hoje! A professora de pinturas á óleo me chamou no final da aula e me pediu que pintasse um quadro especialmente para o baile de sábado. Não sabes como fiquei honrada com o pedido. É uma oportunidade muito boa, e céus! Existem tantos alunos melhores que eu! Não sei como ela pode me escolher!

- E iniciamos mais um capitulo da saga “Jane e sua modéstia!”

Lizzy fez graça. Jane limitou-se a rir e terminou de guardar as suas coisas em seu armário. Estava de muito bom humor para irritar-se com as implicâncias de Lizzy.

- O único ruim é que vou ter que parar temporariamente um trabalho que estou fazendo.

- E que você não quer me dizer qual é!

Lizzy respondeu emburrada, estampando no rosto uma tromba enorme. . Jane apenas sorriu misteriosa e partiram para casa.

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Quando chegou na pequena sala em que dava aula na comunidade carente, todas já aguardavam ansiosas e sorridente. Lizzy beijou todas e abriu a sala.

Elas entraram e logo começaram a se arrumar como verdadeiras bailarinas. Embora Lizzy não exigisse um coque nas aulas todas tinham o maior orgulho de prendê-los e exibi-los em sua modesta perfeição.

Colocavam a sapatilha de meia ponta com cuidado e esperavam pacientemente enquanto Lizzy colocava a musica no som e indicava o exercício que deveriam fazer. Começavam sempre na barra, seguiam para uma pequena aula de chão e para completar uns exercícios de centro.

A aula terminou e Lizzy ficou com as meninas até que os pais de cada uma vieram buscá-las. Apenas uma ficou além do horário, tristonha e chorosa em um canto.

Lizzy se aproximou-se e sentou-se ao seu lado, cruzando as pernas e imitando a postura da menina.

- O que houve Dandara? Por que está tão tristonha hoje?

A menina encontrou os olhos de Lizzy. E por um impulso, jogou-se nos braços de tão querida professora e a abraçou, deixando as lágrimas reprimidas rolarem por seu pequenino rosto.

Lizzy retribuiu o abraço e afagou-lhe o cabelo. Depois de alguns minutos a menina sentou-se de frente para Lizzy e sorriu.

- Desculpe tia Lizzy. Às vezes me deixo levar.

- Oh minha querida, não tem problema. Todo mundo precisa por para fora um dia. O que aconteceu?

- Meu pai ficou doente de novo, e não melhora.

- Não se preocupe. Ele vai ficar bom!

Lizzy sentia-se tão impotente diante daquela situação! Queria ajudar, queria fazer alguma coisa por ela. Não sabia o que, mas iria fazer alguma coisa para ajudar.

Poucos minutos depois uma senhora robusta veio buscar Dandara.

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Era manhã de terça-feira e estavam tendo aula de expressões. Nesse dia, Antony estava atacado. Achava tudo ruim, e mandavam refazer os exercícios milhares de vezes.

- Vocês têm que se expressar melhor! Repitam mais uma vez, e quero ver animação!

Antony religou o som e todos retomaram suas posições, murmurando alguns apelidos “carinhosos” para o professor.

Ainda não satisfeito com a última passagem da música, fez com que repetissem mais três vezes, o que os deixou potencialmente exaustos...

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- Isabel! Por que você faltou de novo ontem?

Isabel sorriu para Lizzy e formulou uma resposta pouco convincente. Porém, antes que Lizzy pudesse atacá-la com perguntas, Márcia adentrou a sala e ordenou que formassem casais.

Bel olhou de soslaio para Lizzy e corou. Lançou-lhe um olhar desafiador e aproximou-se de Thomas, que conversava com alguns amigos do outro lado da sala.

Lizzy não podia acreditar no que estava vendo. Bel estava realmente indo falar com Thomas por livre e espontânea vontade? E não estava corada ao extremo?

“ Não, ela não teria... ”

Sim. Bel estava lá, falando com Thomas na frente de todos os outros meninos da aula.

Lizzy ficou olhando boquiaberta para a cena, até que sentiu uma leve mão tocar-lhe o braço. Virou-se assustada e deparou-se com Oliver, um outro aluno, chamando-a para ser sua dupla.

Dera sorte. Além de ser bonito e ter um corpo escultural, Oliver era, na opinião de Lizzy, o melhor bailarino de sua turma. Ela sorriu, e aceitou o convite. As outras a olharam com desprezo.

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Fizeram um treinamento de elevações, o qual todos saíram muito bem. Ao fim da aula, Oliver despediu-se de Lizzy com um beijo na bochecha e partiu apressado para a sua próxima aula.

Bel se aproximou sorrindo da amiga, agora vermelha. Lizzy, não perdendo a oportunidade, começou a falar enquanto encaminhava-se para o vestiário.

- Belzita, o que foi aquilo? Surtou, foi? Comprou coragem na farmácia? Em qual foi?

Bel riu e começou a brincar distraidamente com o fecho de sua bolsa.

- Eu tomei coragem, foi só.

- Eu não pude acreditar! E além do mais, você o convidou para o baile!

- Na verdade, não foi bem isso...

- Não?

Os olhos de Bel brilharam e ela encarou Lizzy, que parou e pos as mãos no quadril, encarando-a ameaçadoramente.

- Eu fui apenas para pedir á ele para ser a minha dupla. Só que enquanto o seu grupo fazia o exercício ele pegou minha mão e me convidou para o baile... o que me lembra que você agora deverá ir também!

Lizzy entrou em pânico! Ainda existia um fio de esperança... ela bem que poderia ter se esquecido com tanta emoção em um só dia.

“ Bem, acho que terei que arranjar um vestido...”

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* Passé - Um movimento auxiliar no qual o pé da perna que está em movimento passa pelo joelho da perna de apoio, de uma posição para outra.
http://images.jupiterimages.com/common/detail/73/67/22426773.jpg


* Relevé elevado. Uma elevação do corpo em pontas ou meia pontas, ponta ou mei -ponta. Há duas maneiras de execução para o relevé. Na Escola Francesa, relevé é feito suavemente, uma contínua elevação enquanto Cecchetti e a Escola Russa o usavam como um passo ágil. Relevé deve ser feito em primeira, segunda, quarta e quinta posição

quarta-feira, setembro 29, 2010

No Caminho da Dança, cap. V

As sextas-feiras eram dias especialmente calmo para as alunas de dança. Teriam apenas que passar as coreografias de cada professor, sem nenhum exercício doloroso, apenas um pequeno alongamento para evitar acidentes como distensões musculares e cãibras.

A professora Lyra era a professora mais engraçada de todas que tinham durante a longa semana, e aguardavam ansiosas para que suas aulas chegassem.

Seus comentários eram sempre espirituosos e seu espírito benevolente. Era uma professora rígida, não tolerava falta de compromisso e disciplina, mas ao mesmo tempo era compreensível e era como uma segunda mãe para as meninas.

Suas explicações eram as mais engraçadas, e foi durante uma de suas aulas que Lizzy teve que se esforçar para não cair no choro de tanto rir.

Ela acabara de ensinar um passo novo da coreografia, e estava mostrando como o movimento se encaixaria, quando uma novata, cujo nome Lizzy não lembrava, refez o movimento para marcas a contagem na música.

Lyra parou na mesma hora e levou as mãos aos quadris. Isso era um sinal, lá vinha uma bomba daqueles de chorar de tanto rir.

- Pelo amor de Deus, vocês não podem me dizer que esse attitude* está descente! Vocês mais vão ficar parecendo um cachorrinho manco prestes a fazer xixi em um hidrante da esquina! Se a pobre da Márcia vê isso, enfarta!

A pobre da menina estava roxa de vergonha, afinal, fora ela quem fizera o passa com desatenção. Lyra sorriu, tentando amenizar a bronca e aproximou-se, corrigindo o que antes estava errado.

- Pronto. Agora sim você está parecendo uma daquelas bailarinas famosas! Quero ver tanta perfeição na coreografia.

A menina logo esqueceu a bronca que levara e sorria radiante. E o poder de dar broncas e depois confortar as alunas era mais uma de suas características notáveis de excelente professora.

Lyra ligou o som e todas as meninas tomaram lugar de fronte ao espelho.
http://www.youtube.com/watch?v=4mdq9j2azBY
( Tell me abaut it – Joss Stone)

Passaram a coreografia várias vezes. Lyra corrigia os erros percebidos ao final de cada passagem da parte da coreografia já pronta.

Ao final da aula, todas estavam agradavelmente impressionadas com o bom trabalho que haviam realizado, e a menina que erra o attitude o fez na coreografia mais bonito que todas.

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Como Lizzy e Jane teriam aula apenas na parte da manhã, combinaram de sair com Charlotte a fim de conhecer a pequena praça onde seria sua filial.

Os escritórios eram em uma pequena praça, simpaticamente decorada com banquinhos de madeira, uma fonte e pequenos vasinhos de flores desabrochadas pendendo das janelas entreabertas.

- Que pracinha mais romântica! É a sua cara Char. Se já não soubesse que ela é antiga, poderia jurar que você a decorara.

Jane disse enquanto olhava tudo com cuidado. Charlotte sorriu e as conduziu para dentro.

O escritório não ficava atrás. Era muito bem decorado e com um charme que o fazia adorável para todos. Charlotte apresentou seus amigos um por um. Eram muito simpáticos e engraçados e fez com que elas logo se sentissem confortáveis naquele meio para elas tão estranho.

Depois de uns minutos de conversa surgiu a simpática idéia de jantar fora naquela noite, que prometia ser quente e propicia para um grupo de adolescentes aproveitarem o quanto pudessem.

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Jane terminou de prender o cabelo de Lizzy em um rabo e passou a escova mais uma vez, tentando fazer com que alguns fios rebeldes se acomodassem.

- Pronto. Agora posso tentar competir com você no quesito beleza Jane!

Lizzy falou enquanto apreciava seu reflexo no espelho. Viu Jane corar e sorriu. Ela era a mais bonita de todas, mas era sinceramente modesta para admitir a verdade.

- Vamos! Ou chegaremos atrasadas!

Lu chamou da sala enquanto catava a chave na mesa de centro. Lizzy e Jane saíram do quarto e seguiram para a garagem, onde o carro de Charlotte estava estacionado.

Seguiram até um pequeno bar onde foram acomodadas em uma pequena mesa. O garçom lhes deu umas folhas em branco, para se por embaixo do prato.

Fizeram seu pedido e esperaram enquanto conversavam e riam como o grupo animado que eram.

Ao final da noite, não resistindo ao impulso, Lizzy propôs um jogo para se distrair. Deveriam fazer desenhos em uma folha branca e os outros adivinharem o que seria. Todos concordaram.

- E Jane é do meu time!

Apressou-se a completar. Depois de pequenos protestos, aceitaram os termos e providenciaram mais papeis brancos com o garçom.

Depois de algumas rodadas, o jogo estava empatado e era a vez de Jane desenhar. Charlotte, que era do outro time, pensou em algo que seria trabalhoso e que faria o tempo esgotar antes que pudessem adivinhar.

Uma boa idéia lhe veio á cabeça. Se aproximou de Jane e cochichou de modo que só ela pudesse ouvir.

- Faz um desenho seu!

Jane a olhou um pouco surpresa. Não havia como fazer um rosto em tão pouco tempo. Mas, como não havia outra escolha, começou a desenhar o mais rápido que conseguia.

Todos chutavam deliberadamente, tentado acertar desesperadamente. O desenho estava quase pronto quando finalmente Lizzy acertou que era o auto-retrato de Jane.

Charlotte ficou levemente irritada. Em questão de desenho, não havia como fazer Jane Bennet perder...

Pagaram a conta do bar e partiram, deixado os desenhos para trás, sem se importar com quem os visse.

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Depois de se certificar que o grupo de charmosas meninas havia ido embora, um homem jovem e cabelos cor de fogo aproximou-se da mesa e começou a ver os desenhos.

Riu com a representação tosca de alguns e espantou-se com um pequeno grupo particularmente bonito. Mas o desenho que mais lhe chamou a atenção era o de uma jovem que aparentava ser muito bonita.

Não reconheceu o rosto, provavelmente era loira que havia ficado de costas o tempo inteiro.

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Attitude - Uma determinada pose do ballet tirada por Carlo Blasis da estátua de Mercúrio por Jean Bologne. É uma posição numa perna só com a outra levantada para trás com o joelho dobrado num ângulo de noventa graus e bem virada para fora para que o joelho fique mais alto do que o pé. O pé de apoio pode ser à terre, sur la pointe ou demi-pointe. O braço do lado da perna levantada é mantido por cima da cabeça numa posição curva enquanto que o outro é estendido para o lado. O attitude também pode ser com a perna levantada para a frente.

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terça-feira, setembro 28, 2010

No Caminho da Dança, cap. IV

- Vamos! Eu sei que vocês são mais flexíveis que isso!

Márcia falava enquanto caminhava pelas alunas de sua aula de chão. Era quinta-feira, um dia especialmente doloroso para quase todas as meninas da dança. Teriam aula de chão no ballet, jazz e no street dance.

Lizzy estava concentrada, pensando apenas em todos os movimentos que seu corpo realizava. Seus músculos da perna doíam, mas tinha que manter a postura e a flexibilidade a todo custo. Como faria um bom arabesque* se não se esforçasse?

- Bom! Agora relaxem um pouco os músculos e vamos continuar.

Lizzy se sentou no chão e procurou Isabel. Ela havia chegado atrasada e estava do outro lado da sala. Lizzy sorriu ao imaginá-la falando com Thomas e riu discretamente.

- Acho que já deu para descansar. Todas de pé. Quero ver um Grande cart** bem alongado!

Realizaram o movimento com suavidade. Algumas não conseguiam realizá-lo por completo e não chegavam ao chão, o que obrigava a professora a empurrá-las um pouco.

- Podem relaxar. É tudo por hoje. Tenham um bom dia, e até amanhã.

Lizzy se alongou um pouco para relaxar os músculos e foi falar com Isabel.

- Como anda o Thomas?

- Muito bem Lizzy. É uma pena que ele não venha hoje. Já até sei como falarei com ele.

Ela não pode saber

Lizzy pensou um pouco apavorada. Sorriu tentando disfarçar a pequena onde de pânico que sentira. Tentando mudar de assunto e esquecer a aposta, perguntou porque Bel chegara atrasada.

- Furou o pneu do carro e tive que esperar alguma alma caridosa para me ajudar. Eu não faria isso sozinha por nada. Vai que lasco uma unha?

Lizzy riu e as duas seguiram para as outras aulas, entre a correria de trocar de roupa e chegar no horário.

Ao final da aula de street dance.

- Lizzy, você vai almoçar aonde hoje?

Lizzy deu de ombros enquanto pensava. Não havia combinado nada com Jane.

- Não sei.

- Vamos almoçar juntas no novo restaurante de saladas aqui perto? Jane pode ir também.

- Por mim tudo bem. Só tenho que ligar e avisar que vou almoçar com você.

Lizzy ligou para Jane. Ela almoçaria em casa junto com Lisa, uma das amigas das aulas de pinturas em madeira.

Tudo
arranjado, Lizzy e Bel seguiram á pé para o restaurante. Ele era bem agradável e a salada era muito saborosa.

Isabel e Lizzy estavam sentadas perto da vitrina, que era de vidro, o que permitia que pudessem admirar o fluxo de pessoas que passavam apressadas pela calçada em seu horário de almoço.

- Lizzy, lembra de quando almoçamos pela primeira vez juntas?

- Como poderia esquecer? Você foi colocar ketchup no seu bife e acidentalmente fez voá-lo por todo o restaurante. Todo mundo ficou sujo!

As duas começaram a rir ao se lembrar da cena.

[flash back on]



- Tem uma mesa aqui Lizzy!

Bel acenou do outro lado do restaurante. Lizzy pegou sua bandeja e dirigiu-se até a amiga. Acomodou-se do outro lado da mesa, de modo a ficar de frente para a amiga.

- Me passa o ketchup?

Lizzy entregou o pequeno sache a amiga e começou a comer e a observar as inúteis tentavas da amiga para abri-lo.

- Tente com outro.

- Não, eu vou conseguir!

Depois de uma puxada especialmente forte, o pequeno sache se abriu no meio, o que fez que ketchup voasse para todos os lados em um ângulo de trezentos e sessenta graus.

Um homem corpulento, que usava uma impecável blusa branca social, recebeu a maior dose e ficou extremamente irritado. Começou a berrar que teria uma reunião importante e que estava arruinado.

Depois de mil pedidos de desculpas por parte de Bel e risos incontidos de Lizzy, o homem foi embora, ainda irritado.

[flash back off]

- Não! Não era isso que eu estava pensando! Foi no jogo que inventamos depois!

-Ah! Claro que me lembro! Tínhamos que escolher uma característica especial e a outra tinha que achá-las nas pessoas.

- Essa! Vamos jogar?

- Tudo bem...

- Eu quero uns olhos azuis extremamente encantadores!

Lizzy aceitou o desafio e começou a vasculhar a calçada com o olhar. Não achava ninguém.
“ Ora! Será possível que nenhum par de olhos azuis vai passar por aqui?

Seu sangue gelou ao terminar de pensar que a missão se tornara impossível. Avistou ao longe um par de olhos azuis que já vira antes. Não. Não poderia ser ele de novo.

Lizzy se levantou e deixou uma Bel perplexa na mesa. Saiu correndo pela calçada, tentando encontrar novamente aquele olhar em meio à multidão.
Não o achou. O homem que a acompanhou na excursão noturna a academia sumira novamente.

Lizzy voltou para a mesa, onde Isabel continuava sentada.

- Por Deus, o que aconteceu?

- Eu vi o homem que me achou na academia.

- E por que você saiu correndo desse modo atrás dele?

- Eu...

Lizzy parou para pensar. Não sabia a resposta para a pergunta de Bel. Só sabia que se sentia extremamente atraída por aqueles olhos misteriosos e brilhantes.

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Grand écart - http://www.peinturedemadeleine.com/images2/AQ1.jpg
Ele é feito no chão.
arabesque - Um passo de ballet. Uma perna esticada atrás do corpo. A outra perna, pode estar esticada ou não. Os ombros e os quadris devem estar virados para frente.
http://www.paacademyofballet.com/images/1st%20arabesque.JPG



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segunda-feira, setembro 27, 2010

No Caminho da Dança, cap. III

-Com energia! Um, dois, três quatro... Salta! Sete oito...

A voz forte e retumbante da professora Maila ecoava pela sala da imponente academia de artes. Lizzy e Bel conversavam em um canto da sala, esperando que o grupo que passava a coreografia terminasse para que fosse a sua vez.

- Bel, ontem tive que voltar aqui, tarde da noite, para procurar a chave. Quase morri de susto quando vi um homem – lindo por sinal – entrando no vestiário feminino.

- O que você fez, dona Elizabeth Bennet?

Lizzy sorriu fingindo estar envergonhada e juntou as pontas dos dedos e começou a brincar.

- Você o agarrou?

Lizzy começou a rir e usou as mãos para abafar os risos. Bel lhe lançou um olhar curioso e confessou a amiga.

- É claro que não o agarrei! Tentei me esconder, mas ele me achou.

- Daí ele te agarrou e deu um beijo de cinema.

- Não! Nós conversamos e eu fui embora. Foi só isso. E pare com esses pensamentos! Não deixo qualquer um me agarrar!

- Mas você está corada, e teve vontade de beijá-lo sim!

-Não fale sandices. E pare com essa mania de “agarrou”. Não saio agarrando as pessoas por ai.

Bel começou a rir, o que deixou Lizzy levemente irritada. O grupo que dançava acabou e foi a vez do outro grupo dançar.

http://www.youtube.com/watch?v=Vb87-hqfHcE
(o interessante é a musica.)

- Muito bom! Até semana que vem!

Os alunos se dispersaram e Bel e Lizzy seguiram caminhando para o vestiário enquanto conversavam sobre pequenos assuntos.

Lizzy havia terminado de secar os cabelos recém lavados quando Bel saiu do boxe que tomava banho.

- Sabe de uma coisa que me esqueci? O baile anual da instituição é daqui uma semana.

Lizzy guardou a escova de cabelo na bolsa e encarou a amiga.



- Você não está querendo que eu vá, está?

Bel fitou incrédula a amiga enquanto se vestia.

- Você não tem vontade de se divertir?

- É claro que eu tenho!

- Então você estará lá, no próximo sábado. No salão de exposições da instituição, sem mais nenhum ai!

- Eu não vou!

Lizzy pegou a bolsa e ia saindo do vestiário quando Bel a chamou.

- Então faremos uma aposta. Se eu tomar coragem e falar com o Thomas até essa sexta você vai. Se eu não o fizer...

- Você não vai ao baile.

Completou sorrindo em desafio com a amiga. Bel sorriu, sentindo-se vitoriosa. Lizzy sabia, o que Bel mais gostava era uma boa festa e com certeza não ia querer perder aquela.

- Feito. E é bom você ir escolhendo um vestido bem bonito. Quero ter ver arrasando quarteirões.

Lizzy deu língua para a amiga e saiu à procura da irmã, que já a esperava nos armários.

- Lizzy! Pensei que já tivesse ido embora!

- Não me culpe Jane! Isabel que me atrasa. Acredita que ela quase me obrigou a fazer uma aposta?

- Lizzy, tenho certeza que você aceitou. Não agüenta ter seu orgulho desafiado.

Lizzy fez cara de ofendida e retrucou, repreendendo-se por ser tão óbvia.

- Não é por causa do meu orgulho! E mesmo assim, tenho certeza que não irei perder! Ela nunca vai ter coragem para falar com Thomas! – pelo menos eu espero.

- Agora, conte-me essa história direito.

Lizzy contou a historia da aposta enquanto faziam o pequeno trajeto até em casa..



Luciene e Charlotte estavam em casa. Era seu horário de almoço, e resolveram preparar juntas o almoço, em comemoração.

- Nossa! Que casa arrumada! O que fizeram com as antigas moradoras?

Lizzy perguntou enquanto examinava a sala perfeitamente arrumada. Charlotte e Luciene sorriram enquanto colocavam a grande travessa de ravióli na mesa. Jane e Lizzy se sentaram e começaram a comer.

- Oh, estamos tão feliz! Lembram que eu e Lu nos escrevemos no programa de treinamento para a gerencia do departamento de moda?

- Como poderíamos esquecer, cara Charlotte? Você falou nisso durante um mês inteiro!

Lizzy respondeu enquanto se servia de uma porção generosa da comida. Charlotte apenas sorriu. Estava feliz demais para importar-se com as implicâncias de sua amiga.

- Então, nós, eu e Charlotte, conseguimos! Vamos gerenciar as novas filiais!

- Meus parabéns!

Congratulou Jane enquanto abraçava carinhosamente as amigas.

- Um brinde as mais novas gerentes de Londres!

Brindaram com as taças de champagne servidas por Lizzy.

- Bem, já que vocês tem o resto da tarde livre, por que não vamos ao shopping e compramos roupas novas? Gerentes precisam se vestir adequadamente!

Todas concordaram com a idéia de Lizzy. Após o almoço, arrumaram-se e partiram em direção ao shopping, onde fizeram novas compras e revolucionaram o guarda-roupa das amigas.

Na saída, quando passavam por uma loja de artigos de festa, Lizzy deparou-se com um vestido maravilhoso.

“ Se eu perder a aposta, terei que dar um pulinnho aqui e comprar este vestido...”

No Caminho da Dança, cap. II

Lizzy acordou na manhã de terça-feira com a cabeça latejando de tanta dor. Levantou-se da cama e sentou na poltrona do quarto que dividia com Jane. Esfregou os olhos tentando espantar a dor e foi caminhando lentamente até a cozinha ainda de olhos fechados.

Abriu-os o bastante para ver onde estava a caixa de remédios e pegou um dos comprimidos para dor de cabeça. Encheu o copo que estava em cima da pia de água e engoliu o remédio.

“ Pronto, Agora é só esperar ele fazer efeito e me mandar para a academia.” ”

Gemeu baixinho ao se lembrar que sua primeira aula do dia seria com seu querido professor Antony, o tal implicante do departamento de expressão corporal.

Deixou-se cair no sofá que estava a poucos metros da cozinha e fechou os olhos. Se não amasse tanto a dança, não suportaria toda a rotina de aulas e testes que passava.

Não demorou muito para Jane aparecer já vestida com o vestido azul usual de sua aula de pintura e dar um bom dia que transparecia todo o seu bom humor.

- Bom dia...

Lizzy respondeu ainda deitada no sofá com um pequeno gemido. Jane apoiou todo o material que carregava na mesa da sala e sentou-se ao lado da irmã.

- Dores de cabeça de novo?

- Aham...

- Oh Lizzy! Você precisa ver um médico... isso está se tornando constante.

- Não é nada demais. Só tenho me esforçado de mais e comido e descansado de menos.

- Precisa se cuidar melhor. Imagina o que papai diria se soubesse que você anda sendo tão descuidada?

Lizzy deu língua para a irmã com um ar infantil. Por que ela sempre tinha que usar o pai como peso na consciência? Agradeceu pela dor de cabeça já ter ido embora e correu para em direção ao quarto para se arrumar.

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Guardaram as coisas em seus respectivos armários na academia e despediram-se. O dia de terça-feira era cheio para ambas irmãs Bennet.

Lizzy teria durante toda a manhã aula de expressão corporal e Jane teria história da arte. Combinaram de almoçar juntas no refeitório da academia mesmo e depois cada uma se separaria. Jane teria pinturas em tela e Lizzy passaria o resto do dia com aulas de centro* de jazz, ballet, e street dance.

Como Jane acabaria antes, voltaria para casa com o carro e Lizzy pegaria carona com alguma das meninas ou simplesmente tomaria um ônibus até em casa.

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Lizzy seguiu para o vestiário e tirou o jeans que estava usando por cima do colant preto, uniforme da academia. Amarrou o blusão um pouco mais apertado ao corpo com um nó e pos a calça de malha larga também.

Em aulas como aquela era bom que ficasse bem livre para fazer os movimentos exigidos.

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Quando chegou a sala, todos os alunos já estavam presentes e o professor também.

- Atrasada de novo senhorita Bennet? Saiba que não vamos esperar por você para começar as aulas.

Lizzy revirou os olhos e lançou um olhar de esguelha para o relógio da sala. Ainda eram sete e cinqüenta. A aula só deveria começar oito horas. Deixou a indignação de lado e pôs a sapatilha de jazz nos pés e começou a rodá-los tentando aquecê-los um pouco.

- Muito bem... quero todas espalhadas pela sala de frente para o espelho. Vamos fazer um pequeno aquecimento, e depois começaremos para valer. O exercício é o seguinte: vocês formaram uma fila e tirarão uma das cartas da minha mão.

O professor apontou para um pequeno envelope em cima de sua mesa que estava recheado de algumas cartinhas.

- Cada uma delas possuí uma série de expressões que vocês deverão fazer enquanto realizam a pequena coreografia que tenho certeza, a professora Maila ensinou para vocês no aperfeiçoamento de passos. Quero ver uma de cada vez. Então vamos parar de enrolar e começar. Temos muito que fazer.

Maila era a professora de street dance. Todas ocuparam um espaço na sala e fizeram o pequeno aquecimento. O professor foi até a sua mesa e pegou um dos envelopes. Cada aluna pegou sua carta e organizaram uma fila.

As expressões

• Felicidade nos dois primeiros oitos* da música.
• Dúvida nos dois seguintes
• E confiança no final da música.


http://www.youtube.com/watch?v=h__d0RMFOkQ
(o que interessa é a música)

O professor ligou o som e a música começou. Uma a uma, as alunas passaram a pequena coreografia com as expressões exigidas. O professor acompanhava cada uma com a cata sorteada em mãos.

Às vezes exigia um pouco menos de alegria, ou um pouco mais de tristeza nos movimentos, mas sem nada que fosse extremamente notória nos erros.

Em sua vez, Lizzy lhe entregou a cartinha que mantinha firme em suas mãos e começou seguindo exatamente o que a cartinha ordenava. Nos dois primeiros oitos se mostrou incrivelmente feliz em todos os seus movimentos. Depois se mostrou mais hesitante, e nos ultimo dois oitos confiante.

O professor, ao termino da série , estava com uma expressão extremamente engraçada. Seus lábios estavam crispados, fazendo com que apenas uma linha se formasse com seus já finos lábios. Apertava firmemente a carta nas mãos e parecia mais um pequeno cachorrinho.

Lizzy sorriu internamente. Sempre que o seu querido professor assumia esse ar era por que não havia encontrado nada o que criticar em Lizzy.

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As aulas da manhã terminaram, e as duas irmãs Bennet encontraram-se em seus armários. Seguiram juntas para o refeitório e almoçaram enquanto conversavam sobre amenidades.

- Ah Lizzy, você já ouviu falar que os donos da academia farão uma visita aqui? Acho que eles querem ver como anda os negócios.

Lizzy deu de ombros e deu mais uma mordida em sua maçã.

- Eles nem saberão que existimos. Não é lá muito animador. Provavelmente virão dar uma olhada e irão voltar para o aconchego de seu lar no dia seguinte.

- Oh Lizzy! Não devia ser tão ingrata. Sem eles isso aqui não funcionaria.

Lizzy não respondeu e continuou comendo a maçã como sobremesa.

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Um pouco antes do inicio das próximas aulas, Lizzy voltou ao vestiário para trocar de roupa. Substituiu a blusa e calças largas e vestiu sua saia transparente de ballet. Já estava de meia. Prendeu o rabo-de-cavalo em um coque e seguiu para a aula.

Passou os olhos pela turma a procura de uma das amigas.

- Isabel!

Chamou ao ver a amiga já botando as sapatilhas. Isabel acenou e Lizzy sentou-se ao seu lado.

- Por que não veio a aula ontem? Senti a sua falta, sabia?

Isabel riu e olhou de esguelha pra Lizzy.

- Não sabia que fazia tanta falta assim nas aulas.

Lizzy riu e deu um tapinha na perna da amiga.

- Eu sei porque você resolveu vir hoje! Seria um certo Thomas, que faz aula com agente nos dias de centro?

Lizzy falou lançando um olhar divertido a um dos poucos meninos que faziam ballet. Isabel corou e murmurou.

- Não fale bobagens.

Lizzy apenas balançou a cabeça e terminou de enrolar os dedos, um a um, com esparadrapo. Assim evitava que doesse tanto os pés. Terminou de enlaçar os tornozelos com a fita de cetim e dirigiu-se até a barra, acompanhada de uma Isabel ainda corada, para aquecer os pés para a aula.

Fizeram um pequeno aquecimento acompanhadas por uma peça tocada pela senhora Fib, a pianista das aulas.

http://www.informadanza.com/glossario/img/Plie.jpg
(música dos exercícios)

Fizeram uma série de demi-plié e plié*** seguidos de supleces e cambrés**** em todas as posições. Alongaram as pernas com os pés apoiados na barra e finalmente começaram a fazer os exercícios de centros.

No centro, fizeram uma série de dez saltos de Changements de pieds***** seguidos por saltos em todas as direções de sissone.******

Seguiram com os exercícios até o fim da aula.


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As aulas seguiam de um modo divertido. Nos intervalos, Lizzy e Bel corriam até o vestiário e trocavam de roupa para a aula seguinte. Trocavam a sapatilha de Ballet para a confortável sapatilha de jazz. Tiravam a saia transparente, que ambas usavam, e colocavam a calça preta de lycra. Voltavam a usar o blusão.

Depois da aula de centro de jazz, corriam novamente para o vestiário, afim de trocar a sapatilha de jazz pelo tênis do street e tirar o colant obrigatório nas outra aulas.

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Isabel e Lizzy estavam saindo juntos do imponente prédio da academia. Conversavam e riam sobre as expressões engraçadas das professoras durante as aulas.

- Bel, você poderia me dar uma carona até em casa? Jane já foi, ela terminou mais cedo hoje.

- Claro, entra ai.

Bel abriu o carro e as duas seguiram até o apartamento de Lizzy, cantando e rindo.

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“Cadê essa maldita chave?”

Automaticamente apertou a campainha com força e esperou que alguém abrisse. Como ninguém veio, voltou a revirar a bolsa, enquanto soltava reclamações em voz baixa.

”Vou ter que voltar na academia... droga, a essa hora já deve estar fechada.”

Lizzy reclamou enquanto consultava o relógio. Fechou a bolsa com impaciência e desceu as escadas do apartamento saltando alguns degraus.
Caminhou até o ponto de ônibus e pegou o primeiro que ia em direção ao centro.

Não teria problemas em entrar. O vigia era um senhor muito simpático, e tinha certeza que não se oporia.

- Boa noite.

- Senhorita Bennet? O que faz aqui tão tarde da noite?

- Esqueci as minhas chaves de casa em algum lugar, e não consigo entrar em casa. Não teria problemas se eu entrasse para procurar, teria?

O zelador olhou para os dois lados da rua, e sorriu dando passagem para Lizzy.

- Não demore.

Lizzy acenou e subiu a longa escadaria de mármore branco até o vestiário. Olhou de relance por cima dos bancos e dentro dos trocadores. Nada.

Já estava desistindo quando viu um pequeno brilho debaixo do grande e alto banco central.

- Ai está você!

Abaixou-se e engatinhou até ficar completamente embaixo do banco. Alcançou a chave e estava prestes a sair daquele lugar cheio de poeira quando ouviu passos no vestiário.

Congelou no mesmo lugar e se encolheu.

“ Droga! Se me pegam aqui o pobre John perde o emprego!

Avançou só um pouco no intuito de ver quem era. Arriscou um olhar e viu que era um homem que nunca havia visto antes. Voltou a se encolher e rezou para que ele fosse logo embora.

Mas o homem não parecia ter muita pressa. Olhou tudo com grande curiosidade e inspecionando tudo com muita curiosidade.

“ Ai não, ai não”

Lizzy pensou enquanto coçava o nariz e rezava para que o espirro que lhe causava tanta aflição não saísse realmente.

- Atchim! – “ maldita alergia!”

Lizzy não pode segurar, por mais que fizesse caretas para isso. Além de chamar a atenção que não queria, ainda bateu fortemente com a cabeça no banco.

Levou a mão na cabeça acariciando o lugar em que batera de olhos fechados. Quando abriu os olhos viu duas pequenas contas a fitando. Era com certeza os olhos mais lindos que já vira. Brilhavam, e parecia a luz roubada de alguma estrela do céu.

Lizzy sorriu envergonhada e começou a engatinhar para fora do banco. Levantou-se ainda sem encarar o homem com expressão curiosa a sua frente e arrumou a calça que estava suja.

Quando finalmente tomou coragem para encarar aqueles lindos olhos perdeu o fôlego.

“ Da onde esse Deus grego saiu?”

Ele era lindo. Alto, e um porte elegante. Seus ombros era largos e os músculos definidos podiam ser distinguidos através da blusa branca de linho. Segurava um casaco que devia estar sobre a blusa quando chegou, mas lá estava quente.

O rosto... como descrever tal perfeição da natureza? Seus olhos eram extremamente azuis e possuíam a profundeza de mil oceanos. Os lábios eram fartos e delineados. O nariz delicado, mas expressivo. O queixo saliente.
O cabelo estava um pouco bagunçado, o que o deixava mais sensual, e era de um castanho pura e mesmo no escuro, brilhante.

“ Ai. To perdida.”

Lizzy pensou enquanto o olhava e mordia inconscientemente o lábio.

- Está doendo?

Ele perguntou apontando para a cabeça de Elizabeth. Sua mão continuava inconscientemente afagando o local em que doía.

“ Estou patética. Por que sempre que encontro o homem... an, decente, estou terrivelmente patética?”

E sua voz. Era arrebatadora como o mar, suave como a mais fina seda, e macia como o mais puro veludo.

- Um pouco.

Ela respondeu com o fiasco de voz que conseguiu reunir. Ele pegou em sua mão livre e Lizzy pode sentir uma corrente de eletricidade percorre-lhe o corpo.

A conduziu até uma cadeira e fez com que ela sentasse. Foi até a pequena maquina de gelo e pegou um pouco. Enrolou em um lenço que carregava no bolso e entregou a Lizzy.

- Bote na cabeça onde doe. Vai melhorar um pouco.

Lizzy se irritou um pouco com o tom autoritário, mas colocou. Sua cabeça estava realmente latejando. Ele se sentou ao seu lado.

- Você estuda aqui?

- Estudo. Dança.

- Gosta?

- Muito.

Encarou os pés por um minuto.

- Desculpa-ter-entrado-depois-do-horario-é-que-perdi-minha-chave-aqui-e-tive-que-vir-buscar-para-entrar-em-casa.

Falou de um só fôlego. O homem que a fitava começou a rir e Lizzy sentiu-se extremamente patética naquela situação. Como sua risada era melodiosa.

“ E como ele fica lindo sorrindo...”

- Não precisa se preocupar. Agora já é bem tarde e acho que devíamos sair daqui.

Lizzy concordou e os dois seguiram caminhando e conversando sobre a escola até a saída. Ela se despediu e seguiu para casa, sonhando com aquele homem misterioso.

*******************************
“ Finalmente, posso entrar em casa.”

Abriu
a porta e entrou, fechando-a atrás de si. Jane a olhou surpresa.

- Onde você estava?

- Na rua porque esqueci a chave na academia.

Andou devagar até o sofá e deixou-se cair.

- O que é isso na sua mão?
Jane perguntou ao ver um pequeno lenço espremido nas mãos de Lizzy.

- Droga! Esqueci de devolver! – não é minha culpa se ele tem aqueles olhos magníficos – é do senhor...

Parou.

- Meu Deus! Eu ao menos perguntei seu nome! Como vou devolver?

- O que aconteceu Lizzy?

Lizzy narrou com todos os detalhes a sua breve visita à academia. Ao terminar encarou a irmã com uma expressão curiosa.

Jane começou a rir, logo levando uma almofadada da irmã. Começaram uma pequena guerra. Ouviram o barulho da chave na porta e pararam. Luciene e Charlotte entraram, recebendo como boas vindas, uma almofadada e começando uma pequena guerra...

**********************************

Aulas de centro – Na dança, você tem exercício em quatro “meios”.

Chão, que são exercícios em sua maioria de flexibilidade no chão.

Barra, na maioria são para fortalecer e aprimorar os movimentos. É na barra (segurando-a com uma das duas mãos) que o bailarino aprende os primeiros exercícios e passos. É como treinar a caligrafia em um caderno especial. Os exercícios de barra seguem um ritmo certo: primeiro são feitos os movimentos mais lentos, para aquecer os músculos e as articulações, depois os mais rápidos, para dar força e agilidade ao corpo.

Centro, você aplica o que aprendeu no chão e na barra para realizar os passos. O Centro (o meio da sala) é a principal parte da aula, pois o bailarino dança livremente. O centro exige postura, coordenação, força, agilidade, que são desenvolvidas na barra. No centro também há exercícios lentos e rápidos. Primeiro, com os pés no chão, até chegar aos saltos. É tão natural como o desenvolvimento

Diagonais, você faz pequenas “coreografias” para treinar saltos e aplicar o que aprendeu.

Oitos – Na dança, para criar os passos e pegar o ritmo, usamos uma contagem, que segue até oito. Cada passo, ou alguns passos, utilizam um oito para ser realizado.

Plié - Uma dobra de joelhos ou joelho. Este exercício torna as juntas e os músculos mais flexíveis e maleáveis bem como tendões mais elásticos. Existe o plié, que é uma dobra não muito acentuada dos joelhos, e o grand plié, onde a dobra dos joelhos é bem acentuada, levantando os calcanhares
quando já perto do chão na 1ª, 3ª e 5ª posição.
http://www.informadanza.com/glossario/img/Plie.jpg

Cambré - Arqueado. Dobrar o corpo a partir da cintura, para a frente, pra trás ou pra os lados, a cabeça acompanha o movimento.

Suplece – movimento que alongamos a lombar, que desce da posição ereta da coluna e tenta encostá-la no joelho.

Changements de pieds - Troca de pés. Passos saltitantes na quinta posição onde os pés são trocados no ar.

Sissone - Um salto dos pés caindo em um pé com a perna trabalhada estendida para o lado,frente ou atrás num movimento parecido com o de uma tesoura.
http://web.syr.edu/~kmzellne/images/page%20pictures/sissone

No Caminho da Dança, cap. I

No Caminho da Dança - Capítulo I Escrito por Amanda


Uma grande sala com enormes espelhos cobrindo todas as paredes, e pequenas barras de madeira como se fossem contínuos roda-meios. . Um chão de madeira perfeitamente polida e brilhante com apenas alguns pontos mais foscos que encontravam-se cobertos de breu*.

Um magnífico piano de calda encontrava-se no canto da sala, bem próximo a uma das janelas, onde uma senhora baixinha e atarracada tocava. A professora Márcia andava pelas alunas que faziam os exercícios na barra com tanta perfeição, que poucas vezes encontrava o que corrigir.

As vinte meninas em fila na barra sorriam, movimentavam-se com suavidade e em perfeita sincronia. Usavam colant preto, meia calça branca e uma saia que algumas dispensavam. Os cabelos bem presos em um coque.

Mais parecia que se movimentavam com a brisa suave que vinha da imponente janela de vidro. Faziam seus exercícios ao som de “Andante in F major”, de Mozart.

As sapatilhas de ponta rosa brilhavam quando alguns raios de Sol iluminavam seu cetim. Alguns já gastos pela freqüência que eram usados, outros novos em folha.

- Muito bom, meninas! Vamos encerrar a série com um arabesque** na quinta posição.

A senhora que tocava parou e as meninas subiram na ponta fazendo o arabesque. A professora olhou todas, algumas vezes levantando um pouco mais a perna.

- Muito bom. Podem descansar.

Todas desceram da ponta e fizeram uma reverência***. Algumas começaram a conversar e outras apenas se dirigiram para os bancos confortáveis no canto da sala. Sentaram-se nos bancos ou no chão enquanto conversavam e desamarravam as fitas de cetim que lhes amarrava os tornozelos.

Tirar as sapatilhas mais parecia um ritual. Todas desamarravam as fitas e retiravam os elásticos que as mantinha presa ao pé. Algumas meninas usavam ponteiras**** outras não. Jogavam um pouco de talco para evitar que o suor estragasse as sapatilhas e as guardavam cuidadosamente em suas bolsas. Enrolavam as meias que possuíam as pontas cortadas até ao joelho, despediam-se da professora e iam , ou para casa, ou para outras aulas no grande instituto de artes Artes institute.

Artes Instutute era a academia de artes mais conceituada de Londres. Vários estudantes de todas as partes do mundo desejam ter uma vaga nesta academia. Era muito cara, apenas uma parte da população poderia estudar nela, se não fosse as bolsas que a escola dava anualmente para cinqüenta alunos de cada matéria.

Lá se podia estudar dança, música, escultura, pintura, teatro.

Elizabeth Bennet, uma das bolsistas que conquistara o direito de estudar lá com horas e horas de treino, saia para os grandes corredores depois de sua aula de ballet a procura da irmã, que também era bolsista, só que em pinturas.

Dirigiu-se para o andar de seu armário e guardou suas coisas. As aulas do dia havia acabado. Varias pessoas passavam por ela e a cumprimentavam. Lizzy era muito querida por todos os professores e alunos. Bem, ou quase todos. O professor de expressão na dança, Lizzy tinha certeza, a perseguia. Sempre achava que suas expressões corporais não estavam boas o bastante. Mas isso não importava.

Quando terminou de dar uma pequena arrumação em seu armário avistou Jane vindo em sua direção, carregando sua maleta com tintas. Seus longos e belos cabelos loiros estavam presos no alto da cabeça em um coque desarrumado. Seus lindos olhos azuis brilhavam. Usava um lindo vestido azul que não podia ser visto, pois estava coberto por um grande avental branco completamente manchado de tintas nas mais diversas cores.

- Jane, o que fizeram com você?

Lizzy perguntou enquanto ria. Jane estava com pingos de tinta por quase todo o rosto.

- Eu sei que estou suja. Mas entrou uma garota nova na nossa turma de pintura em vasos e ela não soube usar o misturador de tintas. A tinta espirrou para todos os lados, e eu que estava atrás dela acabei levando a maior dose. Mas não foi sua culpa.

Lizzy apenas riu e fechou o armário. Jane guardou suas coisas em seu armário, que era ao lado do de Lizzy, e as duas seguiram juntas para o pequeno apartamento que dividiam com mais duas amigas.

Lizzy permitiu que Jane entrasse no banho primeiro. Charlotte e Luciene , suas companheiras de apartamento, ainda estavam no trabalho. Trabalhavam juntas como estilistas em uma loja no centro.

Começou a preparar o almoço. Elas logo chegariam em casa e estava morrendo de fome. Preparou uma macarronada para todas e foi tomar banho.

Era segunda feira e ainda tinha uma longa semana pela frente.

A tarde daria aulas de ballet em uma comunidade carente e não podia chegar atrasada. Lizzy adorava ver o sorriso e os brilhos nos olhos de cada criança sempre que adentrava a precária sala em que dava aula.

- Tia Lizzy, o que vamos aprender hoje?

Perguntavam sempre que a viam chegar. Dava duas aulas. Uma para crianças pequenas e outras para adolescentes. O dinheiro que ganhava era pouco, pois só era paga pelas aulas dadas aos adolescentes.

Dava aulas para as crianças pequenas porque gostava. Em seu primeiro dia como professora, enquanto dava a aula percebeu que algumas meninas espiavam pela janela e ao final da aula foi falar com elas.

- Vocês também fazem aula?

Lizzy perguntou sorrindo. A menina que parecia ser a mais velha balançou a cabeça e respondeu com uma voz tristonha.

- Somos muito pobres. Não temos como pagar.

No mesmo dia, Lizzy foi até a proprietária da sala e perguntou se não poderia usar a sala para mais uma aula. A dona, uma senhora ranzinza e mal educada sorriu com desdém e só aceitou alugar a sala para Lizzy. Mesmo assim ela não desistiu. Paga o aluguel com parte do salário que recebe com a aula das meninas mais velhas.



segundas quando descia do ônibus e entrava na sala.


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Breu - é um pó que as bailarinas botas na ponta e na sola da sapatilha para evitar que escorreguem quando estiverem dançando.

Arabesque – Um passo de ballet. Uma perna esticada atrás do corpo. A outra perna, pode estar esticada ou não. Os ombros e os quadris devem estar virados para frente.

Reverência – Sempre que as aulas de ballet acabam, as bailarinas fazem uma pequena reverência como sinal de graciosidade.

Ponteiras – São de esponja ou de silicone. Você coloca na ponta dos pés antes de botar a sapatilha. Evita que o pé fique tão machucado pela ponta.